39% das brasileiras consideram a violência sexual sua maior preocupação

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A violência sexual é considerada o maior problema enfrentado pelas mulheres e meninas no Brasil, como mostrou a pesquisa global “International Women’s Day 2019 – Global atitudes towards gender equality” da Ipsos. Para 39% das brasileiras, a violência sexual é a questão mais significativa, seguida por violência física (34%) e assédio sexual (28%).

(Universa, 07/03/2019 – acesse no site de origem)

Quase 20 mil pessoas foram ouvidas para o estudo na África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, China, Coreia do Sul, GrãBretanha, Espanha, EUA, França, Hungria, Índia, Itália, Japão, Malásia, México, Peru, Polônia, Rússia, Sérvia, Suécia e Turquia.

“No ano passado, tivemos aumento considerável no número de feminicídio e tentativas de assassinatos de mulheres no Brasil. O país é hoje o quinto que mais mata mulheres do mundo. Estes casos estão sendo amplamente noticiados pela imprensa que coloca a questão em maior evidência, se tornando o cerne da preocupação das questões de equidade de gênero no país”, afirma Maiani Machado, diretora da área de reputação
corporativa na Ipsos.

No mundo, os maiores problemas listados são os mesmos do Brasil, mas a ordem é diferente. Assédio sexual lidera o ranking (30%), violência sexual está na segunda colocação (27%) e violência física e igualdade salarial ficaram em terceiro lugar, com
22%.

O quarto tema globalmente mais citado, também relacionado à violência, é o abuso doméstico, com 20%. O assunto também aparece em quarto lugar no Brasil, com 19%.

No Brasil, a igualdade salarial é o quinto assunto mais crítico para 17% das pessoas entrevistadas. Por outro lado, o tema lidera em outros países, como Chile, Canadá, Hungria, Holanda Suécia e Grã-Bretanha, com índices que variam entre 29% a 38%.

Igualdade de gênero

Para sete em cada dez pessoas entrevistadas globalmente (69%), a equiparação salarial é a ação com impacto mais positivo para alcançar a igualdade entre homens e mulheres.

A criação de leis mais duras para prevenir a violência e o assédio contra as mulheres é a segunda atitude (68%) que mais deve ajudar a promover a igualdade.

Dividir a responsabilidade da criação das crianças e do cuidado do lar (66%), educar meninos e meninas sobre a importância da igualdade de gênero na escola (66%) também estão entre as ações que podem ajudar a alcançar a igualdade de direitos entre homens e mulheres.

No mundo, dois terços das pessoas entrevistadas (65%) concordam que as mulheres não vão atingir a igualdade sem que os homens também tomem ações para apoiar os direitos das mulheres. No Brasil, 60% concordam com essa afirmação. O Peru, a Sérvia e a África do Sul são os países que mais concordam com essa visão. Por outro lado, Japão, Polônia e Itália apresentam os menores índices.

Na média global, mais pessoas discordam (49%) do que concordam (42%) que dar direitos iguais a homens e mulheres foi longe demais. Para dois terços (65%), alcançar a igualdade de gênero é pessoalmente importante para eles. Os índices mais altos são do Peru e Colômbia e os mais baixos aparecem no Japão e Rússia. O Brasil aparece com 61%.

Homens e mulheres

O Brasil é o terceiro país que mais concorda com a afirmação “um homem que fica em casa para cuidar das crianças é menos homem”, com 26%. A Coreia do Sul é a nação que mais concorda com essa frase (76%), seguida pela Índia (39%). Globalmente, o índice é de 18%.

Uma em cada três pessoas (33%) se descreve como feminista — o que representa queda em relação ao ano passado (37%). O maior percentual foi encontrado na Índia, seguido por África do Sul, Espanha e Brasil. Os mais baixos foram encontrados no Japão, Hungria e Rússia.

No mundo, cinco em cada dez (52%) acreditam que existem mais vantagens em ser homem do que mulher atualmente. O Chile lidera nessa questão, com 72%, enquanto o Brasil aparece em 22º lugar, com 45%.

Metade das pessoas (50%) acredita que as mulheres hoje têm vidas melhores do que as da geração de seus pais. Chile, Colômbia e Índia são os países que mais concordam com esse tema, enquanto o Japão é o que menos concorda. No Brasil, o índice é de 50%.

Discriminação por área

A educação é a área em que as pessoas acreditam que a igualdade será alcançada primeiro — cerca de metade (47%) está confiante que a discriminação contra as mulheres na educação terá terminado em 20 anos. No Brasil, o índice é de 57%, dez pontos percentuais acima da média global.

Entretanto, as pessoas estão menos confiantes de que isso vá acontecer no governo e na política (37%). No Brasil, 47% estão confiantes que a igualdade nesse tema será alcançada nos próximos 20 anos. Os mais pessimistas quanto a isso estão na Hungria, Chile e Japão.

A pesquisa foi feita em 27 países, incluindo o Brasil, com 18.800 pessoas, sendo mil brasileiras, entre os dias 21 de dezembro de 2018 e 4 de janeiro de 2019.

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