Como O Estado de S. Paulo cobriu o tema do aborto nas eleições

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(O Estado de S. Paulo – 4ª feira, 03/11/2010)
Filhos indesejados, por Antonio Cláudio Mariz de Oliveira (O Estado de S.Paulo – 03/11/2010) – “
Como a questão do aborto, durante a campanha eleitoral, veio para o palco dos debates, os candidatos poderiam tê-la colocado para a reflexão da sociedade, emprestando-lhe profundidade e abrangência. Perderam, no entanto, excelente oportunidade de dar à sociedade elementos aptos para discutir o árido tema com serenidade e isenção, afastando o alto grau de desconhecimento, preconceito e radicalismo que sempre pairou sobre o assunto. Foram extremamente parcimoniosos, pois se limitaram a colocar o problema como sendo de saúde pública. Argumento reducionista e que não satisfaz, pois tenta apenas simplificar e deslocar o tema sem enfrentá-lo”, escreve o advogado criminalista.

Bolso prevalece sobre aborto, internet e o papa, por José Roberto de Toledo (O Estado de S. Paulo – 31/10/2010) – “O fator religioso, responsável por levar a eleição ao segundo turno, foi neutralizado nesta reta final. Com o tema do aborto interditado para ambos os candidatos, boa parte dos eleitores religiosos que haviam abandonado a candidatura de Dilma voltou a declarar voto nela. A petista chega à eleição com 55% de apoio entre os católicos, contra 39% do adversário. Nem a pregação do papa Bento XVI contra candidatos que defendem o aborto, usada pela campanha de Serra no rádio, fez cair a intenção de voto de Dilma entre os fiéis da Igreja.”
A mais religiosa de todas as campanhas (O Estado de S. Paulo – 31/10/2010) – “Por pressão principalmente das igrejas, questões como o aborto e a união estável homossexual ganharam este ano relevância nunca vista em eleições anteriores.”

(O Estado de S. Paulo – sábado, 30/10/2010)
Brasil é Estado laico, diz Lula sobre fala do papa (O Estado de S. Paulo – 30/10/2010)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não viu novidade e minimizou a influência da declaração do papa Bento 16, que condenou o aborto e conclamou os bispos brasileiros a orientarem o voto dos fiéis católicos. “Eu não vi nenhuma novidade na declaração do papa. Esse é o comportamento da Igreja Católica desde que ela existe”.
Líderes religiosos são a favor de orientar fiéis (O Estado de S. Paulo – 30/10/2010)
Igreja não tem posição partidária, diz CNBB (O Estado de S. Paulo – 30/10/2010)

(O Estado de S. Paulo – 6ª feira, 29/10/2010)
Papa repele aborto e diz que é dever de bispos orientar fiéis em matéria política (O Estado de S. Paulo – 29/10/2010) – Embora não tenha feito referência direta às eleições brasileiras, a mensagem do papa teve endereço certo: “Como os bispos apresentam relatórios sobre problemas de suas dioceses, é provável que tenham levantado a questão do aborto”, explicou o cardeal d. Geraldo Majella Agnelo, arcebispo e Salvador, que considerou oportunas as palavras do papa, admitindo que elas têm relação direta com o momento eleitoral.
Serra elogia fala do papa, que Dilma respeita (O Estado de S. Paulo – 29/10/2010) – 
“Mas, enquanto tucano chama Bento 16 de ‘guia espiritual muito importante’, candidata petista critica o rival por campanha ‘por baixo do pano'”, diz a reportagem do Estadão, que também falou com a coordenação da campanha de Dilma Rousseff, para quem as manifestações do papa não irão atrapalhar a candidatura da petista. “Chegaram tarde demais. Hoje esse é um debate superado”, disse o secretário de Comunicação do PT, André Vargas.
Aborto marcou a agenda Brasil-Santa Sé (O Estado de S. Paulo – 29/10/2010) –  Em reuniões com bispos brasileiros e em encontros com embaixadores e ministros do país, o Vaticano sempre deixou claro que não quer ver a maior nação católica do mundo aprovando leis para permitir o aborto.

