Violência doméstica: o que as empresas podem fazer para proteger suas funcionárias

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Relatório internacional afirma que mulheres precisam de um lugar seguro fora de casa, além de condições econômicas para saírem do ciclo violento. Apoio das companhias é crucial e já faz parte da legislação de alguns países

(O Globo | 04/07/2020 | Acesse a matéria no site de origem)

O aumento global nos casos de violência doméstica durante a quarentena necessária para conter o novo coronavírus evidenciou que as empresas precisam fazer mair para proteger as vítimas e as ajudar a reconstruir suas vidas. Essa á conclusão de uma relatório divulgado essa semana pela organização Led By HER, que ajuda mulheres vítimas de violência a reconstruirem suas carreiras.

As empresas devem oferecer às mulheres vítimas de violência um trabalho flexível e licenças extra para que elas possam mudar de casa e resolver os cuidados com seus filhos, além de reconsiderarem transferirem essas mulheres para localidades distantes de seus abusadores para que elas estejam seguras, afirma o relatório.

É crucial que vítimas de abuso doméstico não percam seus empregos porque isso pode deixá-las presas a situações violentas, acrescenta Chiara Condi, fundadora da Led by HER. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), quase um terço das mulheres do mundo já experimentaram violência de seus parceiros.

O relatório pede ação para lidar com o aumento “horroroso” do abuso doméstico ocorrido durante a pandemia e exarcebado pelas dificuldades econômicas e restrições da quarentena, que deixaram muitas mulheres isoladas em casa com seus parceiros abusadores.

A violência doméstica costuma ter um impacto no desempenho das vítimas no trabalho, as faz faltar e até interrompe suas carreiras, explica o relatório feito pela Led by HER com a Fundação Kering, que trabalha para combater a violência contra as mulheres. Mas o local de trabalho pode ser um santuário e uma corda de segurança para vítimas de violência doméstica.

“Pode se segurar no trabalho e ter um empregador que entenda a situação é muito importante. Se a violência doméstica impacta o desempenho de uma mulher em seu trabalho e ela é demitida, caira em uma precariedade econômica ainda maior, que tornará ainda mais difícil para ela deixar o ciclo da violência doméstica’, afirma Condi.

Vítimas de violência doméstica são mais propensas ao trabalho infomal ou a trabalhar em meio expediente, e sua renda é até 60% menor do que a das outras mulheres, afirma o relatório realizado com apoio da firma de advocacia Dentons e a Fundação Thomson Reuters. Condi diz que as empresas precisam criar um ambiente de confiança onde as funcionárias podem falar em completa confidencialidade sobre esses temas, sem o medo de estigmas ou repercussões negativas.

“A violência doméstica cresceu muito por causa da pandemia de Covid-19, então mais companhias terão que considerar o que farão para as funcionárias que foram afetadas”, acrescenta Condi.

Com a flexibilização do isolamento social em muitos países, Condi sugere que as empresas cujas equipes estão em home office priorizem o retorno das vítimas de violência aos escritórios. O relatório pede aos governos para proporem legislação que obriga as empresas a salvaguardar as mulheres vítimas de violência doméstica.

Austrália, Nova Zelândia, Itália e a província de Ontario, no Canadá, possuem proteções para vítimas de violência doméstica como trabalho flexível e licença paga ou não. A Austrália também protege as mulheres da demissão injusta. Ontario obriga os empregadores a conscientizar seus funcionários sobre a violência doméstica e a proteger ativamente as vítimas. Medidas de segurança podem incluir rastrear as chamadas e os emails das vítimas, oferecer condução entre a casa e o local de trabalho ou estacionamento perto da entrada, e transferência para outro trabalho.

“Tornar o local de trabalho o mais seguro possível e assegurar que a funcionária tenha um local onde se sinta segura é crucial. As medidas tomadas pelos empregadores podem ser cruciais para que a mulher transfrome sua situação a longo prazo”, ensina o relatório.

 

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