01/07/2010 – Pesquisa reforça aborto inseguro como questão de saúde pública (Envolverde)

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(Agência Envolverde) O aborto está entre as principais causas de morte materna no país; em Salvador (BA) e Petrolina (PE), o aborto inseguro foi a primeira causa de morte entre as mulheres. Estes são alguns dos achados da pesquisa realizada pelo Grupo Curumim e o Ipas Brasil sobre as consequências da prática do aborto inseguro na saúde e vida das mulheres e nos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), realizada na Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Segundo Paula Viana, coordenadora do Grupo Curumim, o objetivo do levantamento foi qualificar e inserir o debate nas assembleias estaduais, para que as estatísticas sobre os impactos do aborto sejam debatidas com seriedade e responsabilidade.

Na avaliação de Paula, apesar de a lei ser restritiva ao aborto, ela não impede a prática e, “ao mesmo tempo encobre muitos estigmas e tabus em torno do problema”. A coordenadora revelou ainda que, por ser tratado como um crime e pecado, muitos profissionais da saúde se negam a atender uma mulher em processo de abortamento, o que agrava seu estado de saúde, causando muitas vezes, sua morte.

De acordo com a pesquisa, mulheres que tiveram complicações por aborto estão entre as pacientes mais negligenciadas e não são encaminhadas a serviços e profissionais capacitados.

Paula Viana ressaltou ainda que, embora o Brasil seja um Estado laico, o debate sobre aborto tem sido abordado muitas vezes pelas igrejas ou pelas bancadas religiosas do Congresso. Contudo, o problema, em sua opinião, é de saúde pública. “As igrejas não podem interferir. A igreja não tem nada que se meter em um assunto de saúde”, declarou Paula à reportagem da Envolverde.

“Paula disse que é importante que as mulheres tenham consciência sobre seu direito a ter um tratamento de saúde digno, com acesso aos recursos mais modernos e tecnológicos que os serviços oferecem. ‘As mulheres têm que cobrar dos profissionais, seu direito ao atendimento’, declarou. E para os profissionais da área de saúde ela fez um apelo para que as barreiras do preconceito sejam derrubadas e que a preservação da saúde seja prioridade.”

Acesse a pesquisa em pdf
Saiba mais: http://www.grupocurumim.org.br e http://www.ipas.org.br


Indicação de fonte:

Paula Viana
– enfermeira
Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro
Recife/PE
(81) 3427-2023 – [email protected]
Fala sobre: direito ao aborto, maternidade voluntária

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