‘LGBT é uma sigla falha’, diz curador do Rio Festival Gay de Cinema

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(O Globo, 03/07/2014) De hoje até o dia 13, o Rio será o palco da exibição de 103 filmes que a organização do Rio Festival Gay de Cinema trouxe de 24 países. A quarta edição do evento ampliou seu circuito, incluindo, pela primeira vez, sessões na Zona Norte (veja a programação completa no site). Outra novidade é o seminário “Sexualidade, gênero e performance”, no Museu de Arte do Rio, que reunirá ativistas ligados à causa LGBT. Nesta entrevista, o curador Alexander Mello destaca as principais atrações do festival.

Cartaz do Rio Festival Gay de Cinema mostra a artista visual transgênero Joana Couto e seu namorado – Divulgação

Qual é a temática mais comum na seleção de filmes da edição deste ano?

A maioria das produções é brasileira. Elas trazem novas mensagens sobre a transexualidade. Claro que questões como família, casamento igualitário e aceitação continuam sendo abordadas, mas o que está em alta na ficção é outra coisa.

Você considera positiva essa mudança de foco?

Sim, porque a própria comunidade LGBT não está muito por dentro da transexualidade. Aliás, LGBT é uma sigla falha, porque trabalha apenas dentro do universo da sexualidade, e não do gênero. São coisas diferentes. Os trans podem ser heterossexuais, por exemplo. Acredito que não só o festival, mas também os realizadores estão por dentro do que a comunidade está interessada. Os assuntos abordados são atuais: estamos passando por mudanças na sociedade que se refletem no cinema. Os próprios distribuidores e exibidores estão encontrando formas melhores de lidar com isso.

Você se refere à polêmica em torno do filme “Praia do Futuro”, quando houve relatos de que um cinema estava alertando os espectadores sobre as cenas de sexo gay?

Ali pode ter sido um problema de divulgação, porque o filme atraiu um público ignorante que não quer saber sobre o assunto. O cinema não tem o propósito de fazer com que as pessoas aceitem algo, é um espaço democrático e livre. É necessário sair de casa e comprar o ingresso, e quando a divulgação falha em alguma instância, cria-se o desconforto. É como se alguém entrasse numa sessão de “Ninfomaníaca”, do Lars von Trier, sem saber que há cenas de sexo.

Filmes com temática LGBT enfrentam resistência para entrar no circuito comercial?

Acho que sim, mas os distribuidores estão de olho, já que eles estão interessados em bilheteria. O público que gosta do assunto é muito grande. O festival, cada vez mais frequentado também por heterossexuais, é uma prova.

Quais são os principais títulos em cartaz no festival?

Temos o documentário “Out in the line-up”, sobre o tabu da sexualidade no surfe. O diretor (Ian Thomson) virá ao Brasil debatê-lo. O filme mostra que os patrocinadores ainda evitam relacionar suas marcas a atletas gays. Há ainda o “Seventh-gay adventists”, sobre uma família de lésbicas, um ex-pastor e um fiel que se assumiram no universo religioso.

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