Por que elas decidiram se tornar feministas depois dos 60 anos

Compartilhar:
image_pdfPDF

(Universa| 05/04/2021 | Thiago Camara)

O feminismo não tem idade para ser vivido, assumido e divulgado. A busca pela equidade entre homens e mulheres, a necessidade de ocupação feminina na política, a informação e o diálogo para que mais companheiras juntem-se à luta são também preocupações de mulheres idosas. Na série “Filhas de Eva”, do Globoplay, a personagem Stella Fantini, vivida por Renata Sorrah, e sua neta Dora (Débora Ozório) conversam muito sobre a emancipação da mulher e descobrem-se feministas, ao seu tempo.

Universa conversou com mulheres que, assim como a personagem de Sorrah, passaram a debater o machismo aos 60 anos e elas contam como foi esse processo.

“Meus filhos me fizeram rever conceitos”

“Vi minha filha ter uma transformação muito grande na vida dela, de independência, de ir morar junto com o namorado sem ter casado. Esperava que ela casasse, de véu e grinalda, na igreja. Também descobri que meu filho era gay. Passei por várias etapas: o impacto da notícia, o desejo de reversão desse fato, procurar entender e estudar para hoje ter uma aceitação muito grande em relação a tudo isso. Foram situações que mudaram muito meus conceitos perante a vida.”

Eles sempre me apresentam coisas novas, como por exemplo a série “O Conto de Aia” que mexeu muito comigo. Um mundo distópico, a mulher tendo que servir ao homem. Ao longo da minha vida, me vi muito nesse lugar. Não que tenha sido obrigada. Meu marido nunca me impôs nada. Mas no inconsciente, isso estava imposto.

*Hilda Vieira, aposentada, Rio de Janeiro (RJ)

“O racismo e o machismo atravessaram toda a minha vida. Fui chamada de ‘cabelo pixaim’ e ‘negrinha’ várias vezes, fui a primeira mulher a ser promovida a chefe de equipe em um dos meus empregos, mas o supervisor não permitiu que eu mudasse de posição. Disse que era por não ter diploma da escola. Me revoltei muito, pois foi uma atitude machista, com certeza. Nessa firma, só homem mandava.”

A educação e a independência financeira vão fazer com que a gente dê um grito de liberdade muito maior do que temos alcançado hoje. Estou tentando abrir uma cooperativa para fazer cursos de capacitação para mulheres daqui do Cabo de Santo Agostinho (PE). Estou esperando a segunda dose da minha vacina de covid-19 para ir a campo organizar as coisas.

A Escola Feminista, promovida pela Casa da Mulher do Nordeste, foi um curso que fiz no ano passado em que passei três dias com outras mulheres. Aprendemos que precisamos ainda de uma inclusão grande de mulheres na sociedade.

*Valdenice Oliveira, 69, professora – Cabo de Santo Agostinho (PE)

Acesse a matéria completa no site de origem.

Compartilhar: