16/09/2011 – Site oferece medicamento abortivo pela internet

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(Jornal do Brasil) O Women on Web – um projeto da ONG holandesa Women on Waves – é um site que envia os remédios necessários para interrupção medicinal da gravidez a mulheres de qualquer país onde o acesso ao aborto seja limitado ou proibido. O site garante não lucrar com a distribuição dos remédios, mas é solicitado que se faça, se possível, uma doação de 70 euros ao realizar o pedido.

Mulheres com  baixa renda podem entrar em contato com os administradores do projeto, mas o site deixa claro que eles apenas tentarão encontrar alguém que possa doar parte do dinheiro para ajudar, pois a contribuição será sempre necessária.

Além da doação, a mulher precisa fazer uma consulta online, em que deverá responder um questionário de 25 perguntas. Nele, é preciso garantir estar com até nove semanas de gravidez e livre de qualquer doença grave.

Para as brasileiras, é preciso ter até sete semanas de gravidez, pois, como o remédio é enviado por correio registrado, pode demorar até duas semanas para chegar aqui.

O coquetel oferecido pelo site traz um comprimido de Mifepristona – que provoca contrações e amolecimento do útero, facilitando a interrupção da gravidez – e seis de Misoprostol – que induz à morte do feto.


Longe e fora da lei

“Que eu saiba, não temos problemas legais com o governo brasileiro. O que o Women on Web faz é ajudar as mulheres a chegarem ao que a OMS define como saúde”, defende a idealizadora do projeto, Rebecca Gomperts.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), “saúde é um estado de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. E, para o Women on Web, o direito ao aborto se inclui nessa definição. 

“Se ela não tem outros meios legais, é melhor que recorra ao aborto medicinal que a outros métodos mais perigosos, como a ingestão de alvejante e a inserção de objetos pontiagudos no canal vaginal”, defende Rebecca. “O que propomos é um modelo de redução de riscos.”

De fato, a pílula abortiva é considerada o procedimento mais seguro por especialistas. Para o médico Cristião Rosas, secretário da Comissão de Violência Sexual e Interrupção da Gravidez da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), a falta de acompanhamento observada no caso do site é apenas uma realidade da clandestinidade, que, “sim, traz riscos, mas é melhor que esses outros métodos utilizados por aí”. “O problema real é uma legislação que não atende a uma demanda real”, diz Rosas.

Acesse a matéria: Brecha nas leis brasileiras abre as portas para o aborto pela internet (Jornal do Brasil – 16/09/2011)

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