“Invisíveis aos olhos”, feminicídios de indígenas escancaram Brasil negligente

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As mortes de Daiane Griá Sales, no Rio Grande do Sul, e Raíssa da Silva Cabreira, no Mato Grosso do Sul, acenderam a discussão entre lideranças, ativistas e parlamentares sobre a necessidade de tomar medidas urgentes para combater a violência de gênero contra meninas e mulheres indígenas. Ao mesmo tempo, dados nacionais sobre os feminicídios dessas mulheres são subnotificados. Muitas não são identificadas por suas etnias em boletins de ocorrência, o que dificulta a formulação de políticas públicas para mitigar o fenômeno

(Revista Marie Claire | 25/08/2021 | Por Humberto Tozze)

[ALERTA DE GATILHO: esta reportagem contém descrição de violência sexual]

Agosto trouxe notícias amargas para os povos indígenas Kaingang, do Rio Grande do Sul (RS), e Kaiowá, do Mato Grosso do Sul (MS). Nas primeiras semanas do mesmo mês que celebra a data internacional dos povos indígenas, duas meninas foram encontradas mortas: Daiane Griá Sales, de 14 anos, e Raíssa da Silva Cabreira, de 11.

Daiane foi encontrada em 4 de agosto, no interior de uma lavoura próxima à Reserva Indígena do Guarita, em Redentora, município onde vivia. Desaparecida desde 31 de julho, foi achada sem vida, sem roupas e com corpo dilacerado. O corpo estava em tal estado a ponto de não ser possível identificar se os danos foram cometidos por homens ou animais. A hipótese é de que teria sofrido violência sexual. Dois suspeitos foram presos e, segundo o Ministério Público do estado, os homens não são indígenas, o que adiciona conotação racial ao crime.

Em 9 de agosto, o corpo de Raíssa foi encontrado em uma pedreira desativada, próximo da aldeia de Bororó, em Dourados (MS). A menina teria sofrido estupro coletivo por membros da própria comunidade. Arrastada de casa, teria sido forçada a ingerir bebida alcoólica e chegou a desmaiar. Após gritar continuamente por ajuda, seu tio escutou os apelos, mas ao invés de socorrê-la, teria se juntado ao grupo. No fim dos abusos, ao dizer que iria denunciá-los, foi atirada de um penhasco de aproximadamente 20 metros de altura. Cinco suspeitos foram identificados. Três adolescentes foram internados em uma unidade socioeducativa e dois adultos encaminhados para o presídio estadual de Dourados. O tio Elinho Arálavo, de 33 anos, confessou à polícia e admitiu abusar da garota desde que ela tinha 5. Dias depois foi encontrado morto no presídio estadual de Dourados. O boletim de ocorrência diz suicídio.

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