(Estadão.com – 5ª feira, 28/10/2010)
Papa condena aborto e pede a bispos do Brasil que orientem politicamente fiéis (Estadão.com – 28/10/2010) – Sem citar diretamente as eleições presidenciais de domingo, o papa Bento 16 conclamou um grupo de bispos brasileiros a orientar politicamente fiéis católicos. “Quando projetos políticos contemplam aberta ou veladamente a descriminalização do aborto, os pastores devem lembrar os cidadãos o direito de usar o próprio voto para a promoção do bem comum”, afirmou o papa em reunião em Roma com bispos maranhenses.

(O Estado de S. Paulo – 2ª feira, 25/10/2010)
Aborto, por Denis Lerrer Rosenfield (O Estado de S. Paulo – 25/10/2010) – “
O aborto, por envolver um conflito tão explícito de princípios, implicando, ademais, consequências para as mulheres que, de uma ou outra maneira, já optaram, não pode ser decidido no calor de um embate eleitoral. Exige a serenidade do pensamento, do exercício da racionalidade”, escreve o professor de Filosofia da UFRGS.  
‘Evangelho da vida foi o vencedor’, diz bispo (O Estado de S. Paulo – 25/10/2010) – “Daqui por diante, qualquer líder político, nos cargos executivos ou legislativos, seja no nível municipal, estadual ou federal, quando for tratar dessa matéria que tange a defesa ou a destruição da vida, dar-se-á conta de que agora há no Brasil um povo que tem uma opinião solidamente formada sobre o assunto”, alerta d. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo da Diocese de Guarulhos, em carta de três páginas que mandou ler a todos os fiéis nas missas celebradas em 36 paróquias.
Edir Macedo pede ‘iluminação’ às pessoas na hora do voto (O Estado de S. Paulo – 25/10/2010) – A
matéria principal do jornal Folha Universal, distribuído no fim de semana nos cultos da Igreja Universal, afirma que a Igreja Católica está tentando interferir nas eleições brasileiras “tomando parte em uma campanha agressiva contra a candidata à presidência da República Dilma Rousseff (PT)”. O jornal também acusa os responsáveis pela campanha do candidato José Serra (PSDB) de radicalizar a discussão religiosa para angariar votos.

(O Estado de S. Paulo – domingo, 24/10/2010)
Bispo diz que ”PT é o partido da morte” (O Estado de S. Paulo – 24/10/2010) – “‘O PT é o partido da mentira, o PT é o partido da morte’, afirmou ontem d. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo diocesano de Guarulhos, na Grande São Paulo. ‘O PT descrimina o aborto, aceita o aborto até o nono mês de gravidez. Isso é assassinato de ser humano que não tem nem o direito de se defender’.”

(O Estado de S. Paulo – 6ª feira, 22/10/2010)
CNBB afirma que aborto é ‘inegociável’ (O Estado de S. Paulo – 22/10/2010) – “Entidade, que comemora volta ao centro do debate político, escolhe temas de destaque na eleição para campanha da fraternidade. (…) D. Geraldo destacou que a Igreja quer discutir na campanha da fraternidade não apenas o aborto e a eutanásia, ‘mas todo o desdobramento sagrado da vida’.”

(O Estado de S. Paulo – 5ª feira, 21/10/2010)
Para Boff, campanha é a pior da história (O Estado de S. Paulo – 22/10/2010) – “A questão foi ilegitimamente suscitada pela oposição porque ela não tinha alternativa a apresentar ao debate”, acentuou. “Apresentou tema altamente emocional, que atinge as classes populares, que são muito religiosas e muito moralistas, e transformou o aborto em espécie de plebiscito.”

(O Estado de S. Paulo – 4ª feira, 20/10/2010)
Cúpula da CNBB discute nota contra a petista (O Estado de S. Paulo – 20/10/2010) – Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Lula pediu a mediação de d. Geraldo Lyrio Rocha, presidente da conferência, para conter a campanha de bispos e padres católicos contra a candidata Dilma Rousseff.
Ato na PUC defende Dilma e critica uso de religião na campanha (O Estado de S. Paulo – 20/10/2010) – Em ato de apoio de juristas e intelectuais à presidenciável Dilma Rousseff (PT) realizado no teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, líderes religiosos como o padre Júlio Lancellotti e Frei Beto criticaram o estímulo ao debate sobre aborto e união civil homossexual durante a campanha eleitoral.

