Mulheres precisam ser ouvidas no combate ao zika, diz agência das Nações Unidas

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(ONU Brasil, 14/04/2016) Para ONU Mulheres, é necessário entender as necessidades e garantir os direitos das mulheres, mais afetadas pelo surto do vírus no país. Para o UNFPA, a crise é uma oportunidade de tratar temas como autonomia sexual e reprodutiva.

É necessário ouvir as mulheres, entender suas necessidades e garantir seus direitos para determinar as ações tomadas no combate ao surto do vírus zika no país, disse a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, às vésperas de evento organizado por três agências das Nações Unidas em Recife (PE) para discutir o tema.

O 2º Encontro da Sala de Situação, Ação e Articulação sobre Direitos de Grupos em Situação de Vulnerabilidade ocorrerá na capital pernambucana a partir desta quinta-feira (14) e reunirá lideranças de mais de 30 organizações da sociedade civil e agências da ONU, contando também com a participação de órgãos federais e estaduais de saúde.

O evento ocorrerá no estado que concentra o maior número de casos notificados de microcefalia: segundo o último boletim do Ministério da Saúde, Pernambuco apresenta 1.849 notificações, das quais 312 foram confirmadas como casos de microcefalia e/ou malformações relacionadas à infecção congênita, 664 foram descartados e 873 continuam sob investigação.

“Este será um momento importante (…) por estabelecer um diálogo direto com as mulheres, familiares e profissionais de saúde em Pernambuco, onde estão concentrados os casos de vírus zika, chikungunya e dengue”, disse Gasman.

“Estamos trabalhando para que as vozes das mulheres sejam escutadas, suas necessidades atendidas e para que todos seus direitos sejam garantidos. Reconhecer o protagonismo das mulheres e suas organizações é essencial para garantir uma resposta integral à epidemia”, completou.

A “Sala de Situação” é um espaço presencial e virtual de diálogo e coordenação de ações de sociedade civil, academia e Sistema ONU no Brasil em favor da saúde e dos direitos das mulheres, grupo mais afetado pela epidemia de zika.

O evento vai até sexta-feira (15) e dará sequência à reunião ocorrida em março em Brasília (DF), servindo também para compartilhar informações sobre o que está sendo feito por Sistema ONU, governo e sociedade civil no enfrentamento ao vírus.

O objetivo também é definir ações de mobilização por medidas que garantam o empoderamento e a autonomia das mulheres, principalmente aquelas que desejam adiar a gravidez neste momento devido aos riscos de síndrome de zika congênita, em especial a microcefalia.

Autonomia sexual e reprodutiva

Para Jaime Nadal, representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a crise do zika é uma oportunidade para o Brasil repensar os paradigmas de desenvolvimento e os problemas estruturais que ainda persistem em relação à proteção dos direitos das mulheres.

“A resposta (ao zika) pede o reposicionamento de temas como a autonomia das mulheres e jovens, acesso à informações e serviços de saúde, em especial de saúde sexual e reprodutiva, acesso à educação em sexualidade, para que essas mulheres e jovens fiquem empoderadas para tomar decisões e tenham serviços de qualidade disponíveis para aproveitar todo o seu potencial, sem discriminação”, declarou.

“O zika evidencia a necessidade de reposicionar a autonomia sexual e reprodutiva das mulheres, colocando-as em primeiro plano nas políticas públicas, como elemento central para o progresso e a consolidação dos avanços sociais do país.”

O evento em Recife também terá a presença de representantes da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), que também trataram da questão do direito das mulheres em meio ao surto do vírus.

“Esta é uma grande oportunidade de construção social coletiva para fortalecer o acesso à informação para as mulheres no país, para a tomada de decisões oportunas e baseada em direitos”, afirmou Haydée Padilha, coordenadora da Unidade Técnica da Família, Gênero e Curso de Vida da OPAS/OMS no Brasil.

O encontro terá também a presença de representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco e de redes e organizações de mulheres e de direitos humanos.

O evento ocorrerá no Hotel Mercure Recife Mar Hotel Conventions (Rua Barão de Souza Leão, 451, Boa Viagem, Recife).

Acesse no site de origem: Mulheres precisam ser ouvidas no combate ao zika, diz agência das Nações Unidas (ONU/BR, 14/04/2016)

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