“Nem recatada e nem do lar, a mulherada tá na rua para lutar”

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Manifestações promovidas por mulheres contra candidato à presidência ocorreram em 114 cidades em 10 estados brasileiros

(Jornal do Campus, 06/10/2018 – acesse no site de origem)

Mulheres de todo o Brasil protagonizaram o ato #EleNão, em repúdio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro, no dia 29 de setembro. Mulheres de todas as idades, cores, sexualidade e ideologias se uniram para mandar uma mensagem.

“Em primeiro lugar, eu acho que as declarações que o Bolsonaro deu, ao longo da carreira política dele, algumas mais emblemáticas como aquela da ‘fraquejada’, a questão da Maria do Rosário, e outros absurdos fizeram com que as mulheres tanto de esquerda quanto de direita percebessem que ele não respeita o mínimo da humanidade das mulheres”, analisou Beatriz Rodrigues Sanchez, pesquisadora do Grupo de Estudos de Gênero e Política da USP.

Ela ainda comenta outros dois fatores que geraram a união feminina em repúdio ao candidato. O primeiro é de que suas duas únicas propostas de governo para as mulheres não mencionam as pautas de igualdade de gênero, nem de direitos.

“O candidato Bolsonaro praticamente insultou as mulheres, considerou todas as lutas das mulheres, da violência à problemas de diferença salarial, como permanentes do ponto de vista cultura, do ponto de vista até legal”, explica a socióloga Fátima Pacheco Jordão, uma das fundadoras do Instituto Patrícia Galvão.

O outro diz respeito à sua postura quanto ao rearmamento da população e um programa liberal para os serviços públicos. Beatriz explica que isso afetaria principalmente as mulheres periféricas, que necessitam de políticas públicas e estão mais expostas à violência urbana.

Elas seriam diretamente lesadas pela cobrança de saúde e educação, por exemplo. Além disso, o rearmamento legal da população tornaria os locais em que o crime organizado atua ainda mais mortíferos, atingindo principalmente os moradores dessas regiões, como seus filhos, maridos, irmãos e elas próprias.

Beatriz Rodrigues analisa o candidato além do machismo, “ele representa o que há de mais autoritário na política brasileira”. Para ela, votar nele é colocar em risco o próprio direito de votar e exercer a democracia. Nesse sentido, Fátima Pacheco acredita que o protagonismo feminino de fato ocorreu nessas eleições e que as mulheres abriram uma nova janela para o futuro político do Brasil. O #EleNão é grande sintoma desse ativismo feminino.

Letícia Tanaka

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