Como a Folha de S.Paulo cobriu o tema do aborto nas eleições

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(Folha de S. Paulo – 2ª feira, 01/11/2010)
Ao contrário de Lula, Dilma não terá período de graça, entrevista com Renato Lessa (Folha de S. Paulo – 01/11/2010) – Em entrevista á Folha, o cientista político lamenta: “É uma coisa terrível que dois candidatos ateus desde criancinha -a não ser que tenham tido uma visão mística recente- tenham perdido a oportunidade ímpar de se dirigirem à nação juntos declarando que não tratariam de religião na campanha e professando uma posição ao menos agnóstica, como a única capaz de garantir a liberdade religiosa. Se tivessem feito isso, o efeito republicano seria notável. Mas não fizeram por oportunismo, por medo, pela lógica da acusação mútua. Isso mostra como os atores políticos não estão à altura da nossa democracia.”

(Folha de S. Paulo – sábado, 30/10/2010)
Lula minimiza fala do papa sobre aborto (Folha de S.Paulo – 30/10/2010) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não viu novidade e minimizou a influência da declaração do papa Bento 16, que condenou o aborto e conclamou os bispos brasileiros a orientarem o voto dos fiéis católicos. “Eu não vi nenhuma novidade na declaração do papa. Esse é o comportamento da Igreja Católica desde que ela existe”.

A questão do aborto 2, por Antonio Cicero (Folha de S.Paulo – 30/10/2010) – Em resposta ao artigo “A questão do aborto, revisitada”, que João Pereira Coutinho escreveu em sua coluna na seção Ilustrada da Folha de 19/10/2010, o escritor e colunista responde: “Sem sentir, pensar ou ter um ‘si’, o embrião não é uma pessoa, não teria um futuro que lhe pudesse ser ‘roubado’ (…) A mim parece que uma sociedade será tanto mais civilizada quanto maior for a proteção jurídica concedida a tais sujeitos reais -em oposição a sujeitos fictícios- de direitos”.

(Folha de S. Paulo – 6ª feira, 29/10/2010)
Papa pede ação no Brasil contra aborto (Folha de S.Paulo – 29/10/2010) – “Bento 16 qualificou o aborto e a eutanásia de ações ‘intrinsecamente más’, cuja descriminalização compromete a democracia. (…) Em seu discurso, Ratzinger abordou outros dois temas presentes nas disputas culturais entre religiosos e secularistas: o ensino religioso nas escolas oficiais e a presença de crucifixos em espaços públicos como tribunais”, escreve a Folha.
Papa asfixiou esquerda, e agora promove agenda, por Igor Gielow (Folha de S.Paulo – 29/10/2010) – “O episódio como um todo parece marcar uma espécie de epílogo da disputa entre o Vaticano conservador e o chamado clero progressista -influenciado pelo marxismo e pelas ideias liberalizantes do Concílio Vaticano 2º, encontro encerrado em 1965. Os progressistas ajudaram a fundar o PT e eram bem-vindos pelo partido no debate eleitoral. Ao longo dos anos, perderam espaço na hierarquia, e a manifestação papal demonstra que a doutrina Ratzinger fincou raízes por aqui, com a inevitável repercussão política.”
Serra elogia papa; Dilma não vê prejuízo (Folha de S.Paulo – 29/10/2010) – “Tucano diz que Bento 16 tem ‘pleno direito’ de orientar fiéis, e petista nega relação entre texto e polêmica do aborto. Candidato do PSDB faz campanha com caráter religioso, e adversária reafirma sua posição contrária à prática”, destaca a Folha. 

(Folha de S. Paulo – 5ª feira, 28/10/2010)
Feministas dão aval a recuo de Dilma sobre aborto (Folha de S. Paulo – 28/10/2010) – “‘Eu entendo e faria a mesma coisa.’ Quem fala é Rose Marie Muraro, patrona do feminismo nacional, e o tema é o recuo da presidenciável Dilma Rousseff (PT) sobre a descriminalização do aborto. ‘Há oito anos [de governo] para isso, ou quatro que seja. Não é o fim do mundo’, diz. Como Muraro, outras feministas –petistas declaradas, intelectuais e integrantes de ONGs– manifestaram à Folha apoio à candidata, mesmo que isso signifique apoiar alguém cujo discurso enverede pela rejeição de uma das bandeiras mais caras ao movimento de mulheres.”

