Pauta de costumes e gênero motiva ‘guerra’ e incendeia discussões na Câmara de SP

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Polarização cresce com a chegada de novatos, e vereadores acusam uns aos outros de radicais

(Folha de São Paulo | 08/07/2021 | Por Artur Rodrigues)

SÃO PAULO

Um conjunto de ativistas vestidas de aias, personagem da série “The Handmaid’s Tale”, uma distopia sobre um país tomado pelo ultraconservadorismo, protesta na frente da Câmara Municipal de São Paulo contra um projeto que sugere abstinência sexual a adolescentes.

Do lado de dentro da Casa, vereadores conservadores acusam esquerdistas de tentarem acabar com a família e ensinar modalidades sexuais a crianças.

No dia a dia da Câmara, a polarização e as discussões sobre costumes e gênero têm ficado cada vez mais inflamadas. Tudo isso é amplificado nas redes sociais, garantindo engajamento da militância independentemente do resultado dos pleitos.

Enquanto esquerdistas e direitistas acusam uns aos outros de radicalismo, alguns vereadores mais antigos veem esse tipo de debate como algo desvinculado das prioridades da cidade, em meio à pandemia e com projetos vitais para votação.

O clima começou a esquentar devido à renovação da Casa, com vereadores novatos do PSOL e outros com afinidades a ideias bolsonaristas.

Os embates começaram logo no início do ano, com o primeiro discurso da vereadora bolsonarista Sonaira Fernandes (Republicanos), afirmando que que há uma agenda que “pretende feminilizar o homem e masculinizar as mulheres”. Erika Hilton (PSOL), vereadora transexual, se ofendeu e afirmou que se tratava de “ataque tão vexatório e desequilibrado”.

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