Aborto é uma questão de saúde pública, não de ideologia, diz Eva Blay

Compartilhar:
image_pdfPDF

Recentemente, a Argentina foi o primeiro país da América Latina a descriminalizar o aborto, fruto da participação das mulheres na vida pública, propiciada por uma cultura política que se formou lá desde o século 19, que foi a do incentivo à leitura. Stella Franco também comenta o assunto

(Jornal da USP | 26/01/2021)

A Argentina foi o primeiro grande país da América Latina a descriminalizar o aborto. Agora, todas as mulheres maiores de 16 anos podem fazer a escolha de prosseguir ou interromper a gravidez até a 14ª semana de gestação. A conquista ocorreu após uma mobilização histórica feminina, com muitas manifestações e pressão política.

Sobre a mobilização feminina na Argentina, a professora do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Stella Franco, explica: “Na Argentina, a participação das mulheres na vida pública foi muito favorecida por uma cultura política que se formou lá desde o século 19, que foi do incentivo à leitura, à discussão, que a gente chama de ampliação do espaço republicano. Os argentinos se tornaram leitores e isso favoreceu uma autonomia do campo das ideias, uma autonomia do campo intelectual e isso afetava também, obviamente, a vida das mulheres, que passaram a ler, a estudar, que almejavam se formar na universidade e também participar dos debates públicos, que também afetavam a vida delas.”

[…]

A Professora Emérita da FFLCH, Eva Blay, em 1993, atuando como senadora, apresentou o projeto de lei que permitia a legalização do aborto até a 12ª semana de gestação. Ela denunciou o número preocupante de mulheres que corriam risco de vida devido ao procedimento ilegal e defendeu que a questão fosse debatida, antes de qualquer ideologia, como uma pauta da saúde pública. Na época, ela sofreu diversos ataques da comunidade cristã e o projeto foi arquivado.

Acesse a matéria completa no site de origem.

Compartilhar: