Debates & Provocações discute a participação das mulheres na política

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(Época, 17/11/2015) Os projetos de cotas para mulheres no Congresso foram debatidos em evento promovido nesta terça-feira por ÉPOCA e pela Faap

ÉPOCA e a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) promoveram nesta terça-feira mais uma edição do evento Debates & Provocações. Com a perspectiva das eleições no ano que vem e diante da efervescência do movimento de mulheres que agita o país nas últimas semanas, a discussão centrou-se na participação das mulheres na política brasileira. Alternativas para aumentar a participação feminina foram debatidas pela socióloga Fátima Jordão, especialista em pesquisas eleitorais e fundadora do Instituto Patrícia Galvão, pela jornalista Ana Carolina Nunes, que ajudou o metrô de São Paulo a elaborar uma campanha contra o assédio nos vagões, e pela repórter de política de ÉPOCA Flávia Tavares. O debate foi mediado por Edilamar Galvão, coordenadora da pós-graduação em jornalismo cultural da FAAP.

Convidadas para o evento de ÉPOCA e FAAP discutiram a importância das cotas para garantir o espaço feminino no âmbito político (Foto: Gabriela Varella)

Convidadas para o evento de ÉPOCA e FAAP discutiram a importância das cotas para garantir o espaço feminino no âmbito político (Foto: Gabriela Varella)

Um dos principais tópicos discutido foi a possível adoção de cotas para mulheres no Congresso. Em junho, uma emenda que previa 15% das vagas reservadas para mulheres no Congresso foi rejeitada por deputados. Uma nova proposta à Constituição (PEC) foi realizada dois meses após a decisão e aguarda votação na Câmara, após ser aprovada no Senado. A PEC 98/2015, caso seja aprovada, estabelece número mínimo de mulheres – até 16% dos postos –  no Poder Legislativo.

A socióloga Fátima Jordão disse que as cotas são fundamentais para o crescimento da participação das mulheres na política. A determinação obrigaria os partidos a redistribuir melhor os financiamentos para campanhas também entre as candidatas mulheres. “Nas eleições de 2010, R$ 102 milhões foram distribuídos nos diretórios nacionais. As mulheres receberam 8% dos recursos embora representassem 20% dos candidatos. O gerador das desigualdades está nos partidos”, afirmou Fátima. “As cinco mulheres para as quais já trabalhei em campanha choravam, em situações internas, por impotência. Essa questão não está com os eleitores: 65% dos votos válidos nas últimas eleições foram para as mulheres: Marina, Dilma e Luciana Genro. O grande adversário é a estrutura partidária.”

Flávia Tavares, repórter de política de ÉPOCA, disse que a voz das mulheres nos segmentos ainda é baixa. “Nunca tivemos uma presidente mulher na Câmara ou no Senado. Ela é a favor das cotas e contemporiza o argumento mais comum de quem se diz contra. “Um dos argumentos fortes de quem é contra as cotas é de que, quando você coloca uma cota no Congresso, você pode distorcer votos. Pode distorcer a vontade do povo. Eu discordo desse argumento — isso já foi distorcido anteriormente, já na oferta de candidaturas”, disse Flávia. “Ainda falta um papel central feminino na política. “A questão das cotas não é só uma correção. É uma condução. Ela pode corrigir uma desigualdade e conduzir relações futuras a não precisarem mais das cotas. Nossa briga é para não precisar, por lei, a garantir o espaço.”

Para a jornalista Ana Carolina Nunes, as mulheres que decidem lutar por seus direitos – na política ou em qualquer outra esfera – acabam sendo estereotipadas. “Uma mulher que se impõe tem de estar preparada para ser chamada de sapatão, de mandona. Para entrar no espaço público, a gente precisa se submeter a essa lógica masculina”, afirmou.

Após a discussão, as convidadas reforçaram a importância de aumentar a participação das mulheres na política como um caminho para corrigir outras distorções de gênero da sociedade. “O centro de desequilíbrio de uma série de questões está na representação de mulheres na política, no parlamento, no executivo”, disse Fátima. A jornalista Ana Carolina ressalta a necessidade de ampliar a presença de mulheres em diversos cargos de poder, do movimento estudantil ao Poder Executivo. “É importante elevar o nível do debate e contestar a participação da mulher nos espaços de poder, não só nos cargos mais altos”, afirma Ana Carolina. No contexto de 2013, por exemplo, a sociedade não esperava que em 2015 os movimentos sociais no cotidiano ganhariam tanta força. É o que acredita a socióloga Fátima.  A repórter de ÉPOCA Flávia Tavares é otimista sobre o destaque dado à luta pelos direitos das mulheres. “Nós não somos mais invisíveis e não podemos mais ser ignoradas”.

Gabriela Varella 

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