08/07/2012 – Vai faltar mulher na eleição de SP, avaliam especialistas

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(Jornal do Tarde) Quando perguntado sobre o motivo de ter escolhido Nádia Campeão (PC do B) como vice em sua chapa, o pré-candidato petista à Prefeitura, Fernando Haddad, enumerou uma série de razões, mas fez questão de ressaltar a importância de sua vice “ser mulher”. No mesmo caminho foi Gabriel Chalita (PMDB), ao formar dupla com Marianne Pinotti.
O PPL também foi de “chapa pura”, com Marielza Milani na vice de Miguel Manso. E, não fosse o acordo de última hora entre PRB e PTB, Celso Russomanno também estaria com uma mulher no posto – Renata Abreu (PTN). Além disso, Soninha Francine (PPS), Anaí Caproni (PCO) e Ana Luiza Figueiredo (PSTU) encabeçam chapas.
As últimas movimentações partidárias podem dar a impressão de que a presença feminina na próxima eleição será um dos destaques da campanha. Na verdade, a eleição com maior número de mulheres como cabeça de chapa ou vice aconteceu em 2004. Na ocasião, foram oito candidatas. Já em 2008, esse número caiu: foram seis. Agora, para o pleito de 2012, o número permanece o mesmo da eleição anterior.
Para a socióloga Fátima Pacheco Jordão, a participação feminina reflete a busca dos partidos em agradar essa parcela fundamental do eleitorado. “As principais demandas em São Paulo são relacionadas à saúde e à educação. São demandas femininas, questões que as mães acabam levantando em uma campanha. O voto da mulher é importante porque ele se multiplica entre familiares e amigos.”
Ainda assim, Fátima lembra que o número de candidatas ainda é baixo e revela uma das principais características desta eleição: “É um momento de rearranjo partidário. Uma eleição em que os caciques estão definindo suas posições e seus candidatos. Neste contexto, é mais difícil uma mulher ser indicada ou ganhar destaque. Os partidos ainda funcionam como verdadeiros patriarcados.”
A historiadora Sarah de Roure, da ONG Sempre Viva, tenta explicar as circunstâncias que afastam mulheres dos postos de destaque de uma campanha. “A militância da mulher é comprometida dentro da estrutura partidária. Normalmente, a mulher é responsável pelo trabalho doméstico, por cuidar da casa… Realidade que impede, por exemplo, que ela participe de reuniões de partido e tenha uma vivência política mais intensa.”
Para a historiadora, mesmo a eleição de Dilma Rousseff não quebrou certos paradigmas. “Antes da posse, as pessoas especulavam com quem Dilma iria aparecer, quem estaria ao lado dela… Como se não ter um marido fosse um problema”, diz Sarah.
Exclusão maior
A situação é mais excludente quando se fala em candidatas negras em São Paulo. Guacira Cesar de Oliveira, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria, diz que “racismo e machismo andam juntos”. “Infelizmente, há uma série de ‘filtros’ que impedem uma mulher negra de avançar nas estruturas partidárias.” Já Lúcia Xavier, da ONG Criola, afirma que a mulher negra consegue espaço exercendo sua liderança em comunidades nas quais o poder constituído (ou tradicional) tem dificuldade de entrar, como em favelas, por exemplo. “O problema é que os partidos, da forma como estão, impedem a mulher negra de ganhar representatividade eleitoral.”
REDUÇÃO
2004
8 candidatas
> > Candidatas a prefeita:
Anaí Caproni (PCO)
Havanir (Prona)
Luiza Erundina (PSB)
Marta Suplicy (PT)
> > Candidatas a vice:
Isabel Luiza Piragibe (PCB)
Nelita Rocha (PHS)
Ana Rosa Minutti (PSTU)
Nice Maria de Lurdes (PV)
2008
6 candidatas
> > Candidatas a prefeita:
Anaí Caproni (PCO)
Marta Suplicy (PT)
Soninha Francine (PPS)
> > Candidatas a vice:
Fernanda Pereira Mendes (PCB) Alda Marco Antônio (PMDB)
Aline Correa (PP)
2012
6 candidatas
> > Candidatas a prefeita:
Anaí Caproni (PCO)
Soninha Francine (PPS)
Ana Luiza Figueredo (PSTU)
> > Candidatas a vice:
Nádia Campeão (PCdoB)
Marianne Pinotti (PMDB)
Marielza Milani (PPL)

Acesse em pdf: Vai faltar mulher na eleição de SP (Jornal da Tarde – 08/07/2012)

Leia mais: 
Partidos não preenchem cota para candidatas mulheres (Diário de Pernambuco – 10/07/2012)
Mulheres podem decidir eleição em Três Lagoas  (Jornal do povo – 10/07/2012)
Mulheres que disputam prefeituras de 26 capitais são 21  (Jornal do Brasil – 09/07/2012)
Veja quem está na disputa pelas capitais (Congresso em foco – 09/07/2012)
“Mulheres são maioria da população, mas não são representadas”, diz pesquisadora (Diário de Pernambuco – 09/07/2012)

Indicação de fontes:

Fátima Pacheco Jordão – socióloga
(11) 6063.5445 – [email protected]

Guacira de Oliveira – socióloga
Cfemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria)
(61) 3224.1791 / 9984.5616 – [email protected]

Teresa Sacchet – cientista política e pesquisadora
Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP
(11) 3091.3272 (nupps) / 8110.3570 – [email protected]

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