Sensibilizar promotores e membros do júri para as questões de gênero é essencial para enfrentar o feminicídio

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Instituto Patrícia Galvão apresentou o Dossiê Feminicídio para promotores que atuam no Tribunal do Júri em reunião do grupo de trabalho sobre feminicídio do Ministério Público do Estado de São Paulo

(Tainah Fernandes/Agência Patricia Galvão, 25/11/2016)

Hoje, 25 de novembro, dia em que se comemora o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, Débora Prado, jornalista da Agência Patrícia Galvão apresentou para promotores de justiça de São Paulo o Dossiê Feminicídio.

Plataforma digital produzida pelo Instituto, além de servir como guia para a produção de conteúdos jornalísticos sobre o tema o Dossiê também tem se mostrado de grande utilidade para operadores do sistema de justiça no intuito de sensibilizá-los sobre os casos de assassinato de mulheres, a forma mais extrema de violência de gênero.

Durante a apresentação foi destacado pelos promotores presentes a importância de sensibilizar o júri para as questões de gênero, pois muitos chegam “contaminados” pelo julgamento midiático que, na maioria das vezes, revitimiza a vítima de feminicídio ou tentativa como se aquela mulher tivesse sido assassinada por um erro dela mesma, um descuido ou irresponsabilidade.

Para que esse cenário mude, é preciso desde cedo enfrentar preconceitos, machismo, homofobia e racismo, como comentou o promotor Flavio Farinazzo Lorza, do 3º Tribunal do Júri de São Paulo.

“Acredito que a raiz dessa violência e da reprodução dessa violência seja os preconceitos tão presentes em nossa cultura, discriminações essas aceitas em nossa sociedade, em nossa construção como cidadãos e como pessoas”, comentou o promotor.

Flávio mencionou ainda a seletividade com que essas mortes são noticiadas, hierarquizando vidas e esquecendo as mulheres “periféricas”, que ficam esquecidas “por fazerem parte de um grupo que não impacta o interesse da grande imprensa”.

“Existe uma repercussão baixa de maneira geral, principalmente na grande imprensa; e, de maneira geral, o tom sensacionalista é recorrente quando a imprensa cobre os casos de feminicídios”, destaca o promotor.

A seletividade se mostra presente mesmo quando é para dar uma boa repercussão a casos de assassinatos de mulheres. Como ocorreu no caso de Michele, mulher transexual assassinada pelo ex-companheiro em fevereiro deste ano. O caso foi o primeiro a receber denúncia por feminicídio de mulher trans no Brasil. A denúncia foi feita por Lorza.

Na opinião de Flávio Lorza, promotor que fez a denúncia, o caso de Michele recebeu um tratamento positivo na imprensa “por ser um tema novo e talvez desconhecido da própria grande imprensa. Talvez essa novidade seja positiva na medida em que a imprensa ainda não construiu um posicionamento e, tendo em vista o cenário atual e a atuação das militâncias, dar um tratamento preconceituosos seria muito negativo”, completa Lorza.

O que é o Dossiê Feminicídio

O Dossiê Feminicídio é uma ferramenta desenvolvida pelo Instituto Patrícia Galvão com apoio da Secretaria da Políticas para Mulheres no âmbito da Campanha Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha. Trata-se de uma plataforma digital que reúne informações, análises, dados de pesquisas e indicações de especialistas que pode ser consultada e reproduzida livremente.

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