Entrevista Rosane Bertotti: “Nossa indicação no Conselho Curador da EBC é resultado do processo da luta dos movimentos”

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(Débora Prado/Agência Patrícia Galvão, 29/04/2013) Rosane Maria Bertotti é formada em sociologia política. Atua, hoje em dia, como secretária de Comunicação Social da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e participou de movimentos de mulheres camponesas.

RosaneBertotti EBCNo dia 17 de abril, foi empossada, junto com a jornalista Rita Freire (veja entrevista), no Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Em entrevista à Agência Patrícia Galvão, ela destaca que sua indicação é fruto de um processo de mobilização do movimento social, sobretudo do feminista e pela democratização da mídia, e afirma que é justamente a agenda desses movimentos que espera representar neste espaço. Confira:

O que representa para você o fato de as duas nova integrantes do Conselho Curador da EBC serem mulheres com formação feminista e do movimento pela democratização das comunicações?

Primeiramente, eu acho que a nossa indicação é resultado do processo da luta dos movimentos que estão na luta pela democratização das comunicações, com um recorte tanto do perfil feminista, quanto de ser de movimento social – e esse é justamente o grande avanço dessas nossas duas indicações. Como nós tomamos posse e participamos da primeira reunião, conhecendo a realidade e o debate do conselho, nossa entrada fortalece essa compreensão que o conselho é um espaço de gestão e de participação social.

Então, o conselho tem um papel importante, mas ele precisa estar articulado, tanto internamente como para fora, ter capilaridade junto ao movimento social, pela demoratização da comunicação (democom) e feminista e acho que nossa entrada vem com essa missão. E eu estou aqui por ser uma dirigente sindical e do movimento social organizado pela luta pela democratização das comunicações e por ser uma feminista que luta pelo direito das mulheres.

Qual papel você espera que o conselho desenvolva e como irá atuar para que ele se concretize?

A primeira coisa que espero é levar para o conselho a luta de onde a gente vem, que é justamente essa contribuição do respeito à diversidade e da luta pela democom. Espero que a EBC seja um espaço que reflita isso, o respeito às mulheres, aos movimentos sociais, às minorias. Vamos ajudar a construir também o debate para qualificar a gestão e a programação da EBC, e também o debate sobre a autonomia da EBC perante os governos, enquanto um meio público de comunicação. Mas, tudo isso só irá efetivar se a relação com o movimento existir de fato.

E é nessa perspectiva que a gente vai pra lá. Então, eu queria agradecer as entidades e os parceiros que participaram do edital e nos elegeram, sobretudo o movimento de mulheres, e agradecer essa responsabilidade que nos deram com muito carinho. Mas quero dizer para esses companheiros/as também que estamos abertas, que estamos lá como um canal e que seguiremos firme na luta. Então se um movimento ou uma organização achar importante que um determinado tema seja debatido no conselho, nós podemos construir isso.

Como a EBC pode entrar no debate para regulamentação da comunicação?

Ela pode contribuir através de reportagens, mostrando a realidade brasileira, e também dando exemplo, respeitando de antemão os princípios colocados pela Constituição Brasileira que ainda precisam ser regulamentados, como o da pluraridade e diversidade na programação. A partir do momento em que a EBC faz um programa mostrando as mulheres brasileiras do jeito que elas são, por exemplo, ela já está com uma cobertura e com programas diferenciados. Então, independente da regulação da mídia em nível de política publica federal, a EBC tem que exercer os princípios constitucionais e de liberdade de expressão na prática.

Como foi a reunião de posse e quais as perspectivas para a atuação do conselho nesse ano?

Na reunião de posse, eu tive a dimensão da importância do conselho, das possibilidades de debate e do papel fundamental desse espaço. Ele cumpre um papel de fazer avaliação da programação e sugerir programação, e também de monitorar – ou seja, pode apontar se um programa infringe o direito das mulheres, por exemplo.

Mas, o conselho tem também alguns desafios pela frente. Há um descompasso, por exemplo, entre as decisões do conselho e os encaminhamentos práticos dados pela EBC e isso precisa ser agilizado. Falta também fortalecer a articulação da sociedade civil com o conselho, debater como a sociedade civil que está lá representada atua naquele espaço.

 

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