Noite do Oscar é marcada por discursos pró-minorias

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(Revista O Grito, 23/02/2015) No ano em que se apregoa uma crise da indústria cinematográfica, o Oscar destacou os independentes em sua premiação da noite deste domingo (22). Birdman foi o grande vencedor com os troféus de melhor filme e diretor para Alejandro González Iñárritu. O Grande Hotel Budapeste, Whiplash e Boyhood também se destacaram e dividiram a maioria dos prêmios.

A noite também foi marcada por discursos fortes e politizados sobre direitos das minorias.

Birdman saiu com o maior prêmio da noite, melhor filme, além de levar como melhor fotografia e melhor roteiro original. Já Boyhood venceu melhor atriz para Patricia Arquette e. Outra zero surpresa foi a merecida vitória de Julianne Moore por Para Sempre Alice. Depois de vencer em todos os prêmios anteriores ao Oscar ela dedicou a vitória aos pacientes que lutam contra o mal de Alzheimer, tema do longa. “As pessoas precisam ser vistas para que possamos achar uma cura”, disse.

Entre os filmes estrangeiros Ida, da Polônia confirmou o favoritismo. Já em animação, uma surpresa: Operação Big Hero, da Pixar/Marvel bateu o favorito Como Treinar Seu Dragão 2. Em documentário, Laura Poitras ganhou com Citizenfour, sobre os bastidores do vazamento das espionagens da NSA por Edward Snowden.

Feminismo

O feminismo deu o tom na premiação. O mais importante foi o discurso de Patricia Arquette, que venceu como melhor atriz coadjuvante por Boyhood. Ela pediu equidade de salários para as mulheres. “[Dedico] a toda mulher que já deu a luz, todo cidadão que paga impostos. Esse é a hora de ter igualdade de direitos para as mulheres”. Seu texto foi saudado com entusiasmo por Meryl Streep na plateia, o que se transformou automaticamente em meme nas redes sociais.

Arquette nunca tinha sido indicada ao Oscar e estava afastada de produções importantes. No entanto sua atuação como uma mãe dedicada em Boyhood rendeu prêmios em toda a temporada: levou Globo de Ouro, Bafta, SAG Awards, Spirit Awards e Critic’s Choice. Ellar Coltrane, que interpretou o seu filho no longa, chorou bastante emocionado na plateia.

Outro ponto a favor de igualdade no Oscar foi a hashtag #askhermore, que protestava contra as perguntas vazias e sexistas feitas pelos entrevistadores no tapete vermelho. Atrizes e fãs pediram que fosse perguntado às atrizes coisas mais relevantes além dos vestidos e cabelo.

A emoção em Selma

Em uma série de apresentações sem muito apelo, variando do tédio (Adam Levine) ao constrangimento (Tegan and Sara), o ponto alto dos shows foi John Legend e Commom com “Glory”, trilha do filme Selma. A Academia tentou se redimir em ter indicado o longa em apenas duas categorias, “música original” e “melhor filme”.

Esse mico já nas indicações abriu uma discussão antiga da baixa representatividade étnica no Oscar. Este ano não houve nenhum ator ou atriz negro indicado em nenhuma das quatro categorias de atuação. E Selma, um longa sobre Martin Luther King Jr., um dos maiores nomes na luta por igualdade racial, foi esnobado em praticamente tudo. A hashtag “OscarSoWhite” (Oscar muito branco) entrou nos Trending Topics momentos antes da premiação.

Ao subir para receber o prêmio John Legend lembrou do racismo que ainda existe nos EUA e atentou para o fato de que o país tem mais negros presos do que escravos em 1850.

“Stay Weird”

O jovem roteirista Graham Moore fez um discurso emocionado ao agradecer o prêmio de melhor roteiro adaptado por O Jogo da Imitação. Ele lembrou que tentou se matar e disse que todos deveriam se manter fortes e nunca desistir. “Permaneçam ‘esquisitos’, permaneçam diferentes (“Stay weird, stay different”)”, disse.

Apresentado pelo ator Neil Patrick Harris, o Oscar teve roteiro fraco, com muitas autorreferências e piadas bem aquém do ano passado (ex: uma piada sobre escargot ao apresentar Marion Cotillard e tiradas sobre traição ao falar de Edward Snowden que ninguém achou muita graça). Sem ritmo, Harris prolongou uma esquete com suas previsões do prêmio durante todo o evento, cansando a audiência. O único ponto alto foi a abertura que contou com participação de Jack Black e Anna Kendrick e uma paródia de Birdman.

Acesse no site de origem: Com discursos pró-minorias, Oscar consagra Birdman e Grande Hotel Budapeste (Revista O Grito, 23/02/2015) 

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