(Folha de S. Paulo – 4ª feira, 27/10/2010)
Para arcebispo, aborto é assunto de eleição (Folha de S. Paulo – 27/10/2010) – “O arcebispo de Aparecida (SP) e mais novo cardeal brasileiro, dom Raymundo Damasceno Assis, 73, defendeu ontem que temas relacionados ao ‘direito à vida’ e ao matrimônio sejam debatidos pelos candidatos durante a campanha presidencial. Para dom Raymundo, a discussão ajuda a esclarecer o eleitor, que, assim, votaria de maneira mais consciente.”

(Folha de S. Paulo – domingo, 24/10/2010)
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Igreja introduziu vírus oportunista na campanha – entrevista frei Betto (Folha de S.Paulo – 24/10/2010) – “Eleitor de Dilma, frade afirma que maneira como o aborto é tratado na eleição planta sementes de fundamentalismo.”
A vida dos outros, pela ombudsman Suzana Singer (Folha de S. Paulo – 24/10/2010) – “Declaração de ex-alunas de que Monica Serra disse ter feito aborto mobiliza leitor, que defende privacidade. (…) Neste caso, a pertinência jornalística é difícil de ser contestada, já que o tema foi explorado à exaustão na campanha. Serra disse ser contra a legalização do aborto, ‘até por uma questão pessoal’ e também ‘porque se liberaria uma verdadeira carnificina’. Há um mês, segundo a Agência Estado, Monica Serra disse que ‘Dilma era a favor de matar criancinhas’. (…) Além da relevância pública, é preciso considerar o grau de veracidade do relato. (…) De uma turma de cerca de dez alunas, a Folha conversou com três, que confirmaram a história.”
PT é “partido da morte” e da “mentira”, afirma bispo de Guarulhos (Folha de S.Paulo – 24/10/2010) – “Na coletiva que concedeu ontem, o religioso [d. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos] afirmou: ‘Não votem em Dilma [Rousseff]’, ressalvando que sua recomendação não sugere automaticamente que o eleitor opte pelo adversário da petista, o tucano José Serra. ‘Existem opções: anular o voto ou votar em branco. Mas se você me perguntar como vou votar, não respondo.’ (…) ‘Deixo a consciência de cada um fazer sua escolha. Só estou dizendo para não votar na Dilma. Se ela ganhar, vou lamentar, mas vou respeitá-la como presidente e continuar minha campanha contra o aborto’.”

(Folha de S. Paulo – 6ª feira, 22/10/2010)
Aborto tem que ser discutido na eleição, diz CNBB (Folha de S. Paulo – 22/10/2010) – “O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Geraldo Lyrio Rocha, disse ontem que a questão do aborto não pode ficar fora de campanhas eleitorais. (…) Segundo d. Geraldo, a igreja não saiu “dividida” do debate sobre o aborto, apesar de bispos de diversas dioceses terem defendido diferentes candidatos.”

(Folha de S. Paulo – 5ª feira, 21/10/2010)
Pensamentos concretos sobre o aborto, por Contardo Calligaris (Folha de S.Paulo – 21/10/2010) – “A oposição não é entre os que privilegiam a vida do feto e os que privilegiam a escolha livre da mulher, mas entre abstrato e concreto. (…)
Não sou nem a favor nem contra. Muito pelo contrário. Mas muito mesmo.” 

(Folha de S. Paulo – 4ª feira, 20/10/2010)
Em entrevista, Serra soa como postulante a bispo, não a presidente, por Josias de Souza (Folha de S. Paulo – 20/10/2010) – “A melhor maneira de entender o rumo da campanha de José Serra é observar as perguntas que lhe são dirigidas em entrevistas e debates. (…) Serra foi inquirido sobre um tema que ajudou a converter em tópico dominante da sucessão de 2010: a fusão entre religião e política.”
Campanha de Serra vê perda de fôlego e traça mudanças (Folha de S.Paulo – 20/10/2010) – “O comando da campanha de José Serra (PSDB) avalia que houve uma perda de fôlego nos últimos dias e estuda como manter a candidatura em ascensão. Um reflexo disso foi o abandono do tema do aborto e de questões religiosas pelo tucano (…). O tema, contudo, já começa a ser visto com potencial negativo pelo PSDB, especialmente depois que a mulher de Serra, Monica, acabou incluída involuntariamente no noticiário, após o relato, feito por uma ex-aluna sua, de que ela havia feito um aborto no exílio no Chile.”
PT pôs aborto na campanha, diz Serra (Folha de S. Paulo – 20/10/2010)
– “Serra atribuiu a polêmica eleitoral do aborto às mudanças no discurso de Dilma sobre o tema e ao lançamento do 3º PNDH (Programa Nacional de Direitos Humanos), em dezembro de 2009. “Dilma se manifestou a favor do aborto, tem o vídeo. O PT, no fim do ano passado, fez o PNDH, que tornava transgressor, criminoso, quem fosse contra o aborto. Eles puseram a questão no ar”.

