30/04/2010 – Mulheres no poder fazendo justiça em São Paulo

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mariainesvalentebywerthersa“Toda semana ela manda um corrupto para a cadeia. Aos 63 anos, 22 na Polícia Civil, a ex-professora campineira e atual corregedora dezenas de casos e se tornou a mulher mais temida da corporação.”

Assim começa a matéria de página inteira publicada na seção Perfil do jornal O Estado de S. Paulo, que apresentou a diretora da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, Maria Inês Trefiglio Valente.

Entre seus feitos a reportagem destaca:

“1.Indiciou os acusados pelo delegado Roberto Fernandes, que filmou e denunciou corrupção
2.Desarquivou mais de 40 processos administrativos que estavam paralisados
3.Reuniu provas de fraudes em vários setores do Departamento Estadual de Trânsito” 

A corregedora da Polícia Civil Maria Inês Trefiglio Valente é a primeira mulher a dirigir o departamento. Em um ano ela acusou 267 policiais de corrupção e hoje é a policial mais temida de São Paulo. Não anda acompanhada com seguranças, mas está sempre armada. Toda semana sua equipe manda um corrupto para a cadeia.

Quando chegou à Corregedoria, havia denúncias de que a corrupção havia se infiltrado no próprio órgão. Corregedores estavam recebendo dinheiro de colegas corruptos das delegacias para informá-los sobre investigações em andamento. A Corregedoria era a última a saber de corrupção na polícia, descoberta em operações da Polícia Federal e do Ministério Público. Os casos eram quase sempre arquivados ou se voltavam contra os denunciantes.

Com Maria Inês as coisas começaram a mudar. Trocou 25 delegados; em menos de três meses, indiciou mais de 20 policiais; ao todo, 267 policiais foram acusados em seu primeiro ano de gestão. O número de inquéritos abertos aumentou 35%. Foram ainda 49 prisões em flagrante, com 70 presos. 

Maria Inês diz que o controle pela Corregedoria não vai eliminar a corrupção, mas pode mantê-la em um “nível tolerável”. “Nosso trabalho valoriza os bons policiais e a instituição”, afirma ela.

Nascida em Campinas/SP, deu aulas para crianças. Casou-se, tornou-se dona de casa e teve três filhos. Ao 35 anos, voltou a estudar. Fez Direito na PUC-SP e se tornou delegada aos 41. Trabalhou na Delegacia de Defesa da Mulher e foi coordenadora das DDMs da capital de 1995 a 2002. “Nosso maior desafio era vencer o machismo das mulheres policiais no atendimento às vítimas de violência doméstica.”

Em 2008, assumiu a Corregedoria do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em que teve que lidar com policiais envolvidos com venda de carteiras de motorista. Em 2009 foi nomeada corregedora-geral da Polícia Civil. Maria Inês começou a incomodar e a ser odiada. Há os que a reprovam pelo rigor de suas decisões.

“Maria Inês costuma andar a pé. Está sempre sozinha, sem seguranças, mas com a pistola calibre 40. Há pouco tempo, espalharam para jornalistas e promotores um boato sobre um atentado contra sua família. ‘Não me sinto ameaçada. Para que haja ameaça, é preciso sentir medo, e isso eu não tenho.'”

Leia esse texto na íntegra: Toda semana ela manda um corrupto para a cadeia (O Estado de S. Paulo – 30/01/2010)

Nomeado novo chefe da Defensoria Pública de São Paulo

Embora o título da notícia tenha sido escrito no masculino, o governador Alberto Goldman nomeou Daniela Sollberger Cembranelli como a nova chefe da Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Daniela teve 72% dos votos dos defensores públicos paulistas e estava em primeiro lugar na lista tríplice enviada ao governador. Ela assume o cargo de defensora pública-geral em 15 de maio, para exercer um mandato de dois anos.

Daniela Cembranelli será a segunda mulher a ocupar o cargo em substituição à Cristina Guelfi Gonçalves, que estava à frente da instituição desde a criação da Defensoria, em 2006. O mandato de defensor público-geral prevê a possibilidade de uma reeleição.

Segundo a lei orgânica da Defensoria, cabe ao governador do Estado escolher o chefe da instituição, entre os três mais votados pelos defensores públicos. Dos 432 defensores públicos, 410 votaram nas eleições. Daniela recebeu 296 votos, seguida pelos defensores Denise Nakano, com 86 votos, e Sérgio Locatelli, com 71 votos. Houve ainda 12 votos em branco e 29 nulos.

Daniela é casada com o promotor de Justiça Francisco Cembranelli e tem dois filhos pequenos.

Leia essa notícia: Nomeado novo chefe da Defensoria Pública de São Paulo (Estadão.com.br – 29/04/2010)

Indicação de fonte:

Sonia Malheiros Miguel – secretaria de Articulação Institucional e Ações Temáticas da SPM
Secretaria de Políticas para Mulheres
Tel.: (61) 3411-4274 – [email protected]
Fala sobre: participação política das mulheres

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