‘Ser bicha na periferia é muito cruel e muito poderoso também’, diz bailarino de Vigário Geral, no Rio

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Wallace Ferreira, 27 anos, encontrou na dança a forma de expressar a própria sexualidade. Ele dança voguing, estilo que surgiu em guetos LGBT nos EUA nos anos 70, e que ganhou mais destaque após o lançamento de ‘Vogue’, da Madonna.

(G1 Rio| 25/06/2021 | Por Marcos Serra Lima e Túlio Mello| Acesse a matéria completa no site de origem)

O artista da dança Wallace Ferreira, que também usa o nome artístico Patfudyda, é morador de Vigário Geral, uma comunidade na Zona Norte carioca. Mais do que gay, ele faz questão se identificar como “bicha preta”, para se desvencilhar da imagem do “homem macho”. Para Wallace, a realidade do LGBTQIA+ morador da periferia é difícil, porém, repleta de significados.

MAIS QUE UMA LETRA: no mês do orgulho LGBTQIA+, o G1 ouve pessoas da comunidade para explicar o que significa cada uma das letras, falar sobre seu processo de descoberta e os desafios que enfrentam.

“Ser bicha na periferia é muito cruel e muito poderoso também. Eu acho que a potência artística de uma bicha periférica alimenta culturalmente o Brasil inteiro”, revelou o bailarino.
Mas era de se esperar: várias das manifestações culturais que surgiram na periferia têm como protagonistas LGBTQIA+ negros, como é o caso do voguing, uma das danças que Wallace domina. A prática, que mistura movimentos sensuais, poses e performance, nasceu em guetos de Nova York, junto aos ballroons – literalmente “salões” – na década de 70.

“A ballroom é muito política”, explicou o bailarino.

Esses espaços abrigavam sobretudo mulheres e homens trans, além de homens cisgênero gays, principalmente negros, e pessoas de famílias hispano-americanas. À época, grande parte desta população era expulsa de casa ao se assumir e buscava acolhimento nas houses que organizavam as ballrooms, formando uma espécie de família.

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