Quase 60% dos argentinos apoiam legalização do aborto, diz pesquisa

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Levantamento também mostra que 63% acham que Igreja deve ficar fora da discussão

(O Globo, 18/03/2018 – acesse no site de origem)

Uma pesquisa divulgada neste domingo, dia 18, indica que 59% dos argentinos apoiam a descriminalização do aborto. O índice favorável vem no momento em que o Congresso está analisando pela primeira vez, em toda a História do país, um projeto que busca legalizar a interrupção voluntária da gravidez.

O estudo, realizado pela Anistia Internacional Argentina e pelo Centro de Estudos de Estado e Sociedade (Cedes), informa também que 70% consideram importante que o Congresso discuta o tema.

— Muito se tem dito sobre se a sociedade está ou não pronta para discutir o aborto, e as opiniões são contundentes: para a população, esta é uma questão importante e, aliás, a maioria concorda com a descriminalização — disse Mariela Belski, diretora executiva da Anistia Internacional Argentina.

Manifestação pela descriminalização do aborto na Argentina, durante o último Dia internacional da Mulher. Na placa, lê-se “Aborto legal para não morrer”, em referências às mortes de mulheres que recorrem a aborto clandestino (Foto: Juan Mabromata/AFP)

A pesquisa mostrou que 63% das pessoas no país consideram que a Igreja Católica, a religião majoritária por lá, deve permanecer de fora da discussão parlamentar, enquanto 23% disseram que a Igreja precisa ter influência no debate.

Quando perguntados se conheciam alguém que já realizou um aborto, 48% dos entrevistados responderam que sim.

A pesquisa foi realizada por telefone entre os dias 3 e 5 de março e cobriu um total de 1.561 entrevistas com pessoas com mais de 16 anos de idade.

Na Argentina, o aborto é autorizado somente quando a vida da mulher está em perigo ou quando a gravidez é resultado de um estupro. No Brasil, além de essas duas situações, a lei prevê que o aborto é legal no caso de o bebê ter anencefalia.

De acordo com várias ONGs, das 500 mil mulheres que abortam todos os anos na Argentina, cem morrem, a maioria delas de baixa renda, razão pela qual muitos consideram a questão um problema de saúde pública.

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