Não à violência contra a mulher, por Iêda Leal

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(O popular, 11/07/2014) A Violência Contra a mulher vai além da agressão física. Humilhação e ofensa também são considerados violência. Estimular a população a denunciar casos de agressão doméstica é fundamental para se vencer essa luta, que deve ser levada para todos os lugares.

Em apoio à campanha nacional de combate à violência, que visa estimular as denúncias por meio da Central de Atendimento à mulher, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) vai levar o debate de gênero às escolas públicas de todo o País.

A ideia da Confederação é que as escolas organizem atividades para problematizar a violência contra as mulheres na comunidade escolar, além de divulgar o Disque 180, por meio da distribuição dos cartazes e promoção de reuniões e palestras.

Atualmente são contabilizados 4,4 assassinatos a cada 100 mil mulheres, número que coloca o Brasil no 7º lugar no ranking de países nesse tipo de crime. Goiás é o nono Estado brasileiro com a maior incidência da forma mais extrema de violência contra as mulheres, com a taxa de 5,7 homicídios femininos por 100 mil mulheres (IBGE, Censo 2010).

Nada justifica a violência que milhares de mulheres sofrem no mundo inteiro. Apesar dos avanços alcançados com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06), o número dos casos não diminuiu, mas a norma tem colaborado para atenuar o medo de denunciar o agressor.

A Educação é nossa principal bandeira de luta contra qualquer tipo de discriminação, por esse motivo, a campanha de combate à violência contra mulher precisa estar presente em todos os espaços, inclusive nas escolas.

Somos 90% mulheres na Educação, o diálogo com os nossos estudantes é fundamental, tanto aqueles que estão na educação infantil e fundamental, quanto os que estão saindo do ensino médio, pois eles são o futuro, os responsáveis por esta nação e precisam entender a importância de participar de uma campanha que vai dar mais dignidade às mulheres e esclarecer de vez sobre esse processo violento.

Investir na formação dos(as) educadores(as) para difundir a lei entre estudantes e suas famílias é essencial, pois as pessoas ainda desconhecem o teor da lei. A linguagem jurídica não é acessível a todos(as), portanto, não basta apenas distribuir a lei. É preciso debater a norma, explicar seu conteúdo, para que as pessoas, homens e mulheres, possam entender como a lei funciona e como ela pode nos proteger. O silêncio e o medo de denunciar os agressores precisam acabar. Denunciar é evitar que as agressões tomem outras dimensões. Eu ligo, a Educação liga. Ligue você também!

Iêda Leal é professora da Rede Pública de Ensino e diretora do Sintego, secretária de Combate ao Racismo da CNTE, conselheira do Conselho Estadual de Educação (CEE/GO), coordenadora do Centro de Referência Negra Lélia Gonzales e secretária da Igualdade Racial da CUT/GO

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