Casa da Mulher Brasileira divulga perfil das vítimas de violência no Ceará

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Após um ano de funcionamento na Capital, complexo atendeu 16.630 mulheres. Levantamento aponta que a maioria delas vive em bairros periféricos, se considera parda e possui ensino médio completo

(Diário do Nordeste, 26/06/2019 – acesse no site de origem)

Obsessão. Descontrole. Autoritarismo. O comportamento do agressor deixa marcas no corpo e na alma, e pode ser o gatilho para o pedido de socorro. Em Fortaleza, 16.630 vítimas de violência doméstica ou patrimonial buscaram amparo na Casa da Mulher Brasileira. Além de sistematizar o número de atendimentos e, sobretudo, prestar assistência legal às mulheres, o complexo identificou o perfil delas: católicas, autodeclaradas pardas, solteiras, residentes da periferia, com ensino médio completo e renda mensal entre meio e três salários mínimos.

Os dados constam no balanço de um ano de funcionamento do equipamento, cuja inauguração aconteceu em 23 de junho de 2018. Doze meses depois, o saldo de acolhimentos aumentou 25%, uma vez que os 12.175 garantidos nos seis primeiros meses de 2019 já superam o acumulado de todo o ano passado (9.732). Ao todo, 21.907 atendimentos foram registrados, conforme levantamento da Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS), divulgado ontem.

Para chegar ao perfil das mulheres, a pasta tabulou itens como faixa etária, estado civil, religião, endereço, grau de escolaridade, salário, raça, cor e etnia. Assim, os maiores percentuais observados foram: 30% das vítimas têm de 25 a 34 anos, 56% são solteiras, 58% católicas, 27% moram na Regional V, 35% concluíram o ensino regular, 48% afirmaram receber entre meio e três salários mínimos, e 67% se declararam pardas.

Apesar de os índices mais elevados atingirem em sua maioria mulheres com menor retrato socioeconômico, a coordenadora da Casa da Mulher Brasileira, Daciane Barreto, considera que “a violência é democrática negativamente”. Isso porque a prática também repercute em outros segmentos, ainda que em baixa demanda: a exemplo dos 13% que possuem diploma de cursos de ensino superior e apenas 1% ganha mais de 5 salários mínimos por mês.

Ao mesmo tempo, Daciane Barreto vê com entusiasmo o crescimento das denúncias feitas por mulheres jovens. “Estão vindo rompendo as amarras. Uma das questões que favorecem a violência, em todos os sentidos, é o silêncio, porque ele é cúmplice. A juventude cada vez mais tem consciência dos seus direitos”, diz, explicando ainda que as agressões registradas por viúvas (3%) também entraram na lista de tipificação do órgão, sendo caracterizadas por violência patrimonial, quando o comportamento agressivo ou opressor do então companheiro passa para os filhos.

Repasse

Vítimas que procuram a Casa da Mulher Brasileira recebem atendimento integrado, desde apoio jurídico a acompanhamento psicológico. Para que o ciclo de violência contra a mulher não continue, o amparo deve se estender além do espaço físico completo, através da oferta de cursos profissionalizantes. Para a coordenadora, a qualificação impulsiona a “autonomia econômica da mulher”.

Contudo, a partir do ano que vem, a titular da SPS, Socorro França, diz que há um indicativo de que o governo federal não garanta o repasse de verbas para o equipamento, o que, ainda assim, não deverá impossibilitar a continuidade dos serviços. “Ninguém sabe se o orçamento do ano que vem vai contemplar. Mesmo assim, o Governo do Estado vai continuar mantendo, através de custeio”.

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