Um Uber só para mulheres

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(El País, 24/04/2016) Casal inaugura nos EUA o aplicativo SafeHer pensado para evitar o assédio

Há dois anos, todas as startups se definiam como “O Uber de…” qualquer ideia louca que passasse pela cabeça. De passear com o cachorro a comida quente, passando por buscar as crianças no colégio. O sucesso da empresa de transporte criou uma onda de serviços sob demanda, definidos também como gratificação imediata, que pouco a pouco foi diminuindo à medida que os investidores de capital de risco deixaram de apostar nesse setor.

O Uber, entretanto, tem alguns pontos a melhorar. Um deles é o assédio contra as mulheres. É nisso que está centrado o SafeHer (Seguro para ela), um serviço muito parecido, mas pensado para o público feminino, especialmente as que tiveram uma experiência desagradável em alguma viagem.

O plano inicial era inaugurá-lo em 19 de abril e oferecer transporte em automóvel somente a mulheres e crianças maiores de 13 anos nos arredores de Boston, onde vivem. Mas o interesse despertado fez com que mudassem a data do lançamento e o levassem às duas costas dos Estados Unidos. Além de aceitar somente determinados tipos de perfis como clientes, possuem algumas diferenças em relação ao Uber. A forma de cobrança será mais parecida a do táxi, levando em consideração mais a distância do que o tempo, e não irão colocar uma tarifa que muda de acordo com a demanda, um dos pontos mais polêmicos do Uber.

Mas a diferença mais notável com o Uber é que as motoristas serão somente mulheres e seu histórico criminal será avaliado em busca de antecedentes.

Chama a atenção o fato de que Michael Pelletz, o cofundador do novo aplicativo (criado junto com a mulher), foi motorista do Uber. “Nossa meta é que em cinco anos esse assunto não seja relevante. Gostaríamos que com nosso exemplo essa tendência fosse seguida para reforçar a segurança, algo que hoje não acontece”, frisa Pelletz. Desde seu nascimento, o Uber conta com diversas e violentas histórias que atentam contra a privacidade, não só com os motoristas, mas também com parte de sua diretoria, que chegou a considerar uma boa ideia espionar jornalistas.

A ideia surgiu a partir de uma experiência ruim de Pelletz. Uma noite, quando realizava a última viagem do dia, voltando para casa, um jovem o ameaçou e pediu que o levasse à casa de sua avó. Iniciaram uma discussão e terminaram na delegacia. “E se fosse uma mulher?”, se pergunta. Por último, se apresentam como uma organização sem fins lucrativos. Os lucros que obtiverem serão enviados às causas escolhidas pelos clientes.

Rosa Jiménez Cano

Acesse no site de origem: Um Uber só para mulheres (El País, 24/04/2016)

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