O que é ser mulher hoje?

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Feminicídio, importunação sexual, violência e política: como foi o último ano para elas no Brasil

(Universa, 08/03/2019 – acesse a íntegra no site de origem)

As mulheres brasileiras vivem em um mundo ambíguo. De um lado, conquistam mais espaço na política, aprovam leis para se proteger e reivindicam estar onde têm direito de estar. Ao mesmo tempo, são aprisionadas em relacionamentos abusivos e alvo dos mais variados e cruéis tipos de violência doméstica,  sexual e assédio.

Neste Dia Internacional da Mulher, a Universa completa um ano de vida. De março de 2018 até agora, vimos o Brasil tornar-se mais consciente em relação à vida de mais de 100 milhões de mulheres. Foram 12 meses de histórias de quem desafiou barreiras milenares de desigualdade de gênero, com conquistas tão tímidas quanto inéditas na história. Elas, aos poucos, ocupam espaços e lutam, mostrando sua força, enquanto vivem diariamente um cotidiano cruel.

Falar da violência salva vidas

Olhar para trás, nesse caso, significa lembrar de casos como a morte da advogada Tatiane Spitzner. Ela foi espancada pelo marido em julho de 2018, despencou do quarto andar do prédio onde morava, no Paraná.Um caso emblemático dentre tantos outros de feminicídio.

Relembrar histórias revoltantes como essa faz com que mais gente perceba a importância da denúncia e de como a violência predomina sobre a vida das mulheres.

Nos últimos 12 meses, algumas delas decidiram falar sobre os estupros cometidos durante décadas por João de Deus. Elas deram força para outras centenas. A coragem para expor e a quantidade impressionante de crimes dos quais ele é suspeito fez com que o caso se tornasse um dos maiores de estupro do país. Hoje, o médium está na cadeia há dois meses e aguarda julgamento.

Os assassinos da transgênero Dandara dos Santos — espancada no meio da rua à luz do dia, no Ceará — também foram condenados pelo crime. O que ainda não significa que estamos perto de acabar com crimes de ódio: o Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo, segundo dados da ONG Transgender Europe, com sede na Suécia.

2018 também foi um ano de impunidade: os assassinos da vereadora carioca Marielle Santos, mulher negra, bissexual e da periferia fluminense continuam no anonimato. Mesmo depois de ser fuzilada em uma avenida do Rio, seu legado é questionado por políticos de posição contrária. Falar de sua morte estimula sentimentos de injustiça e também força.

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