(O Estado de S. Paulo – 3ª feira, 19/10/2010)
No ‘JN’, petista é obrigada a falar de aborto (O Estado de S. Paulo – 19/10/2010) – “Em entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo, ontem, a candidata Dilma Rousseff (PT) voltou a definir-se contra o aborto mas afirmou que ‘um presidente da República não pode fingir que não existem 3,5 milhões de mulheres que recorrem ao aborto, em situação muito precária’.  (…) Dilma afirmou ainda que ‘há muita confusão’ no debate sobre o aborto e rejeitou a ideia – sugerida pelo apresentador William Bonner – de que foi a sua mudança de posição que lhe tirou votos e levou ao segundo turno. Definiu-se de novo, como cidadã, contra o aborto mas lembrou que, como presidente, ‘você não pode prender essas mulheres. Se trata de cuidar delas.’ E sustentou que não fez nenhuma ‘concessão excessiva aos religiosos’ ao prometer não mexer na legislação sobre o assunto.”

(O Estado de S. Paulo – 2ª feira, 18/10/2010)
Bispo afirma que é legítimo distribuir texto (O Estado de S. Paulo – 18/10/2010) – “O documento é legítimo e não se enquadra nos casos que a CNBB tem falado de textos não autorizados. Não é falso, contém fatos e é a expressão legítima da cidadania democrática”, afirmou o bispo de Lorena, d. Benedito Beni dos Santos, ao defender a distribuição do folheto antipetista apreendido pela Polícia Federal na gráfica do Cambuci (SP).
Dilma e o aborto, por Carlos Alberto Di Franco (O Estado de S. Paulo – 18/10/2010) – “
O brasileiro é contra o aborto. Não se trata apenas de uma opinião, mas de um fato medido em inúmeras pesquisa de opinião. Por isso Dilma foi para o segundo turno. A legalização do aborto seria, hoje e agora, uma ação nitidamente antidemocrática. E isso, queiram ou não os petistas, está na agenda da próxima eleição.”

(O Estado de S. Paulo – domingo, 17/10/2010)
Polêmica do aborto faz bispos racharem 
(O Estado de S. Paulo – 17/10/2010) – “A discussão da questão do aborto na campanha eleitoral, que está dividindo os católicos por causa do veto de alguns bispos à candidata petista Dilma Rousseff, provocou um racha no episcopado em nível nacional e deverá deixar sequelas na vida da Igreja e poderá ter reflexos na eleição da CNBB, seja qual for o resultado do segundo turno, em 31 de outubro.” [Acesse no link acima trechos das mensagens com troca de acusações entre os bispos d. Bergonzini e d. Demétrio.]
Mais aborto, menos Erenice, por João Bosco Rabello (O Estado de S. Paulo – 17/10/2010) – “
É apenas por estratégia que o PT mantém o candidato do PSDB, José Serra, como mentor da “guerra santa” que tomou conta do debate entre os candidatos. Sabe o partido que a origem da discussão está no Plano Nacional dos Direitos Humanos (PNDH-3), que por defender a descriminalização do aborto gerou uma reação religiosa. (…) Se de um lado o episódio impõe o presente esforço da candidata pela desconstrução da imagem de defensora do aborto, por outro serviu ao PT para tirar da pauta da campanha, nos últimos 12 dias, o caso Erenice Guerra, cuja extensão é bem maior do que o tráfico de influência familiar na Casa Civil – que ainda subtrai votos da candidata.”
A moral especulativa, por Gaudêncio Torquato (O Estado de S. Paulo – 17/10/2010) – “Desconsiderar a gravidade da situação por que passam milhares de brasileiras ou tentar escamotear o tema, deixando-o à margem das questões nacionais, constitui um gesto de desonestidade cívica. (…) A verdade é que de uns tempos para cá o aborto ganhou um foro extremamente emocional, e mais, passou a ser pautado por uma ótica exclusivamente religiosa. (…) Uma coisa é defender políticas públicas de apoio à saúde da mulher, outra coisa é procurar disfarçar o debate franco e objetivo em torno da questão com apelos e mensagens subliminares que induzem o eleitor a imaginar determinados candidatos como a encarnação de Belzebu.”  