O ópio dos candidatos, por Marcelo Coelho (Folha de S.Paulo – 20/10/2010)“A fé que eu gostaria de contestar, a esta altura da campanha eleitoral, é a fé nos marqueteiros e nas pesquisas de opinião. O maior obscurantismo não está na condenação ou na defesa do aborto. Está no fato de dois candidatos seguirem, como ovelhinhas, o que lhes recomenda a última estatística.”

(Folha de S.Paulo – 3ª feira, 19/10/2010)
Monica Serra, Painel do Leitor (Folha de S.Paulo – 19/10/2010) – “Parabenizo a jornalista Mônica Bergamo pela reportagem ‘Monica Serra contou ter feito aborto, diz ex-aluna’ (…) Quanta hipocrisia! Não foi ela que, em fala absolutamente maldosa, disse que a candidata Dilma Rousseff era a favor de matar criancinhas?” JOÃO BERTOLDO DE OLIVEIRA (Campinas, SP)
“Quero manifestar minha indignação com a publicação da reportagem tendenciosa, leviana e violenta de Mônica Bergamo sobre uma acusação de aborto realizado por Monica Serra. (…) De um jornal que se diz independente, só me resta prestar os meus pêsames quanto à evidente subserviência à pauta do partido no poder.” MANUEL SACCO (São Paulo, SP)
“Como é que é? Morreu o assunto ‘aborto de Monica Serra’? Quando se trata de falar mal de Dilma Rousseff há sempre muito espaço. Imprensa livre para quê? Para ser parcial? Como cidadão e leitor, tenho o direito de exigir imparcialidade, inclusive nas entrelinhas.” RONI FRANCISCO DAL BOSCO (Curitiba, PR)
A questão do aborto, revisitada, por João Pereira Coutinho (Folha de S.Paulo – 19/10/2010) – “Significa a morte de um ‘ser vivo’ em potência; o roubo de um futuro pela autonomia do presente. (…) E a autonomia da mãe? Não deve ser respeitada? Pessoalmente e excetuando os casos de perigo para a saúde da mãe já citados, eu só poderia admitir a prevalência da autonomia se ela, suspendendo o suporte vital ao embrião, permitisse que ele continuasse por outros meios: naturais (no corpo de uma outra ‘mãe’) ou até artificiais (sustentado por uma qualquer ‘máquina’).”
O aborto no Direito brasileiro, por Ives Gandra da Silva Martins (Folha de S.Paulo – 19/10/2010) – “O arsenal de disposições do Direito brasileiro aponta para a impossibilidade de que haja a constitucionalização da prática do aborto no país.”

(Folha de S.Paulo – 2ª feira, 18/10/2010)
Serra em transe, por Fernando de Barros e Silva (Folha de S.Paulo – 18/10/2010) – O jornalista aborda em sua coluna a polêmica em torno da revelação por uma ex-aluna de Monica Serra de que a mulher de Serra contou em sala de aula que já havia feito um aborto. Para Fernando, essa polêmica “coloca em conflito o direito à informação, de um lado, e o direito à privacidade, de outro. Haverá, neste caso, bons argumentos a favor e contra a publicação. Penso que a Folha acertou, por duas razões principais: com o aborto alçado a tópico da disputa eleitoral (e por obra de Serra), o episódio passou a envolver evidente interesse público. E, tão importante quanto isso: Monica Serra havia dito, há um mês, em campanha pelo marido no Rio, que Dilma era a favor de “matar criancinhas”, numa clara alusão à posição da petista sobre o aborto. Ao assumir como sua, e nos termos que fez, a campanha do marido, Monica fixou para si as regras do jogo que estaria disposta a jogar.”
Gráfica de tucana fez panfletos anti-PT; Dilma classifica panfleto como “crime eleitoral”; Igreja: Arquidiocese diz que união apoia aborto (Folha de S.Paulo – 18/10/2010) – Por determinação da Justiça Eleitoral, a Polícia Federal apreendeu cerca de 1 milhão de panfletos assinados por uma diocese ligada à CNBB, que pregam voto contra o PT devido à posição favorável à descriminalização do aborto. A gráfica em que os panfletos estavam sendo impressos pertence à irmã de um dos coordenadores da campanha do candidato José Serra (PSDB), Sérgio Kobayashi.

