18/12/2011 – Clube de mulheres na Malásia prega submissão incondicional aos homens

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owcmalasia_ditaalangkara(Folha de S.Paulo)

Clube polêmico na Malásia prega em livro a submissão, principalmente sexual, das mulheres

Há um clube na Malásia onde as mulheres aprendem que elas não devem se comportar como prostitutas. Elas têm de ser melhores.

“A mulher tem de servir ao marido melhor do que uma garota de programa de luxo. Ela tem de ser submetida aos desejos dele e satisfazê-lo sem cobrar nada”, afirma Fauziah Ariffin à Folha.

Ariffin é a presidente do OWC (clube das mulheres obedientes, na sigla em inglês). O grupo diz ter 2.500 membros, somando aqueles da Malásia e da Indonésia.

A fundação do OWC levantou debate público na Malásia, país visto como progressista entre nações muçulmanas. Membros do governo, como Shahrizat Abdul Jalil, ministra de Política Familiar, se posicionaram contra o clube.

O grupo lançou um guia sobre sexo. A obra foi proibida pelo governo. O título: “Enfrentando os Judeus para Trazer de Volta o Sexo Islâmico”.

Judeus?

“Foram eles que desviaram o marido e a mulher das verdades da vida de casados”, explica Ariffin. “Então, nós lutamos para trazer de volta esse sexo puro e islâmico.”

O que implica, entre outras coisas, aceitar a poligamia. Além do ensinamento que está no nome do clube: obediência, e não apenas a sexual.

“Quando o marido chega em casa, a mulher não o recebe com um sorriso quente e instigante e um vestido sexy borrifado com fragrâncias que estimulem o desejo sexual”, diz a presidente. “Ela ainda não é a amante que sempre estará lá para obedecer, servir e entreter o marido quando e onde ele precisar.”

Porcentagem

Uma pesquisa do OWC constata que os maridos costumam receber apenas 10% da obediência da mulher -quando merecem 100%.

“Se eu fosse o marido [que recebe toda a obediência], amaria mais minha mulher e a tornaria o anjo da minha vida”, afirma Ariffin.

O subtexto, no país muçulmano com mais divórcios do mundo, é de que é uma saída para manter o casamento.

Foi com essa crença que a farmacêutica Daziana abd Ghafar, 40, entrou no OWC.

“Quero ser uma boa mulher, por amor a Deus. Para isso, é preciso entrar no clube”, afirma. Ela está casada desde os 24 anos. O marido tem outras duas mulheres.

“O Ocidente não entende que o que o marido realmente quer é que as mulheres sejam obedientes”, diz.

A blogueira feminista Alicia Izharuddin, 29, comemora que, “em geral, o público na Malásia acha o OWC ridículo”. “Há uma mistura de diversão e constrangimento, já que viramos alvo de risada para o mundo todo.”

Ela aponta que, apesar de discordar do mote do clube, acha que é de certa maneira “compreensível” que exista.

“As mulheres são cidadãs de segunda classe na Malásia, e há muita pressão para que sejam ‘boas esposas’.”

“Grande parte das mulheres casadas depende financeiramente dos maridos. Por isso, muitas se esforçam em continuar no casamento, mesmo que signifique serem obedientes aos maridos.”

O livro publicado pelo OWC, por estar proibido na Malásia, não terá tradução.

Mas o clube persiste no país, oferecendo, entre outras atividades, cursos de como ser uma mulher obediente.

“Resolvemos muitos problemas nos casamentos”, celebra Ariffin. “Os maridos nos falam que recebem mais prazer das mulheres na cama e relatam aumento na porcentagem de obediência. O amor cresce a cada dia.”

Acesse em pdf: O prazer da obediência (Folha de S.Paulo – 18/12/2011)

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