(O Estado de S. Paulo – sábado, 16/10/2010) 
Sob pressão de religiosos, Dilma lança carta-compromisso contra o aborto (O Estado de S. Paulo – 16/10/2010) – “Objetivo do documento divulgado pela candidata petista ao Planalto é, segundo ela, pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos dos adversários; o texto, porém, evita entrar no debate sobre casamento entre homossexuais e faz promessas genéricas.”
Para bispo, não é hora de discutir a questão (O Estado de S. Paulo – 16/10/2010) – “O bispo de Assis, d. José Benedito Simão, designado como um dos dois porta-vozes da Assembleia das Igrejas Particulares do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disse ontem que o governo Lula fomentou a discussão sobre aborto em um momento impróprio e que não é interesse da Igreja discutir o assunto nesta época. (…) ‘Não é a melhor época para discutir essa questão (aborto). E se a Dilma é católica, não católica, se ela é da Igreja, não é a questão’, afirmou d. Simão, acrescentando que a questão religiosa fica muito centralizada e não é para acontecer assim.”
Ministério prorroga contrato de estudo para ”despenalizar” prática (O Estado de S. Paulo – 16/10/2010) – “O Ministério da Saúde publicou em 4 de outubro, um dia depois do primeiro turno, a prorrogação de um convênio que estuda mudanças na sua legislação. O projeto, segundo o contrato publicado no Diário Oficial da União, chama-se Estudo e Pesquisa – Despenalizar o Aborto no Brasil.” O Ministério da Saúde contratou a Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, que faz parte do Grupo de Estudo sobre o Aborto, que reúne entidades civis com o objetivo de debater o tema com o Executivo, o Judiciário e o Legislativo.

(O Estado de S. Paulo – 6ª feira, 15/10/2010) 
Dilma resiste a assinar manifesto antiaborto (O Estado de S. Paulo – 15/10/2010) – Reportagem do Estadão apurou que: “a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, resiste a assinar uma carta assumindo o compromisso de não enviar ao Congresso projetos de lei que permitam a legalização do aborto e o casamento entre homossexuais. Evangélicos que se encontraram com ela e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira, porém, cobram a promessa por escrito”.
A caça ao voto religioso, editorial (O Estado de S. Paulo – 15/10/2010) – [Com a assinatura de Dilma Rousseff em manifesto religioso], “os pastores simpáticos ao governo terão algo palpável para apaziguar os seus fiéis. Eles representam pelo menos 25 milhões de votos. Completou-se assim a inevitável capitulação de Dilma ao que o ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, define como ‘momento medieval do processo eleitoral brasileiro'”, opina o Estadão.
Temer vai à CNBB para explicar posição da presidenciável do PT (O Estado de S. Paulo – 15/10/2010) – O candidato à Vice-Presidência Michel Temer (PMDB) procurou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) “para reafirmar a posição da petista contrária ao aborto. Para Temer, a discussão em torno do aborto foi útil para que tanto Dilma quanto o candidato do PSDB, José Serra, colocassem suas posições. Mas o debate sobre o tema, insistiu, está ‘bloqueando’ o embate de ideias na campanha. ‘Não se pode ficar só nesse tema. É preciso ampliar o discurso'”, afirmou Temer.
Religiosos lançam documento de apoio à candidata petista (O Estado de S. Paulo – 15/10/2010) – “Encabeçado por sete bispos, entre eles d. Thomas Balduíno, bispo emérito de Goiás Velho (GO) e presidente honorário da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foi divulgado ontem um manifesto de ‘cristãos e cristãs evangélicos e católicos em favor da vida e da vida em abundância’, que contava com mais de 300 adesões de religiosos e fiéis. (…) O texto diz que, ‘para o projeto de um Brasil justo e igualitário’, a eleição de Dilma ‘representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra’.”
Não é só o aborto, a vida está em volta, por Washington Novaes (O Estado de S. Paulo – 15/10/2010) – “Parece pouco realista a discussão (…) baseada no pressuposto de que as posições dos dois candidatos à Presidência da República a respeito do aborto – e suas repercussões nas áreas de eleitores evangélicos e católicos – serão o fator determinante para a transferência, no segundo turno, de votos dos que escolheram a terceira candidata, Marina Silva, no primeiro turno. Também parece pouco fundamentada a visão dos que se surpreenderam com o volume de votos obtido no primeiro turno por uma candidatura ‘ambientalista’. São visões que minimizam a importância que boa parte do eleitorado e da sociedade já confere às questões vistas por esse ângulo. E que já estavam patentes há algum tempo, pelo menos desde a reunião da Convenção do Clima em Copenhague, em dezembro”, escreve o jornalista.

