Parada do Orgulho LGBT de São Paulo divulga carta aberta à sociedade

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No último domingo (7), tivemos a maior Parada LGBT do mundo na Avenida Paulista, em São Paulo, com a presença do Governo do Estado, Prefeitura de São Paulo, ONGs LGBT, patrocinadores e a população em massa que nos apoiou. Mas foi nesta 19ª edição que se viu um dos protestos mais marcante e legítimo dos últimos tempos de suas edições, no qual um dos trios trazia uma transexual crucificada, que numa primeira vista poderia ser apenas uma “instalação” artística, entretanto se tratava de um apelo, um grito solitário de socorro, uma denúncia.

Apesar de desconhecer a realização prévia do ato, a Associação da Parada do Orgulho LGBT considera legítima e apoia totalmente a manifestação de Viviany Belobony. O que a APOGLBT repudia são os discursos violentos e as calúnias acerca das manifestações por direitos iguais aos LGBTs. Muitos gritaram que a ação foi um desrespeito aos cristãos e uma “blasfêmia”. A APOGLBT não considera a intervenção uma desmoralização aos cristãos como querem alguns, o que vimos foi o retrato do abandono social que vivem as pessoas transgêneros no Brasil.

A apropriação da crucificação não é algo inédito. Podemos citar a capa da revista Placar com o jogador Neymar crucificado; o livro “Evangelho segundo Jesus Cristo”, de José Saramago,; o filme “A última tentação de Cristo”, de Martin Scorsese e pelo Cristo negro do videoclipe de “Like a Prayer”, de Madonna. Outros movimentos, tais como os negros, indígenas, sem terra, assim como artistas e veículos de comunicação, já fizerem uso do simbolismo da crucificação para demonstrar a situação de fragilidade e de perseguição que passavam e nunca foi feito nada, não nas proporções que atuais, contra eles. Então, por que esse levante tão grande contra uma trans que fez isso durante a Parada? Clara é a resposta: LGBTfobia, tão conhecida e praticada por esses autores sociais. Então o porquê a apropriação de Viviane Beleboni merece mais repúdio e “indignação” do que, por exemplo, as capas de Veja e Placar ou do que o Cristo alegórico de Joãozinho Trinta? Alguém ainda tem dúvida que se trata de TRANSFOBIA! E não bastando isso, alguns parlamentares, também intolerantes, que agem contra as minorias e não cumprem o papel para o qual foram eleitos, passaram a veicular vídeos difamatórios e protocolaram queixa crime no Ministério Publico Federal contra à organização da Parada do Orgulho LGBT deste ano.

Feliciano em seu perfil numa rede social, de forma leviana e mentirosa, publicou fotos duvidosas (pessoas quebrando imagem sacras, introduzindo o crucifixo no ânus, um homem beijando outro com característica de Cristo, etc.) afirmando que os fatos expostos nas imagens ocorreram na parada do último domingo. No entanto, a única foto real da sua montagem e que pertence a essa Parada foi a da trans crucificada, já as demais fotos são da Marcha das Vadias ocorrida em Junho de 2013 em Copacabana e de outros eventos. É claro que Feliciano foi mal intencionado, uma jogada suja para levar seus seguidores e população geral ao erro da interpretação. Aproveitou ele do cenário atual em que tudo que “caiu na net é verdade absoluta”, na qual as pessoas compartilham de tudo sem a mínima preocupação com a credibilidade da fonte.

A liberdade de expressão de livre manifestação está prevista na mesma Constituição Federal, que deveria nos proteger de tais agressões. Não agimos contra a Lei e o Ordenamento Jurídico vigente em nosso país. Mas tudo que foi feito, além da intenção de prejudicar a maior Parada LGBT do mundo, tem ainda em seu texto o boicote aos patrocínios que tivemos, para tentar inviabilizar a realização das nossas próximas manifestações.

Exigimos do Poder Judiciário Federal que estes parlamentares sejam investigados por incitação ao ódio e desrespeito explícito ao Estado Laico. A Parada do Orgulho LGBT não busca em suas manifestações ofender a nenhum segmento da sociedade. É evidente a manipulação das imagens e informações com o objetivo de tirar o foco da luta pelos direitos da população LGBT. “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim. Respeitem-me!”. O tema da Parada do Orgulho de 2015 não será esvaziado com ameaças e discursos de ódio, muito menos com atos de parlamentares radicais que não toleram as diferenças e repudiam aqueles que não seguem sua cartilha de bons costumes, seja em uma encenação pública ou em uma propaganda de televisão.

NÃO COMPACTUAREMOS COM ESTA VIOLAÇÃO. É TANTA PERSEGUIÇÃO. E A JUSTIFICATIVA É UMA SÓ: LGBTFOBIA!

Diretoria da APOGLBT-SP

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