27/10 e 04/11/09 – Brasil piora no ranking da desigualdade entre homens e mulheres; pesquisador do IBGE pede cautela

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Relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial mostra que o Brasil piorou sua posição entre as 134 maiores economias mundiais no que diz respeito à participação de homens e mulheres na sociedade. No ranking da desigualdade entre os sexos o país passou da 73ª posição, em 2008, para 82ª neste ano, ficando atrás de Gana e Tanzânia. Procurado pelo Clam (Centro Latino-Americano de Sexualidade e Direitos Humanos), José Eustáquio Diniz Alves, demógrafo do IBGE, alertou para a necessidade de cautela na leitura desses dados.

Segundo explica a repórter Marília Martins, correspondente de O Globo, a queda de nove posições resulta, em parte, da inclusão de quatro países no ranking de 2009. Sem essa alteração, o Brasil teria passado para a 80º posição. A reportagem lembra que, desde 2006, o país vem piorando sua colocação nesse ranking, tendo passado da 67ª em 2006 para a posição atual.

A pesquisa do Fórum Econômico Mundial trabalha com o índice “Desigualdade Global de Gênero” (Global Gender Gap Index – GGGI, na sigla em inglês), que mede a participação de homens e mulheres na sociedade segundo quatro critérios básicos: diferenças salariais e participação no mercado de trabalho; acesso à educação e nível de formação educacional; acesso à saúde e queda de índices de mortalidade; e participação política e posição em cargos de poder político.

Segundo o relatório, a desigualdade entre mulheres e homens no Brasil piorou principalmente no mercado de trabalho, com a redução da remuneração feminina quando comparada à mão-de-obra masculina. “Se a pesquisa fosse feita apenas com o item diferenças salariais pelo mesmo trabalho efetuado, o Brasil estaria na 114ª posição. Em termos de direitos sociais, o Brasil ganhou uma nota ruim no quesito legislação capaz de coibir e punir a violência contra mulheres”, destaca a reportagem de O Globo, que não explica o que levou o país a receber uma avaliação negativa sobre sua legislação contra a violência de gênero: a crítica seria para a legislação ou para a efetiva aplicação da lei?

Na matéria publicada no site do Clam, o demógrafo José Eustáquio, que é professor titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE) pondera: “Todos os estudos que eu conheço mostram que as diferenças salariais entre homens e mulheres no Brasil estão diminuindo e tem diminuído também o número de mulheres na pobreza”. José Eustáquio comenta ainda:

“O GGGI é um índice relativo que mede o hiato de gênero – algo como a equidade relativa de gênero – e não o empoderamento das mulheres ou o grau de desenvolvimento humano de homens e mulheres. Neste sentido, pode parecer estranho que a África do Sul esteja à frente não só do Brasil, mas também dos Estados Unidos e da França, por exemplo.”

A África do Sul está em 3º lugar no quesito participação das mulheres na política (com 44,5% de deputadas). José Eustáquio explica que, para o cálculo do GGGI divide-se o percentual de mulheres no parlamento pelo de homens.

“Portanto, a participação das mulheres na política parlamentar contribui para o GGGI de 0,80 na África do Sul, 0,20 nos Estados Unidos e de 0,09 no Brasil. A participação política das mulheres tem um peso importante no GGGI e explica em grande parte a dianteira da África do Sul em relação a muitos países de melhores indicadores de desenvolvimento humano.”

Segundo a pesquisadora Sonia Correa, co-coordenadora do Observatório de Sexualidade e Política (SPW), no que se refere à participação política em cargos de decisão o Brasil perde mesmo para a África do Sul em razão das políticas de cotas e ações afirmativas que estão sendo implementadas naquele país desde 1994. E a pesquisadora acrescenta:

“Se não estou enganada o gabinete do Zuma tem 80% de mulheres. Foi até mesmo comemorado por setores do movimento negro no Brasil. O paradoxo fatal é que Zuma estuprou uma mulher jovem HIV positiva e foi a julgamento, quando justificou seu ato por ser ele um homem zulu e por ela estar ‘mostrando as pernas’.”

Acesse os dois textos em pdf: O Globo – 27/10/09 e Clam – 04/11/09

Assista a trecho de palestra do demógrafo José Eustáquio Diniz Alves (IBGE) sobre a participação das mulheres na política

Assista a trechos de palestra da socióloga Fátima Pacheco Jordão sobre mídia, gênero e pesquisas eleitorais

Indicação de fontes: 

Fátima Pacheco Jordão – socióloga e especialista em pesquisas de opinião
Cultura Data/TV Cultura e Instituto Patrícia Galvão
São Paulo/SP
(11) 2182-3102 / 2182-3135 / 9423-9402
[email protected] Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Fala sobre: pesquisas; participação das mulheres na política

José Eustáquio Diniz Alves – demógrafo e pesquisador
Professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais
da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE
Rio de Janeiro/RJ
(21) 214246 89 / 2142-46 96 / 9966 6432 – [email protected]
Fala sobre: questões sociodemográficas; política populacional; política e poder

Sonia Corrêa – cientista política; coordenadora do SPW; pesquisadora da ABIA
Sexuality Policy Watch e ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS)
Rio de Janeiro/RJ
(21) 2223-1040       
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Fala sobre: cenário internacional, ONU e direito internacional

 

 

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