(O Estado de S. Paulo – 5ª feira, 14/10/2010)  
Dilma promete a igrejas vetar teses históricas do PT (O Estado de S. Paulo – 14/10/2010) – “
Na luta para garantir o voto dos eleitores evangélicos, a candidata do PT, Dilma Rousseff, comprometeu-se a vetar questões polêmicas previstas no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que foi montado dentro do próprio governo.”

Líderes religiosos temem ‘falta de tempo’ para desmentidos (O Estado de S. Paulo – 14/10/2010) – Lideranças evangélicas que se reuniram com Dilma Rousseff apontaram a “falta de tempo” para controlar o impacto das informações sobre a posição da candidata petista sobre temas como aborto e casamento de homossexuais. Os religiosos discordam da análise do instituto Datafolha, de que as denúncias contra a ex-ministra Erenice Guerra e a quebra de sigilo de tucanos tiveram peso quase três vezes maior na perda de votos de Dilma do que as questões religiosas.
Regional da CNBB revê texto que divide católicos (O Estado de S. Paulo – 14/10/2010) – Bispos irão discutir em assembleia documento que recomenda voto em candidatos não favoráveis ao aborto. O presidente do Regional Sul 1 da CNBB, d. Nelson Westrupp, bispo de Santo André, informou que desautorizou a divulgação de uma nota assinada por ele condenando o voto em candidatos favoráveis ao aborto.
Maioria cativa, por Dora Kramer (O Estado de S. Paulo – 14/10/2010) – “
Os líderes religiosos exigem de Dilma praticamente um rompimento público com causas caras ao PT – casamento entre homossexuais e descriminalização do aborto, entre outras – quando pedem que ela divulgue uma carta aberta se comprometendo a não mexer com esses assuntos. Se for preciso, o partido aceitará calar até a eleição, mas é difícil acreditar que aceite a situação, uma vez ganha a Presidência. Inclusive porque é o presidente do PT quem chama de “medieval” o debate dos temas de caráter religioso.”

(O Estado de S. Paulo – 4ª feira, 13/10/2010)  
Debate religioso não afeta Estado laico, diz tucano (O Estado de S. Paulo – 13/10/2010) – Em visita à Basílica de Aparecida (SP), o candidato José Serra disse que a questão do aborto foi trazida pela ‘sociedade’ e negou que debate em torno do tema seja estratégia eleitoral. Serra afirmou não achar “nada de estranho” em discutir sobre religiosidade na eleição, e disse que o assunto não “macula” o Estado brasileiro, que é laico.
Buraco é mais em cima, por Dora Kramer (O Estado de S. Paulo – 13/10/2010) – “
Pesquisa do Datafolha mostrou a quase irrelevância da questão do aborto sobre o comportamento do público em geral na hora de votar. (…) Segundo o instituto, três em cada quatro pessoas deixaram de votar na candidata do PT por causa das denúncias de tráfico de influência na Casa Civil e apenas uma em cada quatro teria sido influenciada pela religião.”

(O Estado de S. Paulo – domingo, 10/10/2010)  
Dilma garante que não vai liberar o aborto (O Estado de S. Paulo – 10/10/2010) – “Em visita a entidade que atende gestantes carentes, petista diz que assunto deve ser tratado não como caso de polícia, mas de assistência social. (…) ‘Minha proposta é maior apoio à mulher pobre para que não tenha medo que a obrigue a chegar a esse ponto, a eliminação da vida’, afirmou. ‘Hipocrisia é fingir que não vê que isso acontece em todos os bairros pobres desse País’.”
Eleição mostra influência das igrejas (O Estado de S. Paulo – 10/10/2010) – “Antes de os temas morais e religiosos ‘invadirem’ a campanha, os candidatos foram atrás do voto religioso, lembram analistas”. “Serra, de uma certa maneira, foi vacinado contra a propaganda viral dos grupos anti-aborto em 2002, quando disputou a presidência pela primeira vez. Naquela campanha, ele percebeu que seria prejudicado pela informação de que tinha, como ministro da Saúde (1998-2002), implantado no Sistema Único de Saúde (SUS) procedimentos de aborto previstos na lei – em casos de estupro e risco de vida para a gestante. Além disso, o SUS começou a distribuir a pílula do dia seguinte, considerada abortiva pelos conservadores. Serra passou então a declarar-se contrário à descriminalização do aborto, que segundo ele levaria a uma ‘carnificina’.”
Dilma muda discurso para melhorar imagem (O Estado de S. Paulo – 10/10/2010) – “Tratar aborto como uma questão de saúde pública é visão majoritária dentro do PT e entre os intelectuais. (…) A candidata do PT lançou em agosto uma ‘Carta ao Povo de Deus’, o equivalente moral da ‘Carta ao Povo Brasileiro’ – com que Lula procurou dissipar, em 2002, os temores de que ele poria a perder a estabilidade econômica. Nela, Dilma (como Marina) também lava as mãos, transferindo a decisão sobre o aborto e os homossexuais para o Congresso. Quatro dias antes do primeiro turno, ela reuniu 27 líderes católicos e evangélicos para desmentir que tivesse dito que ‘nem Jesus Cristo tiraria sua vitória’, como circulava na internet. A rede espalha boatos ainda mais extravagantes, como o de que seu vice, Michel Temer, praticaria o ‘satanismo’, e faria o câncer de Dilma voltar, para assumir a presidência.”
Religiosos demonstraram sua força (O Estado de S. Paulo – 10/10/2010) – “Para analistas, voto em Marina foi estratégico e serviu para as igrejas exibirem seu peso eleitoral e imporem suas agendas no 2º turno. (…) A importância dada aos temas religiosos nessa eleição é vista com espanto por muitos, mas na verdade esses temas sempre foram e continuam sendo caros aos brasileiros. Em 1985, num caso clássico, a dificuldade do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, então candidato a prefeito de São Paulo, de responder a uma pergunta sobre se acreditava em Deus, contribuiu para sua derrota.”
Igrejas assumem papéis que seriam do Estado (O Estado de S. Paulo – 10/10/2010) – “a periferia, onde a oferta de serviços públicos é muito precária, grupos religiosos dão assistência à população mais carente. (…) Na medida em que os serviços básicos, como educação e saúde, são precários e não atendem a todos, os políticos têm poder sobre os gestores das escolas e dos hospitais, para escolher quem terá direito ao atendimento. E trocam o acesso ao serviço por votos. É o chamado clientelismo. Muitas igrejas fazem o mesmo com seus fiéis. (…) A igreja, diz a especialista Maria das Dores Campos Machado, não é apenas um lugar para atender suas necessidades espirituais: é uma rede social, que lhes proporciona lazer, amizades, contatos para empregos e informação sobre tudo – incluindo em quem devem ou não votar.” 
O aborto além da vida, por Rafael Mafei Rabelo Queiroz (O Estado de S. Paulo – 10/10/2010) – “O direito a viver tem previsão constitucional, é cláusula pétrea e fundamentaria, em última instância, a ampla restrição ao direito de abortamento. Mas com seres humanos as coisas não são tão simples”, escreve Rafael Queiroz, doutor em Direito, que lembra que “no Brasil, na decisão da Adin 3510 (Lei de Biossegurança), o STF reconheceu a distinção entre embrião, feto e pessoa: ‘As três realidades não se confundem: o embrião é o embrião, o feto é o feto e a pessoa humana é a pessoa humana. Donde não existir pessoa humana embrionária, mas embrião de pessoa humana’.”