(Folha de S.Paulo – domingo, 17/10/2010)
Campanha de Serra nega relato de ex-aluna (Folha de S.Paulo – 17/10/2010) – “A assessoria de imprensa da campanha de José Serra divulgou ontem nota em que nega que a mulher do candidato do PSDB à Presidência, Monica Serra, tenha se submetido a um aborto. ‘Diante de matéria publicada hoje, a campanha de José Serra esclarece: Monica Serra nunca fez um aborto’.
O texto afirma que ‘essa acusação falsa, que já circulava antes na internet, repete o padrão Miriam Cordeiro de que o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva foi vítima na eleição de 1989’.”
Para trás é que se anda, por Janio de Freitas (Folha de S.Paulo – 17/10/2010) – “A exigência religiosa volta a submeter a política; a responsabilidade não é apenas do radicalismo em nome da fé mas também dos candidatos. (…) Se vencer com esses recursos, Serra não terá por que orgulhar-se da vitória. (…) Dilma Rousseff mantém mais recato, mas não fugiu ao retrocesso. (…) A ‘mensagem aos cristãos’ que lançou anteontem, por mais cuidadosa que seja em driblar uma inversão de posições, é uma concessão evidente contra as suas convicções.”
Fé na reportagem, pela ombudsman Suzana Singer (Folha de S.Paulo – 17/10/2010) – “A Folha deveria concentrar suas energias em desvendar o que de fato aconteceu. (…) Por que pastores evangélicos iniciaram essa onda anti-Dilma? O aborto não parece explicação suficiente. Há outros interesses em jogo? E por que setores da Igreja Católica aderiram? (…) O padre José Augusto, de Cachoeira Paulista (SP), em longa fala contra o PT, cita uma lei que restringiria a programação religiosa a uma hora por dia -católicos e evangélicos têm canais próprios. Será isso? E, se a religião não for determinante, cabe ao jornal investigar outras hipóteses. Explicar o grande número de votos brancos e nulos no Nordeste. Entender se Marina Silva foi um receptáculo de insatisfeitos ou se teve algo a mais. Dizer por que, aparentemente, as mulheres não gostam tanto de Dilma -se dependesse dos homens, a eleição teria terminado no primeiro turno. Essas perguntas só podem ser respondidas com reportagem.”
E por falar nisso, por Danuza Leão (Folha de S.Paulo – 17/10/2010) – “Não faço a defesa do aborto, mas não aceito que um mundo masculino tenha o direito de ditar regras que só dizem respeito a elas. Algum bispo tem ideia do que é enfrentar um estupro, ou a ter mais um filho -muitas vezes sem pai- sem ter como criá-lo, ou a uma gravidez indesejada para uma adolescente?”

(Folha de S.Paulo – sábado, 16/10/2010)
Monica Serra contou ter feito aborto, diz ex-aluna, por Mônica Bergamo (Folha de S.Paulo – 16/10/2010) – Um mês após a psicóloga Monica Serra, mulher do candidato à Presidência José Serra (PSDB), haver dito que a candidata Dilma Rousseff (PT), por já ter declarado ser contra a criminalização do aborto, é a favor de “matar criancinhas”, uma ex-aluna de Monica escreveu em seu Facebook que sua então professora contou em uma aula, em 1992, que fez um aborto quando estava no exílio com o marido. A colunista da Folha, Mônica Bergamo, tentou falar com Monica Serra durante dois dias para comentar esse relato, mas não teve sucesso.
Em carta, Dilma não promete veto a aborto (Folha de S.Paulo – 16/10/2010) – “Mensagem não atende exigência, feita por evangélicos, de barrar qualquer projeto para descriminalizar prática. Texto foi considerado ambíguo por igrejas e desagradou entidades do movimento gay por não rechaçar homofobia.”
Leia a nota “Mensagem da Dilma” na íntegra (Folha de S.Paulo – 16/10/2010)
A questão do aborto, por Antonio Cicero (Folha de S.Paulo – 16/10/2010) – “Se não me engano, algum tempo atrás Lula previu que, nas eleições deste ano, todos os candidatos à Presidência seriam de esquerda. De fato, os três mais votados candidatos do primeiro turno, logo, os dois do segundo, são considerados de esquerda. Serão mesmo? Pensaria o contrário quem, sem nada saber dos candidatos, visse as fotos diárias que a imprensa publica de cada um deles a assistir à missa; ou suas declarações de fé; ou suas confraternizações com pastores e políticos evangélicos; ou as promessas de obediência que fazem a líderes religiosos; ou suas renegações da proposta da descriminalização do aborto… (…) quem se opõe à descriminalização do aborto defende não a vida, como alega, mas sim uma crença religiosa segundo a qual nem o prazer sexual pode ser um fim em si mesmo nem o ser humano é dono de si próprio ou do seu corpo.”

(Folha de S.Paulo – 6ª feira, 15/10/2010)
Deus: uma regressão política, por Fernando de Barros e Silva (Folha de S.Paulo – 15/10/2010) – “A despeito das conquistas do país, a campanha hoje está sob o impacto de um intenso cerco conservador, sobretudo nos costumes.
Dilma parece disposta a fazer todas as concessões ao lobby religioso, o que é grave. Mas foi Serra quem arrastou esse cortejo do atraso para o centro da disputa política. Ao vestir a fantasia do neocarola, o tucano age mais ou menos como aqueles que acusavam FHC de ser ateu há um quarto de século.”
Eu fiz três abortos, por Antonio Carlos de Almeida Castro (Folha de S.Paulo – 15/10/2010) – “Sou católico e tive uma formação que cumpriu o rito das famílias católicas no Brasil. Por contingências da vida, em três diferentes oportunidades, com três parceiras distintas, há longo tempo, eu me vi impelido a encarar um aborto”, diz o advogado, que acrescenta: “Se os dois candidatos, que honram o Brasil com seus currículos, admitissem em conjunto e ao mesmo tempo essa tese, estariam tirando esta discussão do obscurantismo e projetando um pouco de luz nas trevas que caem e tornam opacas as vidas de tantos brasileiros. Homens e mulheres.”
Lula cita Deus e se diz vítima de mentiras (Folha de S.Paulo – 15/10/2010) – “Você não imagina a quantidade de vezes que eu tive que responder sobre aborto, sobre coisas que não eram da responsabilidade da Presidência”, afirmou o presidente Lula. “Diziam que eu ia fechar igreja evangélica, que eu ia fazer isso e aquilo”, declarou Lula.

(Folha de S.Paulo – 5ª feira, 14/10/2010)
Dilma estuda divulgar carta a religiosos (Folha de S.Paulo – 14/10/2010) – Diante da pressão de líderanças evangélicas, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, declarou que vai estudar a possibilidade de divulgar uma carta em que assumirá o compromisso de não modificar a atual legislação sobre o aborto e nem permitir o casamento de homossexuais, entre outros temas que são tabus para religiosos.
Para Gilberto Carvalho, candidata “evoluiu” sobre aborto (Folha de S.Paulo – 14/10/2010) – “É um processo de evolução dela nessa questão. (…) Não vejo contradição, mas evolução do pensamento. Ela, vendo a realidade do país, toma essa atitude…”, afirmou em entrevista Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Lula e um dos principais interlocutores do PT com a Igreja Católica.
Petistas criticam reacionarismo nas eleições (Folha de S.Paulo – 14/10/2010) – Tarso Genro, governador eleito do Rio Grande do Sul, comparou os ataques com viés religioso a Dilma Rousseff ao período pré-golpe de 1964, “quando os setores mais reacionários da igreja” levantavam o “fantasma do comunismo” para frear reformas sociais. Já o ministro Paulo Vannuchi, dos Direitos Humanos, comparou a situação brasileira à da Espanha, quando o juiz Baltasar Garzón foi suspenso por abrir investigação sobre os crimes do franquismo.
A favor ou contra?, por Contardo Calligaris (Folha de S.Paulo – 14/10/2010) – “Uma eleição é o pior momento para debater qualquer questão que seja. Numa eleição, as pessoas precisam ser a favor ou contra. (…) ninguém argumenta, cada um apenas reafirma abstratamente sua identificação: em ‘eu sou a favor’ e ‘eu sou contra’, o que mais importa é reforçar o ‘eu’.”
Liturgia de campanha, por Hélio Schwartsman (Folha de S.Paulo – 14/10/2010) – “Não deixa de ser um pequeno milagre: mesmo sem ter desempenhado papel determinante na votação presidencial, a religião ganhou momento e passou a definir a liturgia da campanha. (…) Utilizar absolutos na política -religiosos ou ideológicos- é ruim porque eles a descaracterizam como instância de mediação de conflitos. O remédio contra isso (…) é a separação Estado-igreja. É essa linha que fica meio borrada com a introdução da fé na corrida eleitoral.”

