Estupro: medo compartilhado. Mil casos em Recife em 2016

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Duas mulheres estupradas em menos de um mês. Uma delas em plena luz do dia. Os crimes aconteceram nos bairros do Parnamirim, contra uma estudante de medicina, e nas Graças, contra uma empresária, ambos na Zona Norte do Recife. Outra foi agredida em plena via pública ‘apenas’ por ignorar um assédio, que na sociedade machista ganha o eufemismo de ‘cantada’. Três exemplos que trouxeram à tona o medo de sair para estudar, trabalhar, se divertir, enfim, essas tais coisas da vida que todo ser humano tem direito.

(NE10, 14/09/2016 acesse a íntegra)

Segundo a Secretaria de Defesa Social (SDS), do início deste ano até agosto, 965 ocorrências de estupro contra mulheres foram registradas em Pernambuco – uma média de quatro por dia. Os relatos compartilhados nas redes sociais e grupos de troca de mensagens têm em comum essas quatro letras: M.E.D.O. E diante da ameaça constante e da inoperância de quem tem como atribuição zelar pela segurança da população, o jeito é ‘se virar nos 30’.

Objetos que dão choque e spray de pimenta estão saindo dos bolsos dos policiais para entrar nas bolsas das mulheres. Andar na rua, ainda que com o dia claro como convém a uma manhã ou tarde de setembro virou motivo de tensão. Sozinha então, nem pensar!

Bastaram relatos de que o suspeito de um estupro estariam rondando uma faculdade para ninguém mais ter paz. Alguém que conhece alguém que conhece outro alguém viu ouviu ou soube de algo. Enquanto isso, o Poder Público orienta a vítima a ‘se proteger’ com: ‘evitar sair sozinha’ e evitar ruas escuras, as mesmas ruas que não deveriam ser escuras já que o contribuinte paga a taxa de iluminação pública.

A partir desses três casos, o Portal NE10 traz informações sobre esse misto de insegurança e cultura do machismo que deixa as mulheres sitiadas dentro da própria cidade, com medo de abrir um portão para entrar em casa, entrar e sair de um carro ou simplesmente andar por uma calçada.

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