Manual orienta jornalistas sobre como tratar temas da população LGBTI

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Dia do Orgulho LGBTI é comemorado nesta quinta-feira

(Agência Brasil, 28/06/2018 – acesse no site de origem)

Qual é a diferença entre travesti e transexual? O que é cisgênero? O que significa a letra I na sigla LGBTI? Essas e outras dúvidas sobre a população de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais (LGBTI) estão respondidas no Manual de Comunicação LGBTI+, lançado nesta semana pela Aliança Nacional LGBTI e a rede Gay Latino. O público-alvo do documento são jornalistas e o objetivo é divulgar a informação correta para combater a LGBTfobia – o preconceito contra a população LGBTI.

Diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTI, Toni Reis coordenou a preparação do documento, que baseou-se em experiências nos Estados Unidos, Colômbia e Paraguai.

Leia mais: Como funciona o aplicativo que quer denunciar a violência LGBTI+ no Brasil (HuffPost Brasil, 25/06/2018)

“Os jornalistas são fundamentais na relação entre a nossa comunidade e a sociedade em geral”, explicou o ativista. “O jornalista muitas vezes fala homossexualismo por não estar atualizado de que o certo é homossexualidade. Às vezes, na boa intenção, fala opção sexual. E não existe opção sexual, é orientação. São dicas simples em que a gente coloca também quais são as nossas pautas”.

Para Toni Reis, a imprensa já errou muito no tratamento dado à população LGBT, mas vem corrigindo sua postura e acertando cada vez mais. “Foucault [Michel Foucault, filósofo francês] já dizia que a palavra carrega muito poder. Pode ser que a pessoa que fale ache desimportante, mas a pessoa que está ouvindo pode se sentir menos. Esse é um cuidado mínimo no relacionamento humano”.

A proposta é replicar o manual para outros países da América Latina e criar guias voltados para profissionais de outras áreas, como saúde, educação e cultura.

Esquecimento

A jornalista Camila Marins acredita que a mídia precisa dar visibilidade à população LGBT como um todo e lembrar que as siglas incluem mulheres lésbicas, bissexuais e pessoas trans. Ela destaca que as lésbicas são esquecidas nas datas comemorativas do movimento LGBT e não recebem a mesma atenção que outros grupos quando chegam suas datas específicas, como o mês da visibilidade lésbica, em agosto.

“O apagamento é sistemático”, disse ela, que também defende que é preciso que os veículos de comunicação empreguem mais mulheres lésbicas, como forma de dar mais voz a essa população. “Quando a gente faz uma matéria sobre violência contra a mulher, a gente está falando também do estupro corretivo das mulheres lésbicas?”, questiona ela.

Vinicius Lisboa; Edição: Amanda Cieglinski

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