Caboclo de volta à CBF é o mesmo que naturalizar violência contra a mulher

Compartilhar:
image_pdfPDF

Entidade precisa respeitar seu Código de Ética e trazer justiça para um caso que mancha a história do esporte brasileiro

(Folha de São Paulo | 23/09/2021 | Por Djamila Ribeiro)

Assédio no geral envolve uma relação assimétrica. No Brasil, ainda engatinhando em políticas de equidade de gênero e de raça em ambientes corporativos, dada a construção histórica da sociedade, a grande maioria dos cargos de poder são exercidos por homens brancos, que já são beneficiados como um todo por vivermos em uma sociedade patriarcal. Logo, nesses casos há uma dupla assimetria: ser homem e ser chefe.

É necessário destacar que pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Locomotiva, em 2021, aponta que 76% das mulheres já sofreram violência e assédio no trabalho, e 92% das pessoas entrevistadas concordam que mulheres sofrem mais situações de constrangimento e assédio no trabalho do que os homens. É uma situação naturalizada —que impõe grandes constrangimentos às mulheres no Brasil.

Na origem da palavra, assédio traz uma ideia de cerco. Então, embora possa ocorrer, não se trata de um evento isolado, uma conduta radical no meio de uma normalidade respeitosa. É de passo em passo, diminuindo a distância, avançando os limites, em um movimento circular que vai afunilando até a vítima estar encurralada.

Djamila Ribeiro

Mestre em filosofia política pela Unifesp e coordenadora da coleção de livros Feminismos Plurais.

Acesse o artigo completo no site de origem

Compartilhar: