Dado é de pesquisa Datafolha encomendada pelo Movimento Mulher 360.
Para 61% da população, a violência contra a mulher é a mais grave forma de criminalidade do país, à frente de situações como tráfico de drogas (mencionado por 16%) e roubo à mão armada (10%). O dado é de pesquisa Datafolha realizada em abril de 2026 com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais. O estudo foi encomendado pelo Movimento Mulher 360º.
Ao mesmo tempo em que reconhece a gravidade do problema, porém, parte significativa da população (45%) não enxerga que impedir a parceira de sair sozinha para uma confraternização é obrigatoriamente um ato de violência. Outros 42% também entendem que controlar o salário da companheira não é violento ou depende da relação entre ambos.
Resultado semelhante aparece quando o tema é o controle das amizades da parceira. Nesse caso, 41% afirmam que a situação não configura violência ou depende do contexto, enquanto 58% a identificam como violência.
Já episódios mais explícitos são amplamente reconhecidos. Humilhar a companheira em público é considerado violência contra a mulher por 94% dos entrevistados. O percentual sobe para 95% quando se trata de forçar uma relação sexual dentro do casamento.
A percepção sobre a violência é mais intensa entre as mulheres. Entre elas, 73% consideram a violência de gênero o problema mais grave do país, ante 49% dos homens. Entre mulheres mais jovens, de 16 a 24 anos, o índice alcança 77%.
A pesquisa também mostra que 89% da população avalia que os casos de violência contra a mulher aumentaram no último ano. Entre as mulheres, essa percepção chega a 94%. Além disso, 71% dos entrevistados acreditam que as mulheres correm mais perigo dentro de casa do que fora dela.
Relatos de violência
O levantamento incluiu ainda um módulo de autopreenchimento respondido por 875 mulheres, equivalente a 84% das 1.037 entrevistadas. Entre elas, 74% relataram ter vivido ao menos uma situação de violência de gênero ao longo da vida. Em média, cada vítima relatou ter passado por três situações diferentes de violência.
Os episódios mais frequentes foram insultos e xingamentos, citados por 59% das mulheres. Em seguida aparecem ameaças de agressão física, como bater, empurrar ou chutar, mencionadas por 45%, e situações de perseguição ou intimidação, relatadas por 43%.
Violência sexual
A pesquisa também registrou elevados índices de violência sexual. Segundo os relatos, 38% das mulheres já foram tocadas ou agarradas sem consentimento. Um quarto afirmou já ter sido espancada ou vítima de tentativa de enforcamento, enquanto 22% disseram ter sido ameaçadas com armas ou facas.
Os dados revelam ainda a persistência da culpabilização das vítimas. Para 61% dos entrevistados, muitos casos de violência contra a mulher são consequência de escolhas equivocadas feitas por elas ao selecionar seus parceiros.
Entre as mulheres que sofreram a agressão considerada mais impactante no último ano, 37% afirmaram não ter tomado nenhuma atitude após o episódio.
Confiança nas instituições
A confiança nas instituições também aparece limitada. Apenas 19% das mulheres dizem confiar muito na polícia para protegê-las, percentual que sobe para 31% entre os homens. Em relação à legislação de proteção às mulheres, 55% dos homens a consideram eficiente. Entre as mulheres, o mesmo percentual demonstra desconfiança sobre sua efetividade.