EL PAÍS passa a ter uma editora de gênero

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O objetivo é planejar e melhorar a abrangência atual sobre os temas relacionados com a igualdade e a mulher

(El País, 11/05/2018 – acesse no site de origem)

O mundo está imerso em uma profunda mudança que este jornal segue de perto e quer continuar dando uma atenção especial: o novo papel que a mulher tem na sociedade. Não é um compromisso novo, mas que se renova com a criação de uma nova figura, uma editora de gênero. A jornalista Pilar Álvarez será a primeira a ocupar o posto com o objetivo de planejar e melhorar a cobertura sobre os temas de gênero. Segundo Pilar Álvarez, uma das suas funções será de atuar como uma vigia para que haja sempre um equilíbrio na presença de homens e mulheres nas informações. “Como diz uma colega minha, se você não tem a visão da mulher, você perde a metade”.

A cobertura comprometida com a igualdade e a mulher sempre foi uma marca do jornal. Logo no início, em 1976, o EL PAÍS publicou uma reportagem sobre os voos fretados em que espanholas viajavam para abortar em Londres. A prática era bastante conhecida, mas pouco se falava sobre o assunto. Na época, o aborto era proibido na Espanha, que acabava de sair da ditadura. Em 2001, o jornal foi pioneiro também em contabilizar as vítimas da violência machista, antes que as autoridades o fizessem.

Na redação do EL PAÍS no Brasil, os temas relacionados ao feminismo, sexualidade e a saúde pública feminina também são pautas recorrentes. Desde sua inauguração, em 2013, uma série de reportagens foram feitas sobre a situação do aborto no país, a desigualdade salarial entre homens e mulheres e a violência constante contra as mulheres. No ano passado, a redação sediada em São Paulo, foi a única do Brasil em que as mulheres cruzaram os braços no dia 8 de março para reivindicar mais direitos e igualdade.

O feminismo se transformou hoje em um movimento de referência de luta pelos direitos civis em grande parte do mundo. Neste momento de efervescência, em que as demandas das mulheres se misturam com reações opostas de todo tipo, em um clima muitas vezes de paixão e confusão, o desafio da editora será de ressaltar acima de tudo o valor dos fatos.

O trabalho da editora de gênero será transversal a todas as editorias. Não se trata apenas de escrever mais histórias sobre as mulheres, mas de incluir mais mulheres em histórias. A cobertura que a editora de gênero estimulará será também internacional, apoiada na rede de redações e jornalistas que o EL PAÍS possui em diversos países, com atenção especial para a América Latina.

A primeira editora de gênero do EL País, Pilar Álvarez, possui experiência na cobertura de temas sociais, principalmente de educação. Há um ano está especializada em temas de igualdade. Com uma trajetória de mais de 15 anos de profissão, ela começou a trabalhar para este jornal em 2007.

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