(Folha de S.Paulo – 4ª feira, 13/10/2010)
Serra diz que governo levou o tema aborto à campanha (Folha de S.Paulo – 13/10/2010) – “O candidato a presidente José Serra (PSDB) negou que o tema da religiosidade esteja sendo banalizado na campanha e afirmou ontem que foi o 3º PNDH (Plano Nacional de Direitos Humanos), patrocinado pelo governo federal, que levou o aborto a ser tema da campanha.”

(Folha de S.Paulo – 2ª feira, 11/10/2010)
Caso Erenice mudou mais votos que temas religiosos (Folha de S.Paulo – 11/10/2010) – “Escândalos pesaram 3 vezes mais entre eleitores de Dilma que mudaram de ideia. Segundo Datafolha, só 25% dos que iriam votar na petista mas alteraram a escolha o fizeram por questões religiosas.”
Aumenta a rejeição ao aborto no Brasil (Folha de S.Paulo – 11/10/2010) – “71% afirmam que legislação sobre o tema deve ficar como está e 7% apoiam a descriminalização, diz Datafolha.”
República Fundamentalista Cristã, por Vladimir Safatle (Folha de S.Paulo – 11/10/2010) – Um poder moderador vigia o debate político e impede que pautas de modernização social cheguem ao Brasil. (…) José Serra já havia dado a senha quando afirmou, em um debate, que legalizar o aborto seria uma ‘carnificina’. Que 15% das mulheres brasileiras entre 18 e 39 anos tenham abortado em condições indescritíveis, isto não era “carnificina’.”
Vai encarar?, por Luiz Felipe Pondé (Folha de S.Paulo – 11/10/2010) – “Sou contra o aborto. Sou da elite intelectual, PhD e pós-doc, falo línguas e escrevo livros. Vai encarar?
(…) E não me venham com ‘questão de saúde pública’. Esgoto é questão de saúde pública.”

(Folha de S.Paulo – domingo, 10/10/2010)
Obscurantismo, editorial (Folha de S.Paulo – 10/10/2010) – “Na corrida pelos votos, campanha eleitoral foca o tema do aborto por meio de subterfúgios, sem avançar com maturidade na discussão”, opina o jornal, que afirma: “Esta Folha considera que a legislação vigente deve ser flexibilizada, de modo a permitir que, já sofrendo numa circunstância evidentemente dramática e dolorosa, qualquer mulher possa interromper a gravidez sem que seja considerada criminosa por isto”.
Dilma e a fé cristã, por frei Betto (Folha de S.Paulo – 10/10/2010) – “Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade. Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo. (…) Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.”
Na porta de entrada, por Janio de Freitas (Folha de S.Paulo – 10/10/2010) – “Em uma República presente no século 21, a eleição de seu presidente reduz-se ao aborto, se crime ou não. (…) o fundamentalismo encontra no aborto o crime de homicídio na promessa de pessoa que é o feto. A vida acima de tudo. Não, porém, a vida da mulher que não quis ou nem pode ter o encargo de um filho e, entregue à solução única do aborto precário, perde a vida aos milhares e milhões. É vida de mulher, só.”
O debate do aborto, Miriam Cordeiro 2.0, por Elio Gaspari (Folha de S.Paulo – 10/10/2010) – “A infantaria do tucanato emburrece o debate, rebaixa a campanha e ofende a biografia dos beneficiários. (…) O aborto não é apenas uma questão de saúde pública, como a dengue. Trata-se de um conflito entre o direito do feto à vida e o direito da mulher à liberdade de interromper sua gravidez. (Sempre até o terceiro mês da gestação.)”
Valorização da vida?, por Gilberto Dimenstein (Folha de S.Paulo – 10/10/2010) – “A mulher não consegue se proteger por falta de apoio do poder público e/ ou desinformação. Engravida contra a própria vontade. É condenada a fazer um aborto nas piores situações possíveis, correndo riscos, por falta de um sistema digno de saúde. Depois, ainda é apontada como criminosa e pecadora. Uma das principais causas da evasão escolar é a gravidez na adolescência. Não quero ofender ninguém, mas isso me parece fazer maldades em nome de Deus.”
Juizes optam por aborto diante de gravidez indesejada, aponta estudo (Folha de S.Paulo – 10/10/2010) – Pesquisa da Unicamp é a primeira a retratar a opinião pessoal de juízes. Dos 207 entrevistados que tiveram parceiras que engravidaram “sem querer”, 79,2% abortaram.

(Folha de S.Paulo – sábado, 09/10/2010)
Deus, valores e defesa da vida marcam volta à TV (Folha de S.Paulo – 09/10/2010) – “Dilma e Serra levam religião aos primeiros programas depois do 1º turno. Propaganda tucana menciona aborto, e Lula diz que, como sua candidata, já foi vítima de boatos em campanha.”
Propaganda tucana resgata as “grávidas de Lula” de 2002 (Folha de S.Paulo – 09/10/2010) – Grávidas vestidas de branco, “simbolizando a vida e o futuro. Sim, o eleitor já viu esse filme. A sensação de déjà-vu suscitada pelo programa eleitoral de José Serra ontem remete a uma famosa peça criada em 2002 pelo marqueteiro Duda Mendonça para a campanha de Lula.”
Aborto não é questão de polícia, diz petista (Folha de S.Paulo – 09/10/2010) – A candidata do PT, Dilma Rousseff, declarou que, como presidente, não tratará as mulheres que fazem aborto como uma “questão de polícia”, mas como uma “questão de saúde”.
Bancada evangélica quer barrar o plano de direitos humanos (Folha de S.Paulo – 09/10/2010) – A bancada evangélica no Congresso já definiu sua prioridade: trabalhar contra a aprovação de propostas como a descriminalização do aborto e contra o PNDH-3 (Plano Nacional dos Direitos Humanos). “O fundamental é a revogação do PNDH-3”, diz Anthony Garotinho (PR-RJ), eleito deputado federal.
PT fará resposta de 8 minutos a fala de padre sobre aborto (Folha de S.Paulo – 09/10/2010) – O PT e a TV Canção Nova, ligada à Igreja Católica, fizeram acordo sobre direito de resposta contra sermão do padre José Augusto Souza Moreira, que disse que não poderia se “calar diante de um partido apoiando o aborto”.
“Discordo do meu candidato”, diz Soninha Francine na coluna de Mônica Bergamo (Folha de S.Paulo – 09/10/2010) – “Mas eu sou a favor da mudança da lei! Nesse ponto eu discordo do meu candidato.”

(Folha de S.Paulo – 6ª feira, 08/10/2010)
Usque tandem, Brasil?, por Barbara Gancia (Folha de S.Paulo – 08/10/2010) – “Há quantos anos discute-se o aborto no país? Não é possível que ainda estejamos estacionados no patamar do estigma religioso. Vai levar quanto tempo, quanto sofrimento e quantos filhos indesejados que entram para a criminalidade antes que a conversa vire assunto de interesse da saúde pública?”

(Folha de S.Paulo – 5ª feira, 07/10/2010)
Leitores protestam pelo uso eleitoral da questão do direito ao aborto (Folha de S.Paulo – 07/10/2010) – O Painel do Leitor da Folha publicou cartas que expressam indignação pelo uso eleitoral da questão do direito ao aborto e sua descriminalização.

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