Campanha mapeia casos de abuso sexual por profissionais da saúde

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A plataforma #OndeDói vai reunir depoimentos de mulheres, além de acolher e orientar as vítimas

(Catraca Livre, 10/12/2019 – acesse no site de origem)

A visita ao pediatra para rever resultados de um exame de estômago foi a oportunidade que um médico de Umuarama, no Paraná, usou para cometer abuso sexual contra uma paciente de 16 anos. A vítima, a atriz Nina Marqueti, de 27 anos, se calou por 10 anos, mas agora decidiu agir para evitar que outras meninas e mulheres passem pelo mesmo trauma.

Nesta terça-feira, 10, Nina lança a campanha #OndeDói, que tem como objetivo mapear os casos de violência sexual cometidos por profissionais da saúde em consultórios, hospitais, postos e ambulatórios, além de acolher e orientar as vítimas nas áreas jurídica e psicológica. “Só nós, que passamos por isso, sabemos onde dói”, afirma a criadora do projeto.

Em entrevista à Catraca Livre, Nina conta que o estopim da campanha foi quando um veículo de comunicação pediu para entrevistá-la para uma reportagem sobre o tema e ela ficou sem saber se revelaria sua identidade ou faria uma denúncia anônima. O que a motivou a se identificar foram as mulheres que participaram de seu processo de cura e tiveram coragem de denunciar publicamente a violência que sofreram.

“Entendi que eu poderia, revelando a minha identidade e enfatizando o fato de que ser vítima de um crime sexual não é uma vergonha, ajudar outras pessoas que ainda sofrem silenciando as dores de terem suas vidas alteradas pela violência sexual”, explica.

Durante uma pesquisa feita pela atriz junto a grupos feministas do Brasil e do exterior, foi constatado que não há dados específicos sobre violência sexual cometida por profissionais de saúde.

questionário no site da campanha, onde mulheres poderão relatar suas histórias anonimamente e ler depoimentos de outras pessoas, vai permitir analisar o número de casos, as regiões do país mais afetadas e as diferentes formas que a violência sexual assume em hospitais, clínicas e postos de saúde.

“Levantar um volume de informações sobre esses abusos também vai possibilitar exercer pressão sobre o poder público para que tome as providências necessárias e esses crimes sejam investigados, processados e julgados”, acrescenta a idealizadora.

Os dados vão ser transformados em uma cartilha ilustrada como forma de ajudar a orientar a população e evitar que mais pacientes sofram esse tipo de violência, respondendo a questões como: É possível ter sempre outra pessoa presente na consulta, além da paciente e do médico? Quando uma pergunta ou um gesto incomoda a paciente, qual deve ser a primeira atitude para evitar que a situação constrangedora vá adiante?

Segundo a atriz, a campanha tem apoio de uma rede de advogadas, escritoras, jornalistas e uma ilustradora que vão trabalhar de maneira voluntária para que a cartilha saia mais completa, didática e inclusiva possível. Futuramente, esse manual estará disponível para download no site da campanha.

Quer saber mais e/ou enviar seu depoimento ao projeto? Confira o site, o Instagram e o vídeo da campanha:

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