Premiê japonês nomeia mulheres para governo na tentativa de reduzir a discriminação feminina

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(UOL Notícias, 05/09/2014) O novo gabinete do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, terá cinco mulheres. Isso representa mais de um quarto em um Executivo de 18 membros, e um gesto do chefe de governo para a população feminina japonesa, muito preparada, mas quase não representada nos postos de comando políticos ou empresariais. Abe já havia antecipado como objetivo que as mulheres ocupassem 30% dos cargos de direção nas companhias e na representação política.

“Criar uma sociedade em que a mulher possa brilhar é um grande desafio que o governo está empreendendo”, declarou o primeiro-ministro em uma entrevista coletiva em Tóquio. Abe, do PLD (Partido Liberal Democrata), iguala agora o recorde de Junichiro Koizumi, em 2001, quando também incorporou cinco mulheres a seu Executivo. Das nomeadas agora, a mais conhecida no plano internacional é Yuko Obuchi, 40, filha do ex-primeiro-ministro Keizo Obuchi e que cuidará da pasta de Comércio e Indústria.

Obuchi já tinha ocupado a pasta da Mulher há seis anos, com 34, e aos 35 se tornou a primeira ministra japonesa a dar à luz durante seu mandato. É uma defensora da melhora dos sistemas para o cuidado de crianças, que facilitem a vida da mulher que trabalha fora de casa. As outras ministras, mais velhas, são responsáveis pela Justiça, Interior e Comunicações, Mulher e a última é a encarregada de resolver o problema dos japoneses sequestrados pela Coreia do Norte.

Com essas nomeações, Abe busca atrair eleitoras diante das eleições municipais do próximo ano, assim como promover sua fraca popularidade e dar exemplo em um país onde tradicionalmente as mulheres abandonam a vida profissional ao se casar e somente 11% dos cargos de responsabilidade na política ou nas empresas são ocupados por mulheres. Apenas 10% dos assentos no Legislativo correspondem a mulheres. O Fórum Econômico Mundial situa o Japão no 105º lugar entre todos os países em igualdade de gêneros.

Mas também há importantes razões econômicas para apoiar a incorporação da mulher ao mercado de trabalho: o Japão enfrenta um forte envelhecimento da população, baixa natalidade e importantes cargas sobre seu sistema de previdência social.

A remodelação do governo, que não afeta os principais ministérios, é a primeira realizada por Abe desde sua chegada ao poder, em dezembro de 2012, e busca dar energia ao Executivo em um momento em que seu pacote de medidas econômicas –conhecidas como Abenomics– dá sinais de esgotamento. No segundo trimestre do ano, a economia se contraiu 6,8% em relação ao mesmo período de 2013.

Macarena Vidal Liy

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