20/09/2010 – O corpo como campo de batalha, por Vladimir Safatle (Folha)

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(Folha de S.Paulo) Vladimir Safatle, professor do departamento de Filosofia da USP, comenta a ausência, no debate eleitoral, da pauta sobre a normatização pelo Estado do corpo e da sexualidade. 

“Os últimos 40 anos viram a paulatina institucionalização da consciência de que o Estado deve afastar-se, ao máximo, da tentação de legislar sobre os corpos e sobre a sexualidade de seus cidadãos. (…) Essa indiferença necessária do Estado poderia abrir o espaço para a ampliação do processo de reconhecimento social das diferenças e de universalização de direitos. Esse foi um dos motores para que o aborto e a modificação da estrutura do casamento fossem aceitos em boa parte das sociedades democráticas. No entanto, o Brasil continua inexplicavelmente na contramão desse processo.”

Citando o exemplo do aborto, Safatle lembra que, na década de 80, uma artista plástica norte-americana, Bárbara Kruger, fez um cartaz pró-aborto em que se lia: “Seu corpo é um campo de batalha”. “De fato, essa é a perspectiva correta para a abordagem do problema. É necessária muita imaginação para levar a sério o dogma de que um feto do tamanho de um grão de feijão, absolutamente dependente do corpo materno, teria o mesmo estatuto jurídico que uma pessoa”, argumenta o professor.
 
Sobre a união de homossexuais, Vladimir Safatle defende que “é dificilmente compreensível que ela não esteja na pauta do debate eleitoral. Sua proibição estigmatiza uma parcela da população e cria constrangimentos sociais que nunca poderiam ser aceitos por uma sociedade que luta pela efetivação de princípios igualitários”.

Leia na íntegraO corpo como campo de batalha, por Vladimir Safatle (Folha de S.Paulo – 20/09/2010)

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