13 e 14/10/09 – Aborto clandestino mata 70 mil mulheres por ano

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Os diversos dados divulgados no relatório da pesquisa realizada pelo Instituto Guttmacher, dos EUA, receberam destaques diferenciados na imprensa. Alguns veículos, como o site BBC Brasil e o Jornal da Tarde optaram por destacar a constatação de que leis restritivas não reduzem o número de abortos.

Uma questão de saúde pública

Já a notícia publicada por O Globo reproduziu matéria da Reuters assinada pela jornalista inglesa Kate Kelland, que optou por iniciar seu texto assim: “A difusão de anticoncepcionais reduziu a taxa de abortos no mundo, mas a prática ainda mata 70 mil mulheres por ano e causa danos ou sequelas em milhões de outras”.

O estudo analisou 197 países e concluiu que a taxa de abortos no mundo vem caindo graças a uma redução no número de interrupções feitas legalmente nos países desenvolvidos. Segundo a pesquisa, o número de abortos passou de 45,5 milhões, em 1995, para 41,6 milhões, em 2003. Isso significa que a taxa de abortos caiu de 35 para 29 para cada mil mulheres em idade reprodutiva (15 a 44 anos).

Tanto a matéria da BBC Brasil como a do Globo mencionam as diferenças entre as taxas em países pobres e ricos: em 2003, quase 85% dos abortos ocorreram em países em desenvolvimento.

Nos países desenvolvidos, a taxa de interrupções da gravidez feitas legalmente passou de 35 para 24 em cada grupo de mil mulheres nos oito anos observados, o que quer dizer que 3 milhões de mulheres não tiveram que passar por situações de gravidez indesejada e aborto. Já nos países em desenvolvimento, as mudanças nesse período foram muito menores. As interrupções feitas de maneira legal passaram de 16 para 13 para cada grupo de mil mulheres, enquanto os procedimentos realizados clandestinamente, e na maioria das vezes de forma insegura, passaram de 18 para 16.

“Existe uma forte evidência de que dar às mulheres o poder e os meios de decidir por elas mesmas quando ficar grávida e quantas crianças ter”, disse Sharon Camp, do Instituto Guttmacher, “reduz significativamente as taxas de gravidez indesejada e a necessidade do aborto”.

Uma questão econômica

O Instituto Guttmacher aponta também um fator econômico: tratar as complicações de um aborto custa em média US$ 130 na América Latina, onde são feitos 4 milhões de abortos por ano, sendo que apenas 200 mil realizados em condições adequadas (a maioria em Cuba, Porto Rico ou Guiana, onde a interrupção da gravidez é permitida de forma ampla).

Ainda segundo o Instituto, na Nigéria, por exemplo, enquanto os custos para tratar mulheres com complicações resultantes de abortos malfeitos seriam de aproximadamente US$ 19 milhões por ano, bastariam US$ 4,8 milhões para fornecer anticoncepcionais a todas as mulheres que os desejassem.

Brasil na contramão

A matéria da BBC Brasil incluiu um parágrafo para falar sobre a situação do aborto no país:

No Brasil, tentativas por uma maior flexibilização do procedimento,
hoje permitido apenas em casos de estupro e risco de morte da mãe,

não têm conseguido avançar no Congresso – embora seja conhecida

a posição favorável do ministro da Saúde, José Gomes Temporão,

para quem a abertura em relação ao tema é uma “tendência

mundial” e apenas “questão de tempo” no Brasil.


Acesse as matérias na íntegra em pdf:
BBC Brasil – 13/10/09 e O Globo – 14/10/09

 

Indicação de fontes:

Cristião Fernando Rosas – médico ginecologista e obstetra
Febrasgo e Hospital Cachoeirinha
São Paulo/SP
(11) 3259-7599 / 9236.6894
[email protected]
Fala sobre: serviços de violência sexual (aborto legal); aborto do ponto de vista médico; prevenção ao aborto inseguro no Brasil

Margareth Arilha – psicóloga e coordenadora da CCR
CCR – Comissão de Cidadania e Reprodução
São Paulo/SP
(11) 5575-7372       
[email protected]
Fala sobre: direitos reprodutivos e direito ao aborto

Maria José Rosado Nunes– socióloga e professora da PUC/SP
Católicas pelo Direito de Decidir/Brasil
São Paulo/SP
(11) 3541-3476       
[email protected]
Fala sobre: direito ao aborto, aspectos filosófico, moral e religioso; pensamento católico

Sonia Corrêa– cientista política; coordenadora do SPW; pesquisadora da ABIA
Sexuality Policy Watch e ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS)
Rio de Janeiro/RJ
(21) 2223-1040       
[email protected]
Fala sobre: direito ao aborto; cenário internacional, ONU e direito internacional

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