Entrevista: “Quem é contra o aborto não dá um real pra criança quando nasce”, diz Silvia Federici

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“TODO ABORTO É UM ACIDENTE de trabalho.” Encarei as palavras da Silvia Federici com espanto. A frase curta, direta e incômoda da historiadora italiana era fruto de um quebra-cabeça incomum. As peças? Caça às bruxas, controle sobre o corpo da mulher, desvalorização do trabalho doméstico e nascimento do capitalismo. À primeira vista, elas não combinavam. Mas, organizadas pela originalidade arrebatadora e pela linguagem simples de Federici, formavam um encaixe provocador, que tornou a intelectual uma das vozes mais relevantes do feminismo atual.

(The Intercept Brasil, 07/10/2019 – acesse no site de origem)

Não sabe de quem eu estou falando? Dá uma olhada nesse vídeo curtinho que te conto melhor quem é a autora de ‘Calibã e a bruxa’. Ela encanta quem ainda flerta com o movimento, decidindo se deve ou não se aproximar, e surpreende quem se achegou há tempo suficiente para se ver presa em discussões repetitivas sobre aborto, maternidade e violência obstétrica. Com isso em mente, convidei a historiadora para uma entrevista em São Paulo, onde ela divulgava o lançamento dos livros  ‘O ponto zero da revolução’ (em que está presente a citação que abre esse texto) e “Mulheres e caça às bruxas”.

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