Covid e a desigual morte materna no Brasil

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País concentra 75% das mortes de grávidas e puérperas por covid, no mundo – e as negras morrem 77% a mais. Pesquisadora reflete sobre as disparidades de raça, classe e região no acesso à saúde e direitos básicos, sobretudo na pandemia

(Outras Palavras | 07/06/2021 | Por Redação CFEMEA| Acesse a matéria completa no site de origem)

Emanuelle Góes em entrevista ao CFEMEA, na coluna Baderna Feminista

Nesse contexto de crise sanitária, a mortalidade materna, causou a morte de mais de 1.114 mulheres no Brasil, sendo que as mortes entre negras é 77% superior às das brancas. O Brasil já responde por 75% das mortes de grávidas e puérperas em decorrência da covid-19 em todo o mundo. Uma realidade trágica e cruel.

No último dia 28 de maio, celebramos o Dia Nacional pela Redução da Mortalidade Materna, que na verdade, não há muito o que celebrar. Em uma recente pesquisa divulgada pela Ong Criola, aponta que as mulheres negras “são 62% das vítimas de morte materna versus 35,6% das mulheres brancas. Em todo o Brasil, a taxa de morte materna está em 59,1 [mortes por 100 mil nascidos vivos], ficando bem atrás do índice recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que seria menor que 20.” O fato de as mulheres negras serem as maiores vítimas de morte materna, revela mais um fosso das desigualdades raciais no Brasil, o acesso à saúde.

Desde o início da pandemia, denunciamos todas as políticas de governo que deveriam ser propostas e implementadas parar combater essas desigualdades e violências, entretanto parecem ser mais catalizadoras de uma política cada vez mais contra os direitos das mulheres. Em março deste ano, vimos uma proposição legislativa denominada de “Estatuto da Gestante” ser mais um Cavalo de Troia contra os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. A força da denúncia do movimento feminista contra a atrocidade que essa proposta trazia, paralisou, ao menos por hora, a continuidade da sua tramitação. Essa e tantas outras medidas do governo e sua base conservadora no Congresso Nacional são detalhadas pela nota “Que governo é esse que diz defender a maternidade, mas ataca direitos e ameaça a vida”, pela Frente Nacional pela Legalização do Aborto e contra a Criminalização das Mulheres.

Na Baderna Feminista desta semana, o Cfemea conversou com a pesquisadora sobre desigualdades raciais no acesso aos serviços de saúde, direitos reprodutivos e racismo, interseccionalidade e saúde das mulheres, Emanuelle Góes, doutora em Saúde Pública e integrante do GT Racismo e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva/Abrasco.

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