Uma menina de dez anos aborta e é nosso dever nos unir à dor dela

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O dia seguinte ao aborto deve ser o dia em que tocaremos mais uma vez à porta do STF para lembrar aos onze ministros que a peregrinação desta menina poderia ter sido evitada se eles tivessem a coragem da justiça para descriminalizar o aborto no país

(EL PAÍS | 16/08/2020| Por Debora Diniz)

Eu a imaginei antes de vê-la. Imaginá-la é oferecer-me a sua dor, desesperar-me com seu desamparo. Como imaginar uma menina de dez anos vítima de estupro? Tristemente, ela era exatamente ela. Uma menina negra, miudinha, com sandália de dedos nos pés e um vestido florido. A vi de costas, um sapo verde de pelúcia entre os braços deixava a cena ainda mais desconcertante. Era o real em forma de sentença: uma menina pobre, negra, vítima de abuso sexual infantil, à espera de um médico salvador. Em sua cidade, São Mateus, no Espírito Santo, os médicos recusaram-se a cumprir a lei. Desconheço o que alegaram para justificar a covardia. Ela atravessou fronteiras, fez a primeira viagem de avião para ter acesso ao que deveria ser um direito. Sem escândalo ou favores, só o direito ao aborto porque foi violentada e corria risco de vida.

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