USP Leste tem novas pichações racistas: ‘Preto tem que morrer’

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(R7, 12/05/2015) Frases preconceituosas foram encontradas dentro dos banheiros da universidade, diz estudante

Pichações agressivas contra estudantes negros voltaram a acontecer dentro da USP Leste. Na última quinta-feira (7), alunas se depararam com frases racistas dentro dos banheiros femininos.

O conteúdo agressivo com expressões do tipo “preto tem que morrer” causou indignação. A aluna do curso de gestão de políticas públicas da universidade, Bruna Tamires, afirma que o Coletivo de Negras e Negros formado dentro da universidade, do qual faz parte, passou em todas as salas de aula para contar sobre as ofensas.

Em fevereiro, frases racistas foram pichadas no banheiro masculino (Foto: Bruna Tamires/facebook)

— A gente não sabe quem foi, passamos em todas as aulas para contar o que tinha acontecido. Avisar para os racistas que negras existem na universidade e o espaço universitário também é nosso e tem que ser transformado e não dessa forma.

Em fevereiro deste ano, as agressões verbais do tipo “fora macacos lugar de negro é na senzala” [sic] foram encontradas no banheiro masculino. Após o episódio, o Coletivo de Negras e Negros foi criado.

O grupo denunciou os casos à Each (Escola de Artes, Ciências e Humanidades). A Comissão de Defesa da Diversidade, Direitos Humanos e Democracia da escola classificou como “lamentável e inaceitável os episódios de racismo e intolerância”.

“A existência de ofensas racistas, misóginas, sexistas e homofóbicas é intolerável em qualquer ambiente, sua aparição em pichações de espaços públicos de nossa escola revela características intrínsecas e assustadoras que ainda persistem em nossa sociedade, por mais inacreditável e surreal que possa parecer… Portanto, entendemos ser necessário demarcarmos que a Direção da EACH, através desta comissão, rechaça toda e qualquer tipo de manifestação desta natureza, bem como qualquer discurso que vise diminuir a gravidade de situações como estas”.

O coletivo agora quer realizar uma aula aberta sobre cotas.

— Nós queremos que todos assistam aulas que debatam essas políticas afirmativas. A gente percebeu enquanto coletivo que quanto mais negros foram aparecendo, mais ações racistas fizeram. Algumas pessoas brancas se sentem incomodadas.

A estudante afirma que o racismo ainda é bem visível na sociedade.

— Parece que foi há muito tempo, a abolição foi em 1888, 130 anos atrás. A sociedade faz a gente acreditar que foi há muito tempo, mas é recente, é visível.

Acesse no site de origem: USP Leste tem novas pichações racistas: ‘Preto tem que morrer’ (R7, 12/05/2015)

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