Opinião | Não nos matem, por Coletivo de Mulheres Negras Baobá

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Mulheres negras são as principais vítimas de feminicídio no DF

(Brasil de Fato | 11/10/2021 | Por Coletivo de Mulheres Negras Baobá)

A violência de gênero, embora possua uma característica transversal, ou seja, de que todas as mulheres podem ser vítimas de violência doméstica e de feminicídio, independente da sua raça ou classe social, os dados confirmam que as principais vítimas são as mulheres negras.

De acordo com Sueli Carneiro, filósofa, escritora e ativista antirracista do movimento social negro e de mulheres, “por mais que todas as mulheres estejam sujeitas a esse tipo de violência, já que é sistemática, se faz importante observar o grupo que está mais suscetível a ela, já que seus corpos vêm sendo desumanizados historicamente, ultrassexualizados, vistos como objeto sexual”.

A CPI do Feminicídio instalada na Câmara Legislativa do Distrito Federal no dia 5 de novembro de 2019, ao aprovar seu relatório final em 10 de maio de 2021, que será encaminhado a autoridades do DF, concluiu os trabalhos investigativos de que há omissão e falhas no tratamento às vítimas de violência doméstica e de feminicídio.

Segundo o relatório, que analisou 90 casos de tentativas e de feminicídios consumados entre 2019 e 2020, as mulheres negras são as principais vítimas no DF, cerca de 79%, praticamente 8 de cada 10 vítimas. Quase 50% já tinham medidas protetivas de urgência contra o agressor antes do crime e em 75% dos casos verificou-se denúncias e registros anteriores aos assassinatos.

Em 2021, somente no primeiro trimestre, o DF já registrou alta de 40% os números de tentativas de feminicídio em relação ao ano passado. Os agressores, na sua maioria, são maridos ou ex-maridos e os atos se configuram ligados dentro de suas casas.

Essas mulheres são afetadas em seus corpos por uma desgastante rotina de trabalho dentro e fora de seus lares, constatando as relações desiguais de poder entre elas e os homens.

*O Coletivo de Mulheres Negas Baobá do DF e Entorno, fundado em 30 de dezembro de 2020, é uma articulação política, que visa promover o enfrentamento contra o racismo, machismo, sexismo, lesbofobia, transfobia, toda forma de violência contra a mulher negra. Por meio da prática do Bem Viver social com envolvimento histórico, social, econômico, político e cultural das pessoas negras, em especial das mulheres negras, principalmente as envolvidas nos espaços comunitários.

 

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