Salário menor para mulheres também é realidade no esporte

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(Radioagência Nacional, 08/03/2016) Elas são tão boas quanto eles, mas na hora de buscar patrocínio a diferença do sexo pesa. Do boxe ao golfe, as mulheres escreveram seu nome na história dos esportes, mas os salários ainda não acompanharam.


No Brasil, o futebol é o esporte com maior abismo financeiro entre homens e mulheres. Levantamento feito no final do ano passado pelo Portal EBC mostra que o salário mensal de Neymar pagaria durante quatro anos e meio as 100 atletas dos times finalistas do Brasileirão Feminino.

Leia mais: 
Da ilegalidade ao ouro, brasileiras criaram suas próprias referências no esporte (Agência Brasil, 08/03/2016)
Proibido para Mulheres, por Sílvia Herrera (O Estado de S. Paulo, 08/03/2016)
Elas, nos Jogos, Sonia Racy (O Estado de S. Paulo, 08/03/2016)
#OJogoDelas: Minoria à frente de seleções e confederações (O Globo, 07/03/2016)
#OJogoDelas: No auge, surfe nacional chega a 5º ano sem circuito feminino (O Globo, 06/03/2016)
#OJogoDelas: Cris Cyborg lamenta tratamento desigual no MMA (O Globo, 05/03/2016)

Em entrevista a TV Brasil, a jogadora Marta, eleita cinco vezes a melhor do mundo pela Federação Mundial de Futebol (Fifa), lamenta a falta de incentivo.

Na lista dos 100 atletas mais bem pagos do mundo, em 2015, feita pela revista Forbes, há apenas duas mulheres. Ambas tenistas: em 26ª lugar, Maria Sharapova, e a americana Serena Williams na 47ª posição do ranquing.

Em alguns esportes, os prêmios também retratam a desigualdade. Uma amostra disso foi o torneio Rio Open 2016, que distribuiu entre os melhores tenistas US$ 1,55 milhão em prêmios, sendo apenas US$ 250 mil para as mulheres.

No golf, a diferença também é gritante. A atleta brasileira Miriam Nagl, que mora na Alemanha desde os 8 anos de idade, acredita que aos poucos as mulheres vão ganhando espaço mas a disparidade é grande.

A desigual exposição midiática é um dos fatores para a distinção na hora de buscar patrocínio. Pelo menos é essa a opinião da boxeadora Flávia Figueiredo, que se prepara para o mundial no Cazaquistão, em maio, quando serão disputadas as vagas olímpicas.

O começo de carreira nem sempre é fácil. Mulher, com mais de 40 anos e com paralisia na perna direita, a halterofilista paralímpica Márcia Menezes disse que foi difícil começar a treinar.

No último mês, Márcia Menezes levantou 116 quilos e conquistou o segundo lugar da Copa do Mundo de Halterofilismo Paralímpico. Atualmente ela vive do patrocínio da Caixa Econômica e do programa do governo federal Bolsa Pódio.

Márcia Menezes acredita que as políticas públicas contribuem para diminuir a desigualdade entre homens e mulheres no esporte, já que o valor da bolsa é o mesmo.

No entanto, os homens ainda são maioria no Bolsa Pódio. Segundo o Ministério do Esporte, dos 246 atletas incentivados, 99 são mulheres o que corresponde a cerca de 40% do total.

Nanna Pôssa

Acesse no site de origem: Salário menor para mulheres também é realidade no esporte (Radioagência Nacional, 08/03/2016)

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