(O Estado de S. Paulo – sábado, 09/10/2010)
Serra e Dilma dão largada na TV apelando para discurso religioso (O Estado de S. Paulo – 09/10/2010) – Os primeiros programas de TV dos presidenciáveis no segundo turno mostram suas estratégias. Diz o Estadão: “Enquanto o programa de Dilma optou por mensagens veladas, vendendo a candidata como ‘mulher honesta, que respeita a vida e as religiões’, o filmete de Serra foi enfático: ‘Este é José Serra, o homem que nunca se envolveu em escândalos e que sempre foi coerente, que sempre foi contra o aborto e defendeu a vida.’ Fé e religião deram o tom dos discursos de ambos.”
Com ”guerra santa” candidatos definem o tom da reta final, análise de Marcelo de Moraes (O Estado de S. Paulo – 09/10/2010) – “Com pouco mais de três semanas até a escolha do próximo presidente e com peso para influenciar no resultado, essa ‘guerra santa’, provocada pela discussão em torno da legalização do aborto, será o centro da disputa.”
CNBB libera bispos para fazer debate do aborto (O Estado de S. Paulo – 09/10/2010) – “Segundo secretário-geral da entidade, d. Dimas Lara Barbosa, eles têm ‘o direito e o dever de orientar seus fiéis sobre temas da fé e da moral cristã’. (…) Sites ligados à Igreja Católica divulgaram informação atribuída ao jornal Valor Econômico de que o Planalto pediu aos bispos da CNBB o fim das hostilidades e comunicou que o governo poderia reavaliar o acordo com o Vaticano. (…) A crise envolvendo a Igreja Católica e o Planalto vai além do tema do aborto, dizem representantes da CNBB. Os bispos se sentem desprezados pelo governo, que estaria dando atenção para lideranças evangélicas.”
Dilma condena aborto, mas diz não fechar os olhos (O Estado de S. Paulo – 09/10/2010) – “Dilma Rousseff (PT) falou abertamente ontem sobre o tema aborto para uma plateia de militantes e aliados. A petista disse ser pessoalmente contra o aborto, mas afirmou que, caso seja eleita presidente, não permitirá que mulheres pobres e adolescentes sejam abandonadas pelo Estado.”
Petista promete ficar fora de debate sobre homofobia (O Estado de S. Paulo – 09/10/2010) – “Em encontro com líderes evangélicos no Rio, Dilma tenta se desvincular de mais um assunto polêmico.”

(O Estado de S. Paulo – sábado, 09/10/2010)
Aborto repete efeito da discussão de 2006 sobre privatizações (O Estado de S. Paulo – 07/10/2010) – O jornalista Marcelo de Moraes analisa a campanha eleitoral. Compara a situação passada por Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições de 2006, onde o assunto privatização deu o tom da disputa eleitoral, com a situação atual vivida por Dilma Rousseff (PT) com o assunto legalização do aborto.
”Mistificação em torno do aborto é calhordice”, diz Ciro Gomes (O Estado de S. Paulo – 07/10/2010) – “O Brasil tem uma
tradição que o mundo inteiro admira, que é a tolerância religiosa, é o Estado laico. Aí a imundície está tomando conta, essa coisa do ódio religioso, da intolerância trazida para a política.”
Rede pública pode interromper gravidez após estupro desde 98 (O Estado de S. Paulo – 07/10/2010) 
Nem mesmo igrejas cristãs têm unidade de posição sobre aborto (O Estado de S. Paulo – 07/10/2010)

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