Gestoras enviam carta à presidenta Dilma em defesa da SPM como ministério

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(Agência Patrícia Galvão, 23/09/2015) O Fórum Nacional de Gestoras de Organismos Estaduais de Políticas para as Mulheres e o Fórum Nacional de Gestoras Estaduais do Pacto de Enfrentamento à Violência contra a Mulher divulgaram carta aberta enviada nesta terça-feira à presidenta Dilma Rousseff. As gestoras defendem a manutenção do status de ministério da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e manifestam preocupação com a extinção da pasta ou incorporação a outros órgãos.

Leia abaixo a íntegra da carta:

 

Brasília, 22 de setembro de 2015.

Carta Aberta

À
Ilustríssima Presidenta da República
Dilma Rousseff,

O Fórum Nacional de Gestoras de Organismos Estaduais de Políticas para as Mulheres e o Fórum Nacional de Gestoras Estaduais do Pacto de Enfrentamento à Violência contra a Mulher vêm, mui respeitosamente, expressar seu apoio à Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e seu desejo de que esta Secretaria não perca o seu status de Ministério.

A Secretaria de Políticas para as Mulheres é uma conquista das mulheres brasileiras, que teve início no ano de 2003, por meio da Medida Provisória 103/2003, que transformou a antiga Secretaria de Estado dos Direitos da Mulher, do Ministério da Justiça, na Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, vinculada à presidência da República.

De 2003 até hoje foram 15 anos de muitas conquistas, construindo políticas em áreas variadas, dando vez e voz às mulheres em todas as expressões de nossa diversidade: mulheres do campo, da floresta e das águas; mulheres negras, indígenas e quilombolas; mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais; mulheres com deficiência; mulheres jovens e idosas; mulheres trabalhadoras, empregadas domésticas, sindicalistas, estudantes; mulheres que sofrem e sofreram violências; mulheres em toda a sua pluralidade.

Nestes 15 anos tivemos conquistas muito significativas, como os Planos de Políticas para as Mulheres, agora em sua terceira edição, a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, o Programa Pró-equidade de Gênero, o Ligue 180 e tantas outras, de grande importância.

A SPM também um papel fundamental na interlocução com outras pastas e na inserção da perspectiva de gênero em diferentes políticas públicas federais. Essa influência se faz sentir no Bolsa Família, no Programa Minha Casa Minha Vida e no PAC – Programa de Aceleração do Crescimento –, que hoje contemplam as mulheres e atendem demandas específicas desta população.

Outra função importante da SPM é o incentivo aos governos estaduais e municipais para que sejam criados Organismos de Políticas para as Mulheres locais, o que tem alavancado as políticas públicas para as mulheres de Norte a Sul do país. Se em 2013, ano de criação da SPM, estes organismos não chegavam a 20 em todo o Brasil, atualmente somos mais de 700 organismos, trabalhando dia a dia pela redução das desigualdades entre mulheres e homens.

Por toda essa trajetória, podemos dizer que a SPM é a nossa voz no poder público federal, zelando por nossos direitos, instituindo nossas conquistas e avançando a cada dia para que mais e mais brasileiras possam desfrutar de uma sociedade com equidade de gênero. Por isso, queremos manifestar nossa preocupação com as notícias de uma possível extinção da SPM ou de sua incorporação a outras pastas ministeriais.

Temos ciência da necessidade de adotar medidas para o controle e contenção das despesas públicas e sabemos que estas são medidas difíceis de serem tomadas e que requerem muita atenção. No entanto, gostaríamos de pleitear que a SPM não fosse desarticulada e que não fosse anexada a nenhum outro ministério, sob pena de termos retrocessos e perdas de grande impacto para a vida das mulheres brasileiras, que historicamente sempre foram negligenciadas e ignoradas em suas demandas.

Na qualidade de gestoras estaduais, tememos também as repercussões dessa possível reconfiguração ministerial nas políticas para as mulheres nos estados e municípios. Certamente haverá uma onda de retrocessos que terá consequências nos trabalhos desenvolvidos em todo o país.

Diante de tudo que foi exposto, desejamos poder colaborar para que a SPM continue sendo uma Secretaria com status de Ministério, que permaneça forte e atuante em defesa de todas as mulheres e da equidade de gênero que tanto merecemos e esperamos.

Respeitosamente,

Fórum Nacional de Gestoras de Organismos Estaduais de Políticas para as Mulheres.
Fórum Nacional de Gestoras Estaduais do Pacto de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.

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