Em 2006, as mulheres levaram a eleição para o 2º turno

21/06/2010 - 14:26 -
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Acesse o artigo na íntegra: O poder do voto feminino, por Fátima Pacheco Jordão


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Historicamente tem-se observado que as mulheres aguardam que o quadro de informações das campanhas esteja mais completo, e só se interessam mais fortemente pelas eleições quando o horário eleitoral gratuito começa e os debates entre os candidatos são realizados. Mais ainda, as eleitoras ficam na expectativa de algo que afete diretamente a vida da população, como propostas para a saúde, educação, desemprego e segurança, entre outras. Pela experiência das campanhas anteriores, sabe-se que esse processo de tomada de decisão sobre intenção de voto se dá mais consistentemente durante o período de propaganda eleitoral gratuita.

Eleitoras: decisão de voto mais consciente e consistente

Na véspera do 1º turno da última eleição presidencial (30/09/2006), as pesquisas de intenção de voto indicavam que, se dependesse dos homens, o candidato Lula ganharia no 1º turno; mas as mulheres mostravam que ainda precisavam de uma segunda rodada de campanha para escolher seu candidato. E, embora a mídia e os partidos apostassem em uma decisão no 1º turno, as mulheres levaram as eleições para o 2º turno. Tudo indica que elas não se sentiam suficientemente esclarecidas, e também ficaram relutantes diante dos “dossiês” e de outros eventos de oportunismo eleitoral, que desviaram o foco das propostas voltadas para a população.

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Gráfico 1 – Pesquisa Ibope 1º turno (30/09/2006); voto estimulado


Eleições 2006: mulheres eram 61% dos indecisos na véspera das eleições

Em 2006, 16% não haviam escolhido seu candidato no dia anterior ao pleito, sendo 19% mulheres e 12% homens –ou seja, 61% dos indecisos eram mulheres. Este padrão se repetiu em várias eleições no passado.

Como foi dito anteriormente, uma parcela das eleitoras aguarda até o último momento e até a última informação disponível para se definir com mais convicção.

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Gráfico 2 – Pesquisa Ibope (setembro/2006)


Eleições 2010: as pesquisas e o fim do ciclo das pré-candidaturas

As pesquisas de maio de 2010 refletem a fase de pré-candidaturas. Os institutos trabalharam com vários cenários de nomes ao longo deste ano e, em todas as rodadas, o mesmo padrão foi observado: mulheres aguardando as próximas etapas do processo e homens mais definidos em suas escolhas.

Por exemplo: na última pesquisa Ibope, realizada no fim de maio, verifica-se na resposta espontânea que 36% estão indecisos, sendo 40% mulheres e 32% homens. Ou seja, o padrão observado se confirma neste estágio da campanha.

Outros destaques do artigo:
O poder do voto feminino, por Fátima Pacheco Jordão
Em junho de 2010, Dilma lidera entre os homens e Serra, entre as mulheres
Por que as diferenças entre eleitores e eleitoras?
A percepção das mulheres sobre os atributos dos candidatos
Daqui para frente as campanhas precisam falar com as mulheres

Acesse o artigo na íntegra: O poder do voto feminino, por Fátima Pacheco Jordão

Sobre a autora: Fátima Pacheco Jordão é socióloga e especialista em pesquisas de opinião. Fundadora do Instituto Patrícia Galvão, é assessora de pesquisa da TV Cultura.

Este artigo foi elaborado no contexto do Projeto Mulheres em Espaços de Poder e Decisão do Instituto Patrícia Galvão, que tem o objetivo de analisar a percepção das mulheres enquanto eleitoras, com base nos levantamentos sobre intenção de voto realizados por institutos de pesquisa de opinião.

Contato com a autora:

Fátima Pacheco Jordão – socióloga
TV Cultura e Instituto Patrícia Galvão
São Paulo/SP
(11) 3826-7651 / 9423-9402 – [email protected]
Fala sobre: mídia; estratégias de comunicação; pesquisas de opinião


Indicação de fontes:

Clara Araújo – socióloga e pesquisadora
Departamento de Ciências Sociais da UERJ
Rio de Janeiro/RJ
(21) 2587-7678 – [email protected]
Fala sobre: participação das mulheres na política

José Eustáquio Diniz Alves – demógrafo e pesquisador
Professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais
da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE
Rio de Janeiro/RJ
(21) 214246 89 / 2142-46 96 / 9966 6432 – [email protected]
Fala sobre: política, poder e a baixa representação das mulheres nos espaços de decisão; pesquisas e dados sobre essa realidade em outros países