Entrega de repelente a grávidas que governo prometeu não sai do papel

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Nove meses depois da promessa, ninguém recebeu nada do governo.
Repelente de graça agora – quem sabe – no verão.

(Bom Dia Brasil, 18/10/2016 – Acesse no site de origem) 

Nove meses depois da promessa de distribuir repelentes de graça para as grávidas, até agora ninguém recebeu nada do governo. O pior é que o calorão e a chuva estão de volta e, junto com eles, reaparece o mosquito que transmite a zika. E a zika está associada a um problema sério para as grávidas, que é a microcefalia, doença grave que afeta os bebês.

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Repelente de graça até agora, nada. Quem sabe no verão.

E a demora para a entrega do repelente é grave, porque o número de casos de microcefalia vem aumentando. O governo diz que foi preciso mudar o processo de compra porque só contava com um fornecedor de repelente, que não daria conta de entregar a quantidade necessária.

Nove meses. O tempo de uma gravidez. Nove meses. O tempo da promessa do governo. O então ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse, em janeiro, que compraria repelentes para distribuir de graça.

“E a nossa expectativa é que proximamente nós estaremos distribuindo esses repelentes para todas as gestantes do Bolsa Família”, disse, na ocasião, Marcelo Castro.

Só que nenhuma recebeu. Rosiane Souza Lima escuta das médicas que tem que usar.

“Elas recomendam por causa do zika dos bebês que nascem com microcefalia, elas dizem que importante passar, mas eles mesmo não dão”, reclamou Rosiane. Ela comprou, com dificuldade.

“A gente já gasta com tanta coisa, tanto remédio caro que a gente tem que comprar”, disse.

Além do anúncio no início do ano, em abril foi editado um decreto confirmando a distribuição dos repelentes. O governo mudou. O ministro também. Estamos em outubro e agora a previsão é de que essa distribuição só comece daqui a um mês e meio, no início de dezembro.

“A demora foi porque precisamos inovar a sistema de compra. Quando iniciamos o processo, em fevereiro, de compra, nenhum fornecedor brasileiro podia fornecer todo o volume”, disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

De um lado, burocracia. De outro, avanço, sabe de quê? Dos casos de bebês com microcefalia. São 2033 confirmados até 8 de outubro, último boletim oficial. A maioria em Pernambuco. Morreram 170 em todo o país.

O filho da autônoma Regina Duarte vai nascer em novembro, antes da chegada do repelente:

“A gente tem medo, né, qual a mãe que não tem medo dessas doenças que estão aí no mundo? A mãe tem que se prevenir, se o governo não dá, né, a gente tem que correr atrás, né”, disse Regina.

E só faltam dois meses para o verão, quando costuma ter calor e chuva. Prato cheio para o Aedes aegypti, que transmite zika, febre chikungunya e a velha conhecida dengue.

E Brasília, o número de casos de dengue quase dobrou do ano passado para cá. Pulou de 9.300 para 17.400 em 2016.

A Secretaria de Saúde disse que não tem uma explicação precisa sobre o aumento. Fala que o pico foi entre fevereiro e março, período bastante chuvoso.

A força-tarefa que começaria em dezembro foi antecipada para o fim deste mês. Mas o governo do Distrito Federal também não tem ajudado. No depósito da Polícia Civil, carro abandonado. No Detran, vidro aberto, carroceria exposta Aí, não tem jeito.

Saber o que fazer o pessoal até sabe, o negócio é que tem fazer…

“Se eu tirar o lixo do meu terreno, da minha casa, o vizinho do lado tem que fazer o mesmo, e o próximo tem que fazer o mesmo, é uma corrente”, afirmou a manicure Marilene Rocha.

O ministro da Saúde disse que tem R$ 300 milhões reservados para a compra de repelentes que serão distribuídos em um ano. Dinheiro tem, só precisa entregar o repelente.

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