Mais de três mil leitos de obstetrícia são extintos em três anos no Brasil

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(G1, 28/07/2014) Uma preocupação nacional: o fechamento de maternidades pelo país. Em três anos, 3,4 mil leitos públicos de obstetrícia foram extintos. O levantamento é do Conselho Federal de Medicina com base em dados do Ministério da Saúde. E aponta que essa foi uma das especialidades mais atingidas pelos cortes feitos nos hospitais.

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A situação se repete na rede particular. Muitas maternidades mudaram de ramo. Tem maternidade tradicional fechando as portas. É o caso da maternidade do Hospital Santa Catarina, na Avenida Paulista, onde nasceram milhares de paulistanos. E por todo o país, maternidades que também atendem pelo SUS dizem que não conseguem mais manter o serviço.

O Lucas só vai saber disso daqui a alguns anos, mas ele será uma das últimas crianças a nascer na maternidade do Hospital Stella Maris, em Guarulhos.

“Vai ficar triste, vai ser uma maternidade a menos”, disse a mãe de Lucas.

Dona Anísia e a filha, funcionárias do hospital, também ficaram tristes com a notícia do fechamento da maternidade.

“Eu fico muito sentida, porque faz 31 anos que eu sirvo aqui a maternidade”, contou Anísia Maria Vitoriano, copeira.

“Eu nasci aqui. Tive meu filho aqui. Meu filho tem 14 anos de idade. Então eu também tenho uma história aqui dentro do hospital”, revelou Maria José Vitoriano dos Santos, faturista.

Em média, são feitos 150 partos por mês na maternidade. A maioria pelo SUS.

O fechamento da maternidade tem data marcada: 1º de agosto. Tem até uma faixa na entrada avisando às pacientes. A administração diz que o motivo é financeiro e que o repasse que o hospital recebe da prefeitura e do SUS é insuficiente para manter a maternidade aberta.

“O hospital tem uma despesa, um custo com esse serviço em torno de R$700 mil por mês e uma receita que gira em torno de R$ 200 mil. Então, é uma situação que a conta não fecha”, afirmou Ronaldo Rafael de Oliveira, diretor-geral do Hospital Stella Maris.

Com o fechamento da maternidade, o hospital diz que vai investir em serviços de alta complexidade, que darão mais lucro ao hospital.

Em São Paulo, outra maternidade, a do Hospital Santa Catarina, também está com os dias contados. Os partos serão feitos até o dia 31 de outubro. O hospital atende, principalmente, pacientes de convênios e particulares.

O mesmo problema é verificado em outros estados. Em Campos, no interior do Rio, a maternidade da Santa Casa, que contava com 30 leitos, está fechada desde o último fim de semana. O espaço vai ser usado para atender outras especialidades. A pediatria também foi desativada. Os funcionários foram transferidos para outras alas. A direção diz que o maior problema é a falta de pediatras.

“O nosso caso, por exemplo, fundamentalmente é a falta de profissional. Estamos amargando há mais de ano um prejuízo mensal e que chegou a mais R$ 80 mil nos últimos meses”, destacou Benedito Marques, provedor da Santa Casa de Campos-RJ.

Outra maternidade, a da Santa Casa de Belo Horizonte, ameaça fechar as portas até setembro. O espaço conta hoje com 79 leitos, sendo 20 de UTI Neonatal. O hospital alega que os recursos repassados pelo SUS não são suficientes para cobrir o custo operacional da instituição.

Para o diretor da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, os hospitais não podem analisar a maternidade apenas como um negócio.

“Eu acho que precisa haver um esforço para que essa atividade, que é vital para saúde pública, ela seja mantida e que recursos sejam aportados para que essa atividade não continue eternamente deficitária, fazendo com que empresários do ramo hospitalar entendam que o único caminho seria o fechamento dessas unidades”, disse César Eduardo Fernandes, diretor científico da Sogesp.

A Secretaria de Saúde de Guarulhos informou que outras maternidades do município vão atender as gestantes. E disse que a prefeitura repassa mensalmente ao Hospital Stella Maris R$ 400 mil, além da verba SUS, que é de R$ 2 milhões.

O Ministério da Saúde afirma que, nos últimos três anos, repassou R$ 3,3 bilhões a mais para estados e municípios. Verba que seria para o fortalecer a assistência a gestantes e bebês. Afirma ainda, que a organização dos serviços é responsabilidade dos gestores locais.

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