O estigma leva quenianas ao aborto clandestino

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(Estado de Minas | 02/10/2021 | Por AFP)

Victoria Atieno esperava seu ônibus quando sentiu que começava a sangrar de maneira contínua, revelando seu segredo mais íntimo no meio da rua: um auto-aborto, praticado por milhares de quenianas apesar de suas consequências muitas vezes fatais.

A Constituição do país africano permite o aborto em alguns casos, mas a exclusão de quem recorreu à interrupção da gravidez, leva muitas mulheres a usar métodos mais tradicionais como ervas, água sanitária ou agulhas ou a recorrer a clínicas clandestinas.

Victoria Atieno era consultora de saúde reprodutiva em uma clínica de uma ONG de Nairóbi. Quando ela quis interromper a gravidez, ela engoliu secretamente uma mistura de ervas.

Se sabem que você fez um aborto, “as pessoas condenam você, tratam você como um criminoso, tentam expulsar da comunidade”, explica à AFP esta mãe de três filhos, de 35 anos.

Horas depois de tomar a mistura de ervas, seu pior pesadelo se tornou realidade e sua gravidez terminou em plena luz do dia, diante de dezenas de olhares de reprovação.

Os auto-abortos têm consequências terríveis para a saúde: ruptura do útero, lacerações do colo do útero ou da vagina, infecções graves, sangramento e algumas vezes a morte.

– Proibição legal –

No Quênia, um país muito religioso e com governo cristão, até as mulheres que abortam em instalações médicas sentem que estão cometendo um crime.

Quase um ano depois de interromper sua gravidez após um estupro coletivo, Susan, mãe de três filhos, carrega uma grande culpa.

“As pessoas veem você como um assassino (…) Não tenho a sensação de ter feito uma coisa tão ruim”, explica a mulher de 36 anos.

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