Julho das Pretas, por Flávia Oliveira

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Protagonismo delas é tão óbvio quanto reconhecido

Um mês depois de a multidão indignada arrancar do pedestal — e lançar num rio de Bristol, no Reino Unido — a estátua do comerciante de escravizados Edward Colston, uma mulher negra foi içada a monumento na mesma praça, no mesmo ponto, como alvorecer de uma necessária era antirracista. O escultor britânico Marc Quinn, famoso pelas obras provocativas, eternizou — por um dia, posto que o poder público removeu a ousadia — em resina e aço o gesto da jovem Jen Reid: braço direito erguido, punho cerrado. Nos Estados Unidos, a onda de manifestações em reação ao assassinato por asfixia do americano George Floyd, homem negro, por um policial branco também resultou num reconhecimento simbólico ao ativismo feminino numa capa da revista “Rolling Stone”. O artista visual Kadir Nelson batizou de “American Uprising” (revolta americana em tradução livre) a obra com uma moça e um menino negros à frente dos manifestantes, numa releitura declarada de “A liberdade guiando o povo”, tela de Eugène Delacroix que representa o espírito da Revolução Francesa.

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