ONU Mulheres e União Europeia fortalecem cooperação em apoio às defensoras de direitos humanos e pelo fim da violência contra as mulheres

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Projeto “Conectando Mulheres, defendendo direitos” foi lançado, hoje (5/2), na Casa da ONU, com presença de autoridades governamentais, parlamentares sociedade civil, corpo diplomático e outras representações da comunidade internacional. No ato de lançamento, instituições fazem chamado para ampliação da cooperação ao projeto e solidariedade às defensoras de direitos humanos

(ONU Mulheres, 05/02/2020 – acesse no site de origem)

A prevenção e a proteção da violência contra as mulheres defensoras de direitos são parte da cooperação firmada entre a União Europeia e a ONU Mulheres, na última quarta-feira (5/2), na Casa da ONU, em Brasília, por meio do projeto “Conectando Mulheres, defendendo direitos”. A iniciativa responde à realidade crescente no mundo de ameaças, perseguições e diferentes tipos de violência contra mulheres defensoras de direitos humanos. Foi apresentada a parlamentares brasileiras e brasileiros, sociedade civil, corpo diplomático e outras representações da comunidade internacional.

De acordo com o Relatório das Nações Unidas sobre a Situação das Mulheres Defensoras de Direitos Humanos, de 2019, as defensoras de direitos humanos são “mulheres atacadas por promover e proteger os direitos humanos por causa de sua identidade e por causa do que elas fazem”. A maior parte delas está “envolvida na defesa dos direitos humanos voluntariamente, fora das funções profissionais ou relacionadas ao emprego”, define o documento das Nações Unidas.

Ainda, segundo o relatório, “as mulheres defensoras de direitos humanos são, muitas vezes, percebidas como aquelas que desafiam as noções tradicionais de família e os papéis de gênero na sociedade, uma percepção que pode gerar hostilidade por parte dos agentes estatais e do público, da mídia e de outros agentes não-estatais. Elas podem ser estigmatizadas e colocadas no ostracismo por lideranças comunitárias, grupos religiosos, vizinhança e comunidades que acreditem que elas e suas ações ameaçam à religião, honra, cultura ou modo de vida”.

Para a representante da ONU Mulheres Brasil, Anastasia Divinskaya, as mulheres estão à frente de movimentações importantes no mundo para promover a igualdade. “As mulheres querem fazer parte da política, ser candidatas, eleitas e exercer o poder nos espaços de tomada de decisão. As mulheres querem construir e fortalecer as democracias. Querem salário igual, trabalho decente e ser beneficiadas pelas riquezas econômicas que geram. Querem decidir sobre os próprios corpos e serem donas das próprias vidas. Elas defendem territórios e povos tradicionais. Num mundo de desigualdades, as mulheres desafiam poderes e isso lhes coloca em situação de vulnerabilidade a diversas formas de violência e risco de morte. Elas defendem os direitos de cada uma e cada um de nós. E é nosso dever defendê-las e proteger os direitos das defensoras de direitos humanos”, considera Divinskaya.

O embaixador da União Europeia no Brasil Ignacio Ybáñez ressaltou a importância da parceria da União Europeia com ONU Mulheres em defesa da igualdade de gênero e em apoio ao sistema multilateral. “A nossa presença aqui, a nossa parceria com as Nações Unidas e com ONU Mulheres na ação conjunta lançada hoje é, mais uma vez, a expressão do firme compromisso da União Europeia na promoção, proteção e defesa dos direitos humanos e do nosso empenho para alcançar a igualdade de gênero na Europa e no mundo”.

Para o coordenador Residente da ONU no Brasil, Niky Fabiancic, “é fundamental reconhecer publicamente o trabalho das defensoras de direitos humanos e assegurar o seu direito à participação, o acesso a espaços seguros e que elas estejam livres de ameaças e ataques por sua condição de defensoras de direitos humanos”, afirmou

Conexões por mulheres e direitos – No lançamento do projeto “Conectando Mulheres, defendendo direitos”, a União Europeia e a ONU Mulheres reforçaram o pedido para que o Brasil e a comunidade internacional se somem à agenda de proteção às defensoras dos direitos humanos no país.

É hora de mobilizar ações para prevenir e proteger efetivamente os direitos das mulheres defensoras de direitos humanos e apoiá-las com financiamento para que elas possam continuar seu trabalho em direitos humanos. Como ressalta a representante da ONU Mulheres Brasil: “As mulheres estão construindo a igualdade no mundo e não podem ficar vulneráveis nem isoladas por defenderem direitos que beneficiam toda a humanidade. É hora de os países, sociedade e comunidade internacional garantirem os recursos para que este trabalho continue a ser feito e àquelas que estiverem sob a ameaça possa fazer parte dos programas de proteção de defensoras e defensores de direitos humanos”.

Ameaça aos direitos humanos – No ano de 2019, o relatório Front Line Defenders (defensoras e defensores na linha de frente – tradução livre), o Brasil é o quarto país mais violento para defensoras e defensores de direitos humanos – atrás da Colômbia, Filipinas e Honduras. Naquele ano, 23 pessoas foram assassinadas – duas mulheres e 21 homens –, por zelarem pelos direitos humanos.

A maior parte dos casos se referem a conflitos agrários e ambientais. Aos poucos, a dimensão de gênero começa a ser nomeada. Relatório da Comissão Pastoral da Terra, de 2018, revelou que a violência contra as mulheres no campo cresceu 377% em relação ao ano de 2017.

Informações para a Imprensa:

ONU MULHERES BRASIL
Assessoria de Comunicação
Isabel Clavelin
61 3038 9140 | 98175 6315
[email protected]
onumulheres.org.br/defensorasdedireitoshumanos

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